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1933: a música chega a Goiânia

17.05.2016 - 17:23:57
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No ano de 1933, encontramos ao menos duas importantes datas relacionadas à História da Música de Goiânia. Melhor detalhando, a primeira delas – 27 de maio – diz respeito ao início dos trabalhos de organização do plano definitivo da cidade que seria a nova capital do Estado, conforme bases fixadas no Decreto N. 3.359, de 18/05/1933, assinado pelo Interventor Federal Dr. Pedro Ludovico Teixeira. Já a segunda, 24 de outubro, refere-se ao Lançamento da Pedra Fundamental1 da atual capital do Estado de Goiás.
 
Nas duas datas acima mencionadas, houve uma série de eventos de natureza política e religiosa e, como não poderia deixar de ser, a música ali se fez presente, por meio das apresentações de bandas, corais e de outros pequenos conjuntos instrumentais. Mas, de onde vieram esses músicos? 
 
Dos autores que se atentaram a relatar tais acontecimentos, alguns deles fizeram breves relatos acerca dos artistas responsáveis pelas primeiras atividades musicais na região destinada à construção da cidade que, apenas em 1935, receberia o nome de Goiânia.

Os primeiros deles [músicos] eram residentes na cidade vizinha – Campinas – também conhecida por Campininha das Flores, hoje, bairro da atual Capital goiana. Especula-se, ainda, que outros tantos teriam vindo de várias cidades do interior de Goiás.
 

A primeira Missa (27/05/1933)
 
Nesse sentido, conforme atesta a Irmã Áurea Cordeiro Menezes (1981, pp. 20 e 184), autora de O Colégio Santa Clara e sua Influência Educacional em Goiás, sabe-se que no dia 27 de maio de 1933, quando foi celebrada a primeira Missa no local da fundação de Goiânia, 
 
Foram as alunas do Santa Clara que a solenizaram com os cantos. Trepada em um tronco de árvore, ali tombado, Irmã M. Letícia acompanhou aquelas vozes juvenis, ao violino, enquanto que a Irmã M. Izabel fazia vibrar as teclas do harmônio, levado do Colégio para aquele local, e Irmã M. Benedita regia o coral. (Menezes, 1981, p. 184).
 
Em outro trecho, a autora diz ainda:
 
No dia 27 de maio de 1933, organizado pelo Dr. Carlos de Freitas, realizou-se um grande mutirão, do qual participaram fazendeiros e grande número de habitantes de Campinas, para a roçagem do local onde deveria ser construída a nova Capital, precedido de uma Missa – a primeira – oficiada pelo padre Conrado. Lá estava o Colégio Santa Clara, representado pelo coral composto de alunas, abrilhantando o ato religioso. (Menezes, 1981, p. 20).
 
Nas palavras de Márcia Regina, esta que assina o Capítulo “Colégio Santa Clara Patrimônio Cultural”, encontrado no livro Campininha das Flores e sua História (2010), organizado por Antônio Moreira da Silva e Ubirajara Galli,
 
O coral formado pelas alunas participou, em maio de 1933, de uma missa e de um mutirão para roçagem do local onde seria construída a nova Capital. A partir de então, todas as solenidades cívicas da cidade contaram com a presença do Santa Clara. (Regina, 2010, pp. 63-64).
 
No livro Memória Musical de Goiânia, o musicólogo Braz Wilson Pompeu de Pina Filho assevera que o Colégio Santa Clara é o pioneiro na educação musical das cidades de Campinas e Goiânia. Braz de Pina acrescenta que, a partir de sua fundação – em 1921 -, as irmãs franciscanas ofereciam aulas de “canto, violão, piano e harmônio” (Pina, 2002, pp. 13-14). 
 

 

Fonte: Campininha das Flores e sua História (2010)
Organizadores: Antônio Moreira da Silva e Ubirajara Galli
 

A segunda Missa (24/10/1933)

Em relação às solenidades ocorridas em 24 de outubro de 1933 – data do Lançamento da Pedra Fundamental de Goiânia – Ofélia Sócrates do Nascimento Monteiro (1938, p. 88) – fazendo referência à edição de 27 de outubro de 1933 do Correio Oficial de Goiás, afirma que o primeiro evento daquele dia foi uma missa campal. Esclarece a autora que essa celebração religiosa foi dirigida “pelo Padre Agostinho Forster, com acompanhamento do côro [sic] de alunas do Colégio S. Clara”.
 
É relevante informar que três das fontes consultadas para esse estudo disponibilizaram fotos referentes a pelo menos uma das aludidas missas. Contudo, foram encontradas incongruências nas legendas desse material. A legenda da foto abaixo, apresentada pela historiadora Irmã Áurea Menezes, diz: 
 
"Missa: Lançamento da Pedra Fundamental de Goiânia – Presente, o "Santa Clara" – 1935.

 

Fonte: O Colégio Santa Clara e sua Influência Educacional em Goiás (1981, p. 271)
Autora: Irmã Áurea Cordeiro Menezes
 

 

De fato, esta foto refere-se ao Lançamento da Pedra Fundamental da Catedral de Goiânia. Nesse caso, a Missa foi conduzida pelo arcebispo Don Emanuel, em 1935. De costas e com as mãos para trás (canto esquerdo da foto): Governador Pedro Ludovico Teixeira e o Sr. Hermógenes F. Coelho (presidente da Assembleia Legislativa ).
 
A foto seguinte consta dos trabalhos dos historiadores Ófélia Monteiro (1938, p. 91) e Iúri Ricon Godinho (2013, p. 98). No entanto, as legendas são desconexas. Na legenda grafada na página 98 do livro A Construção (2013), lê-se: “Alunas do Santa Clara preparadas para a apresentação musical durante a primeira missa”. 
 
Então, adotou-se para esse artigo, a descrição oferecida na edição de 1938 da obra Como nasceu Goiânia, de Ofélia Monteiro.
 
 

Alunas do Colégio Santa Clara, durante a Missa de Lançamento da Pedra Fundamental
(Segunda Missa: 24/10/1933)
Fonte: Como nasceu Goiânia – Ófélia Monteiro (p. 91).
 

Uma segunda foto (abaixo) presente no livro A Construção (2013, p. 98), do historiador Iúri Godinho, diz reportar ao dia 27 de maio de 1933, com os seguintes dizeres: “A missa do mês de maio, a primeira atividade naquela que seria a nova capital”. Todavia, face aos equívocos já apontados, não seria prudente fechar essa questão. 

 

Missa celebrada em Goiânia

As bandas de música
 
Ao que parece, a atuação de bandas de música naquele ano de 1933, no local onde seria erigida a atual capital do Estado de Goiás, aconteceu apenas no dia do Lançamento da Pedra Fundamental. Nesse sentido, Ofélia Monteiro, mais uma vez fazendo referência à edição de 27 de outubro de 1933 do Correio Oficial de Goiás, diz que “desde o amanhecer do dia 24 cruzavam-se os acordes de diversas bandas de música, que emprestaram um caráter festivo a todas as solenidades realizadas” (Monteiro, 1938, p. 88).
 
Embora não deixe clara a fonte utilizada, o historiador Iúri Ricon Godinho (2013, p. 88), em seu livro A Construção, diz que se tratavam de sons de “variadas bandas de diversas cidades do interior” tocando “marchinhas populares”. É importante mencionar que, na pesquisa bibliográfica efetuada para a elaboração desse texto, não foram encontrados maiores detalhes sobre as referidas bandas musicais, exceto pela banda da cidade de Campinas, a qual será contemplada nos parágrafos seguintes.
 
Por sua vez, Bariani Ortencio (2011, p. 142), acrescenta que, mais tarde, terminada a parte religiosa daquela solenidade (24/10/1933) que contou com a participação das alunas e professoras do Colégio Santa Clara, uma Banda de Música oriunda de Campinas/GO, regida por José Ferreira de Araújo interpretou o Hino Nacional Brasileiro.
 
Zé do Ó, como era conhecido o maestro José Ferreira de Araújo, embora nascido em Minas Gerais, é considerado o músico mais antigo da região (Goiânia e cidades próximas). Conforme atesta Braz de Pina (2002, pp. 11-12), o músico transferiu-se de Pirenópolis para a Cidade de Campinas/GO, no final do século XIX. Nesta cidade histórica, foi instrumentista da Banda de Música “Euterpe” dirigida pelo ilustre maestro Antônio da Costa Nascimento (Tonico do Padre). 
 

 
Fonte: Livro Memória Musical de Goiânia
Autor: Braz Wilson Pompeu de Pina Filho

Considraçãoes Finais

Após a instalação do Município, em 20 de novembro de 1933, vários outros músicos oriundos principalmente de Pirenópolis e de Vila Boa (Cidade de Goiás) chegaram à região visando explorar o novo mercado. Assim, mesmo antes de Pedro Ludovico Teixeira assinar o decreto de transferência do Governo Estadual para Goiânia (23/03/1937), as bandas2 de música já abrilhantavam eventos sociais e cerimônias de inauguração de importantes construções na cidade, tais como o Automóvel Clube(atual Jóquei Clube), fundado em 10/03/1935 e o Grande Hotel, inaugurado em 17/02/1937.
 
Quanto à implantação da música clássica na nova capital, o marco importante foi a transferência do Lyceu de Goyaz, da Cidade de Goiás para Goiânia, em 1937. Aqui, é importante expor que os corais e pequenos grupos instrumentais organizados pelo violinista e compositor Joaquim Édison de Camargo (1900-1966), então professor daquela instituição – do futuro Liceu de Goiânia – tiveram destaque no cenário musical goianiense nos anos seguintes. 
 
Tudo leva a crer que a prática da música instrumental (piano, instrumentos de cordas, instrumentos de sopros etc.) na Goiânia da década de 1930, era ainda incipiente. Por sua vez, parece ter havido uma robusta atividade no campo da música vocal. 
 
A propósito, como bem lembra Ângelo de Oliveira Dias (2008, p. 133), no artigo O Canto Coral em Goiânia: uma trajetória, na nova capital, "os primeiros registros importantes de uma atividade orfeônica sistemática” em Goiânia surgem, principalmente, em três instituições: no Liceu, no Instituto de Educação e na antiga Escola Técnica Federal [atual IFG]. E tais atividades corais, em uma primeira fase, estiveram centralizadas “nas figuras dos professores Joaquim Édison de Camargo, Nair de Morais, Edméia Camargo, Maria Lucy Veja Teixeira e Maria das Dores Ferreira de Aquino".
 
Mas as atividades musicais realizadas em Goiânia após o ano de 1933 serão temas de futuras colunas. Até a próxima!
 

NOTAS:

1) Em matéria veiculada pelo Diário da Manhã, no dia 24/10/2001, lê-se que o marco inicial de Goiânia, sua pedra fundamental, é alvo de polêmicas e controvérsias. Para o escritor Bariani Ortencio, “uns falam que a pedra está no Palácio das Esmeraldas e o mais indicado é que esteja lá; outros falam, ainda, que estaria no Setor Universitário”, teoria do historiador Nars Chaul. No entendimento do escritor José Sêneca, o local seria a Praça do Cruzeiro, local escolhido, inicialmente para a construção da primeira catedral de Goiânia (Ortencio, 2011, pp. 144-145).
 
2) Especificamente acerca das bandas de música, Braz de Pina (2002, p. 18) destaca os seguintes corpos artísticos: a Banda de Música da PM, transferida da Cidade de Goiás para Goiânia em 1936, A Jazz Band da PM, A Jazz Band considerada o primeiro conjunto de dança instalado na nova capital e a Jazz Band Imperial.
 
3) Sobre o Automóvel Clube, a professora Maria Helena Jayme Borges versa em seu livro A música e o piano na sociedade goiana (1805-1972): “Atendendo aos anseios da população por diversão, foi fundado, em abril de 1935, o Automóvel Clube de Goiás (futuro Jóquei Clube), tendo por finalidade intensificar o convívio social dos seus agremiados (…). Após sua inauguração, o Automóvel Clube tornou-se o centro das atividades sociais da cidade (…). Ali eram realizados bailes oficiais, de carnaval, de formaturas, promoções sociais e inúmeros recitais”. (Borges, 1999, p. 77, grifo nosso).
 
4) De acordo com a pesquisadora Maria Helena Jayme Borges, Goiânia recebeu seu primeiro piano no dia 10 de dezembro de 1935. O instrumento foi adquirido pelo Secretário Geral, Dr. Benjamin Vieira. E “seus primeiros sons, em Goiânia, foram tirados por sua filha, Angélica Vieira, que tocou nele no mesmo dia, logo após a sua chegada (…). O segundo piano a chegar a Goiânia pertencia à escritora Rosarita Fleury (…)”. (Borges, 1999, p. 77).
 

Leia na sequência:

 

 

O Lyceu de Goiaz e a música (postado em 24/06/2016).

Joaquim Edison de Camargo (1900-1996)
Fonte: Livro A Música em Goiás (1981)
Belkiss Spencière Carneiro de Mendonça

A música do cinema mudo em Goiás (postado em 18/08/2016).


"Orquestra Ideal" em fevereiro de 1927
Foto: Arquivo Pessoal de Fernando Cupertino
*Legenda no artigo

 

REFERÊNCIAS:

Borges, Maria Helena Jayme. A música e o piano na sociedade Goiana (1805-1972). Goiânia: FUNAPE, 1998.

Dias, Ângelo de Oliveira. "O Canto Coral em Goiânia: uma trajetória, na nova capital". Revista UFG, Goiânia, Ano X, Nº 5, dezembro de 2008.


Godinho, Iúri Rincon. A Construção: cimento, ciúme e o caos nos primeiros anos de Goiânia. Goiânia: Contato Comunicação, 2013.

Mendonça, Belkiss Spencière Carneiro de. A Música em Goiás. 2 ed. Goiânia: Editora da UFG, 1991.

Menezes, Irmâ Áurea Cordeiro. O Colégio Santa Clara e sua influência educacional em Goiás. Goiânia: Unigraf, 1981.

Monteiro, Ofélia Sócrates do Nascimento. Como nasceu Goiânia. São Paulo: Empresa Gráfica da Revista dos Tribunais, 1938.

Ortencio, Bariani. História documentada e atualizada de Campinas (1810-2010). Goiânia: Kelps, 2011.

Pina (Filho), Braz Wilson Pompeu. Memória Musical de Goiânia. Goiânia: Kelps, 2002.
 

Regina, Márcia. "Colégio Santa Clara Patrimônio Cultural". In Silva, Antônio M.; Galli Ubirajara (orgs.), Campininha das Flores e sua História. Goiânia: Instituto Cultural José Mendonça Teles, Scala Editora, 2010.
 
 

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por Othaniel Alcântara

*Othaniel Alcântara é professor de Música da Universidade Federal de Goiás (UFG) e pesquisador integrado ao CESEM (Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical), vinculado à Universidade Nova de Lisboa. othaniel.alcantara@gmail.com

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