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Manejo, Reciclagem e Gerenciamento

"Os resíduos são 100% reaproveitáveis", afirma presidente da Asciclo

Gáudio Fleury defende maior conscientização | 19.03.17 - 14:18 "Os resíduos são 100% reaproveitáveis", afirma presidente da Asciclo Gáudio Fleury assumiu a presidência da Associação em dezembro de 2016 (Foto: Letícia Coqueiro)
Adriana Marinelli e João Unes

Goiânia
"Conscientização é o caminho". É o que diz o empresário Gáudio Fleury, presidente da Associação das Empresas de Manejo, Reciclagem e Gerenciamento de Resíduos do Estado de Goiás (Asciclo), sobre as discussões relacionadas às questões ambientais em Goiás e no Brasil. Em entrevista exclusiva ao jornal A Redação, Gáudio, que assumiu a Associação em dezembro para o mandato 2016-2018, discorreu sobre a atual situação do Estado em relação ao descarte de resíduos e detalhou as propostas da Asciclo para os próximos meses. Animado com o desafio de presidir a Associação, Gáudio falou com otimismo do projeto e, em visita à sede do AR, disse que a expectativa é triplicar o número de associados durante sua gestão. 
 
"Se souber segregar, você consegue reaproveitar 100% do resíduo. É nesse caminho que temos que seguir. Junto com o poder público, a Asciclo, que é formada por empresários experientes no assunto, vai colaborar para otimizar os trabalhos que envolvem a reciclagem e o gerenciamento de resíduos em nosso Estado", garante. Mesmo  com pouco tempo de gestão, Gáudio já articulou parcerias junto ao Estado e ao municipal de Goiânia com foco no aprimoramento do descarte de resíduos. O presidente esteve com o prefeito Iris Rezende e também com o governador Marconi Perillo. Nas duas ocasiões, conforme foi noticiado pelo AR, ideias sustentáveis e eficientes no que diz respeito à area ambiental estiveram em pauta. 
 

Gáudio Fleury e João Unes, diretor-presidente do jornal A Redação (Foto: Letícia Coqueiro)
 
"Falta conhecimento. A população hoje não sabe o que fazer com o resíduo e isso precisa mudar. Nem sempre resíduo é lixo. A questão ambiental precisa ser ampliada em Goiás e no Brasil", diz Gáudio ao defender que a discussão também deve ser levantada do ponto de vista da saúde pública. "Quando descartado de forma irregular, o resíduo atrai rato, pode se tornar criadouro de mosquito transmissor da dengue, entre outras coisas. Vamos auxiliar as gestões municipal e estadual com o que temos de mais importante, que é o conhecimento. Nós vamos entrar com conhecimento, informações, e ajudar no que for preciso".
 
"Se souber segregar, você consegue reaproveitar 100% do resíduo"
 
De acordo com Gáudio, a situação da coleta seletiva de Goiânia foi um dos pontos discutidos com o prefeito e, coforme afirmou, a gestão municipal se comprometeu a intensficar os trabalhos. "A coleta seletiva é uma iniciativa muito boa, mas que praticamente acabou na gestão passada. O atual prefeito, Iris Rezende, prometeu retomar esses trabalhos. Vamos acompanhar e colaborar. Nosso serviço, embora seja do setor privado, também é de utilidade pública. O poder público não tem capacidade para atender a demanda".
 
Para o presidente da Asciclo, por mais que ainda falte conscientização, o goianiense "já tem um sentimento" quando o assunto é reciclar para preservar o meio ambiente. "As escolas são exemplo disso. Hoje as crianças estão mais conscientes em razão das ideias ambientais levantadas nas unidades de ensino", comemora. Gáudio explica que, a exemplo do que já ocorre em várias partes do mundo, o caminho eficiente para solução do problema é segregar o lixo.  
 
"Falta conhecimento. A população hoje não sabe o que fazer com o resíduo e isso precisa mudar. Nem sempre resíduo é lixo"

"Cada um precisa fazer o dever de casa. Um litro de óleo de cozinha descartado irregularmente contamina mil litros de água, além de provocar uma série de transtornos para a Saneago. Esse óleo jogado no ralo da pia, por exemplo, vira uma espécie de graxa e estraga o funcionamento das bombas da Saneago, que tem gastos altíssimos com manutenção em virtude disso. E esse óleo de cozinha é totalmente reciclável, usado para fazer detergente", explica. 
 

Gáudio Fleury concede entrevista aos jornalistas João Unes e Adriana Marinelli na sede do AR (Foto: Letícia Coqueiro)
 
O fato do aterro sanitário fazer a cobrança baseada no volume do material que chega de grandes empresas também tem feito os empresários repensarem na forma como estão descartando os resíduos. "É um decreto na gestão passada, ainda em discussão. O grande gerador de resíduo é responsável pelo gerenciamento desse material e também pelo transporte e disposição. O poder público fica obrigado a atender somente o cidadão comum, aquele trabalho de porta em porta. A empresa que gera volume maior, um condomínio, uma indústria, por exemplo, deverá ela mesma gerenciar seu resíduo ou contratar uma empresa para fazer isso. Nós percebemos que, após esse decreto, a procura por empresas como as inscritas na Asciclo aumentou muito. O aterro sanitário cobra por volume. Pensando nisso, as empresas procuram um jeito de diminuir o resíduo. Essas empresas maiores perceberam que segregar o resíduo é eficiente e compensa mais. Eles separam o que é reciclável, e o orgânico, que vai para o aterro, resulta em um volume menor", detalha.

"Um litro de óleo de cozinha descartado irregularmente contamina mil litros de água"
 
Gáudio é advogado de sucesso nas áreas de Direito Eleitoral e Direito Tributário. Foi no MBA em Gestão, Perícia e Auditoria Ambiental que criou interesse pela área ambiental. Foram muitas leituras sobre o tema até migrar para a área empresarial e passar a se dedicar de forma mais aprofundada às questões ambientais. Em 2016, Gáudio integrou uma comitiva liderada pelo governador Marconi Perillo em missão comercial na Austrália. Na oportunidade, o atual presidente da Asciclo conheceu de perto a realidade de Sydney, exemplo quando o assunto é segregação de resíduos. 
 
"Sydney não conta com aterro sanitário. Todo o lixo é segregado nas próprias casas. Existe uma coleta seletiva e o lixo que não é reciclável vai para compostagem, vira adubo. Ou seja, 100% reaproveitado. O resíduo é 100% reaproveitável" enfatiza. "Tínhamos uma grande esperança de que as Olimpíadas fariam pelo Brasil o que foi feito em Sydney. A baía de Sydney era bem mais contaminada que a baía de Guanabara. Lá eles tinham um lixão aquático, mas houve investimento, interesse e os resultados apareceram. No Brasil, na minha visão, passaram um batom, jogaram o lixo para debaixo do tapete. Aqui vimos avanços sim, mas não da forma que esperávamos". 
 
A Asciclo estuda para os próximos meses a realização de cursos, palestras e outros eventos voltados para a educação ambiental em Goiás. "Já estamos providenciando cartilhas educativas e outros projetos também", revela. "Inclusive parabenizo o jornal A Redação, um jornal verde, que nunca precisou derrubar árvores para levar notícias aos seus leitores", completou. 


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Comentários

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  • 19.03.2017 19:53 odessa martins arruda florencio

    Muito boa a entrevista, elucidativa sobre a importancia e a necessidade do reaproveitamento dos resíduos. A educacao ambiental é essencial pra saude coletiva. Os rios e córregos precisam ser vigiados, é incrível como grande parte da populacao ainda ache que as águas podem receber os lixos e os esgotos. Náo só os rios, as matas, as estradas, etc. aqui tudo se transforma em deposito de lixo.

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