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Você não é feia, acredite

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04.12.2012 - 10:51:28

Goiânia – Uma morena linda, de parar o trânsito. Um corpo perfeito, daqueles que parecem talhados por um escultor cuidadoso. Assim era Louanna Silva, a jovem de 24 anos que morreu no sábado, durante uma cirurgia para colocar silicone nos seios. A beleza que todos viam não era percebida pela moça, não lhe bastava. Ela queria mais.  

 
Louanna não é a única. Como ela, milhares de mulheres brasileiras perseguem o sonho do corpo perfeito. Elas não gostam do que veem no espelho, sentem-se inadequadas e disformes e compram a ilusão de que uma cirurgia estética é algo extremamente simples, banal, em que não há risco de morte. 
 
O fato é que uma cirurgia é sempre um procedimento arriscado, em que tudo pode acontecer, inclusive uma parada cardíaca, como foi o caso de Louanna. Os meios de comunicação e a indústria da beleza vendem um padrão estético de perfeição e alguns cirurgiões plásticos se aproveitam disso para faturar alto.
 
A pressão social pelo modelo de beleza ideal somada à suscetibilidade e fragilidade das mulheres é uma verdadeira bomba-relógio. Há uma triste tendência feminina de acreditar que nunca se bela o suficiente, de que há sempre um defeito, uma falha enorme, seja no corpo, no rosto ou no cabelo, a ser corrigida.
 
Além de inatingível, o padrão estético vendido para o público feminino acaba com a grande graça da raça humana: a diversidade. A regra é ser loira, de cabelo liso, barriga chapada e peitos enormes. Quem não atende a esse modelo se desespera para buscar o enquadramento. O resultado é uma legião de mulheres pasteurizadas. 
 
Desolado, o pai de Louanna declarou numa entrevista à televisão: “Quando ela contou que iria fazer a cirurgia, meu coração ficou apertado, senti uma coisa ruim. Mas ela alegou que iria realizar o sonho dela, então eu concordei”. A sabedoria de quem tem mais experiência de vida já intuía que atender à pressão social era um erro.
 
O sonho de Louanna era o de ser aceita, admirada. De se sentir incluída, de fazer parte daquele seleto grupo de mulheres que alcançaram a perfeição. De fato, um sonho, pois é impossível de ser concretizado. Sonho que se transforma em pesadelo, pois nos priva do melhor da vida: a alegria e o privilégio de sermos únicos.
Tenho a clara consciência de que os comunicadores cumprem papel decisivo na difusão desse modelo cruel e inacessível de beleza. É por isso que peço a você, leitora, que me ouça com atenção: você não é feia, acredite. Você não tem seios pequenos, não está gorda nem tem o cabelo indomável.
 
Você não tem rugas demais, não tem barriga flácida, não está com o bumbum caído. Se você está se sentindo mal, triste, vazia, não é de cirurgia plástica nem de drenagem linfática, peeling ou qualquer coisa do gênero que você precisa. O que lhe falta é autoestima, aquela capacidade de se amar e se aceitar em qualquer situação.
 
Tenho um grande exemplo na minha vida do que uma autoestima em dia pode fazer por uma mulher. Minha comadre não é loira, não tem peitões e está muito longe de ser um modelo de magreza. No entanto, do alto dos seus 55 anos ela desperta paixões por onde passa e pode escolher o homem com quem quer ficar.
 
Dona de um riso solto, ela esbanja alegria de viver e não perde tempo buscando defeitos em si mesma. Aprendeu que perfeito ninguém é, e que justamente por isso somos tão legais e divertidos, pois a perfeição é insossa e tediosa. Percebeu que nossas falhas não são suficientes para apagar nossas virtudes, nossa força.
 
Lembro de uma vez em que estávamos num bar e ela devorava feliz uma porção de batata frita. Questionada se não tinha sentimento de culpa por comer algo tão calórico, ela respondeu gargalhando: “Eu não tenho celulite, ela é quem me tem, sou todinha dela!”. Depois, falando sério, emendou: “O que eu quero mesmo é ser feliz, com esse corpo, do jeitinho que eu sou, sem tirar nem pôr nada. Tenho muito orgulho de mim”.
Se você trabalha o dia todo e ainda arranja tempo para estudar e se elevar espiritualmente; se busca sempre ser uma pessoa melhor; se chora, mas, pouco depois enxuga as lágrimas e vai à luta, então você não pode mesmo pagar de gatinha, amiga. Você é uma leoa. Mostre suas garras e valorize seu passe. 
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por Fabrícia Hamu

*Jornalista formada pela UFG e mestre em Relações Internacionais pela Université de Liège (Bélgica)

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