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Vidro: barreira aos pássaros

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24.02.2012 - 19:54:41

Passei o carnaval no interior de Goiás, em um condomínio que tem “paredes” de vidro transparente em determinado local da área de lazer, que é quase toda aberta nas laterais. E não foi a primeira vez que ouvi o relato de uma cena um tanto chocante, ainda mais por se tratar de um lugar envolto por muita natureza: um pássaro se chocara com o vidro e morrera na hora.
 
O assunto não é novo. Nos grandes centros urbanos, como São Paulo ou Nova York, centenas ou milhares de pássaros se chocam contra os inúmeros prédios de vidro espelhado que imprimem tanta “modernidade” às cidades. Nos EUA, as estimativas mais pessimistas calculam que um bilhão de aves migratórias morram a cada ano. 90 mil, só em Nova York. Não encontrei qualquer projeção de números brasileiros sobre o tema.
 
De acordo com uma reportagem publicada no NYT no ano passado, trata-se da segunda maior causa de morte de pássaros. A primeira é a destruição de seus habitats.
 
No Rio, um prédio do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) situado na área do Jardim Botânico é circundado por muito verde e, claro, pássaros – que volta e meia se estatelavam na fachada envidraçada. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, bastou instalar insulfilme (aquela película que escurece o vidro) para que os incidentes deixassem de ocorrer.
 
A medida sinaliza como é simples resolver o problema. Outras soluções são a adoção de vidros com textura ou serigrafia. Ao mesmo tempo, vale a pena questionar se o vidro deve mesmo ser usado nas fachadas brasileiras, especialmente nas regiões mais quentes. Afinal, o material acaba fazendo as vezes de uma verdadeira estufa, aquecendo os ambientes e exigindo mais energia para o resfriamento pelo ar condicionado.
 
Também existe a alternativa de colar adesivos de aves (ou qualquer outra figura), que serviriam para espantar os passarinhos reais. Sua eficiência é um pouco questionada, mas mesmo assim a tática é usada, por exemplo, nas barreiras acústicas das estradas na Suíça e Portugal, que têm partes de vidro. A dica do site do Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell (EUA) é de que os adesivos não fiquem muito distantes uns dos outros – a cerca de um palmo aberto. Experimentar não custa muito.

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por Elisa A. França

*Jornalista formada pela UFG, especializada em comunicação ambiental, com passagem pelo Greenpeace e pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

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