O mundo certamente se divide em categorias, dos que usam trim ou tesourinha, por exemplo. Ou daqueles que amam ou odeiam Woody Allen. Eu, graças aos deuses do cinema, me enquadro na categoria de fã do baixinho neurótico de Manhattan.
Sou absolutamente apaixonada pelos diálogos bem-humorados dos filmes dele, com aquela pouca fé que ele leva pela humanidade em geral. Seus questionamentos sobre a morte, vida, religião, análise, casamento, homens e mulheres. Sem falar da sua hipocondria, que eu considero adorável.
Salvo por alguns deslizes da sua vasta filmografia, como os chatérrimos Scoop e O escorpião de Jade, Woody tem se mantido em forma. E ainda têm aqueles por qual tenho absoluta adoração e sou capaz de ver milhões de vezes com tanto entusiasmo quanto da primeira. Nessa categoria estão Hanna e suas irmãs, Maridos e Esposas, Crimes e Pecados e Noivo Neurótico, Noiva Nervosa.
Demorei um pouco, mas assisti essa semana Meia Noite em Paris. Não é uma obra-prima certamente, mas o filme é bem gostoso. Em primeiro lugar porque Woody soube escolher bem o seu alter ego, o também feio, mas engraçado Owen Wilson, um dos atores mais carismáticos da sua geração.
A locação também ajuda bastante, afinal Paris é uma festa, como já disse Ernest Hemingway, personagem no novo filme de Woody, assim como Buñel, Scott Fitzgerald, Picasso, Gertrude Stein, Cole Porter. O enredo é simples: um escritor de férias em Paris surrealmente volta aos anos 20 e ali encontra os caras mais importantes do século passado.
Adoraria ser o personagem principal de Meia Noite em Paris, mas certamente minha viagem ao tempo seria outra. Iria para o Rio de Janeiro de Jobim e Vinícius, para longas madrugadas de uísque e rodas de música.
Fora a farra,que obviamente era das boas, tenho a impressão que aquele tempo era mais simples e as pessoas mais interessantes. O mundo hoje está muito pasteurizado, todo mundo querendo ser jovem, magro, rico e bem-sucedido. Uma verdadeira chatice. Eu queria era tomar porres homéricos escutando Insensatez.
À propósito, o trim para mim é um objeto de tortura. Sou da turma da tesourinha.