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(Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)

Nova fase do Museu Pedro Ludovico evidencia memórias e restauração

Reforma revelou detalhes escondidos há décadas na casa onde viveu o fundador de Goiânia

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06.03.2026 - 14:16:08

Carolina Pessoni

Goiânia – A antiga residência de Pedro Ludovico Teixeira, no Setor Sul, voltou a receber visitantes após uma reforma que recuperou elementos históricos da casa e revelou detalhes que estavam escondidos há décadas. Fechado desde outubro de 2025, o Museu Pedro Ludovico passou por uma intervenção de manutenção e preservação que incluiu recuperação do telhado, pintura da fachada na cor mais próxima da original, restauração do piso de madeira e reorganização do acervo.

Construída na década de 1930, a casa foi residência do médico e político responsável pela transferência da capital de Goiás para Goiânia. Hoje transformado em museu, o imóvel preserva objetos pessoais da família, documentos históricos e peças ligadas ao processo de fundação da cidade.

Segundo o coordenador do museu, Pedro Henrique, o principal problema estrutural estava no telhado da residência, que vinha sofrendo com infiltrações provocadas pela ação do tempo e pela presença de árvores de grande porte no terreno. “Temos árvores muito grandes dentro do terreno do museu e o telhado já muito antigo. Galhos caem em cima do telhado, quebram telhas e as calhas ficam entupidas com folhas”, explica.

 

Telhado foi recuperado e árvores foram podadas para evitar que galhos caiam e causem danos (Foto: Secult Goiás)

 

Antes do início da obra, ainda no começo de 2025, foi realizada a poda de árvores do jardim histórico do museu, entre elas dois mognos plantados na década de 1970 e uma mangueira da década de 1930. A reforma simplificada começou em outubro e incluiu a manutenção completa do telhado e das calhas, além de reparos na parte interna da casa.

Um dos trabalhos mais minuciosos realizados durante a reforma foi a chamada prospecção pictórica, técnica utilizada para identificar as cores originais de construções históricas. O processo consiste em remover, manualmente, as camadas de tinta acumuladas ao longo dos anos.

“É um trabalho de raspar a parede, com bisturi, para identificar todas as camadas de pintura até chegar o mais próximo possível da original”, afirma Pedro Henrique. A análise revelou uma tonalidade diferente da que vinha sendo utilizada na fachada do museu. Com base no estudo, a casa recebeu uma nova pintura externa na cor considerada mais próxima da original.

 

Técnica chamada prospecção pictórica revelou a cor original da pintura e dos tacos que compõem o piso do museu (Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)

 

Para a secretária de Estado da Cultura, Yara Nunes, a reforma reforça o compromisso com a preservação do patrimônio histórico. “A reforma simplificada do Museu Pedro Ludovico reafirma o nosso compromisso com a preservação do patrimônio histórico e a valorização da memória política e cultural de Goiás. As melhorias são também estruturais, e garantem mais segurança, acessibilidade e conforto para servidores e visitantes”, afirma.

Outro destaque da obra foi a recuperação do piso da residência. Os tacos de ipê, originais da construção da casa, estavam escurecidos após anos de aplicação de cera e pela ação do sol. Após o lixamento e a aplicação de novo sinteco, o piso revelou um detalhe pouco perceptível até então: os tacos foram montados em duas tonalidades diferentes, formando um desenho semelhante a um tabuleiro de xadrez.

A reforma também incluiu a revitalização da caminhonete Chevrolet C10 de 1974 que pertenceu a Pedro Ludovico. O veículo, exposto há mais de três décadas na garagem da casa, passou por polimento, higienização e reposição de peças como retrovisor e limpadores de para-brisa. A parte mecânica não foi alterada.

 

Livro de receitas de Dona Gercina Borges agora faz parte do acervo exposto (Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)

 

Com a desmontagem da exposição para realização das obras, o museu aproveitou para reorganizar o acervo e incluir peças que não estavam expostas anteriormente. Entre elas estão objetos relacionados ao ex-governador Mauro Borges e o livro de receitas de dona Gercina Borges, esposa de Pedro Ludovico, recuperado em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG).

Apesar de estar instalado na antiga residência do fundador da capital, o museu não foi criado apenas como um memorial familiar. Segundo Pedro Henrique, a proposta do espaço é preservar a história da fundação de Goiânia e da transferência da capital de Goiás. “O museu por muito tempo foi confundido como um memorial a Pedro Ludovico, mas ele foi criado para preservar a memória da fundação da cidade”, explica.

A casa também guarda curiosidades que ajudam a entender o estilo de vida da família e o contexto da época. Durante décadas, foi considerada uma das residências mais modernas da cidade recém-inaugurada. Entre os elementos que chamavam atenção estavam a piscina e a televisão colorida da família, apontadas como as primeiras da cidade. Esses detalhes ajudam a mostrar como o espaço reúne não apenas objetos pessoais, mas também fragmentos do cotidiano de uma Goiânia que ainda estava em formação.

 

TV, considerado a primeira em cores de Goiânia, está exposta ao público (Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)

 

Uma das particularidades do espaço é a presença de um integrante da família Ludovico entre os servidores do museu. Luiz Carlos Teixeira Bahia, neto de Pedro Ludovico, trabalha na unidade e participa das visitas guiadas. Aos 79 anos, ele acompanha visitantes e compartilha memórias da casa onde viveu durante parte da infância.

O Museu Pedro Ludovico funciona de terça a sábado, das 8h às 12h e das 13h às 17h. A entrada é gratuita e as visitas podem ser agendadas pelo telefone (62) 3201-4678 ou pelo e-mail [email protected].

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por Carolina Pessoni

*Jornalista formada pela UFG, especialista em Assessoria de Comunicação e Marketing também pela UFG

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