Kamylla Rodrigues
Goiânia – A desembargadora Maria das Graças Carneiro Reque decretou a ilegalidade da paralisação e determinou, por meio de uma liminar, o retorno imediato dos trabalhadores da Segurança Pública do Estado de Goiás ao trabalho sob pena de multa no valor de R$ 20 mil por dia. Ela entendeu que a interrupção dos serviços prestados pela pasta gera 'um verdadeiro caos e prejuízo à população'. A paralisação começou às 8h desta quarta-feira (9/12) e deve ser encerrada às 8h desta quinta-feira (10/12). A Polícia Militar não aderiu ao movimento 'Atividade Zero'.
Para o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Goiás (Sinpol), Paulo Sérgio, a decisão é ineficaz. "Nós não estamos de greve. Estamos fazendo apenas uma paralisação de 24 horas e amanhã estarão todos de volta ao trabalho. O prejuízo à população existe há anos, com a inércia do Estado em não contratar mais servidores para a área. A desembargadora deveria aproveitar a oportunidade e reagir em relação a contratação de pessoal, por exemplo", enfatizou.
A paralisação é motivada, segundo o Paulo Sérgio, pelo não reajuste do salário da categoria. "Em 2013, o governo fechou um acordo para reajustar em 56% o salário de toda a categoria no período de quatro anos. Acontece que não cumpriram o acordo este ano e o governador acabou adiando a parcela do reajuste para 2018. Ou seja, os servidores da Segurança Pública terão que trabalhar mais três anos sem reajuste, que é um direito adquirido", disse.
Em nota, o Estado de Goiás informou que entre 2014 e 2015, os servidores obtiveram reajustes da ordem de 32,2% – mais que o dobro da inflação do período. Para os próximos três anos, a previsão é de mais 37,5%.
A Agência Prisional, Polícia Técnico-Científica e a Polícia Civil não realiza nenhum atendimento à população durante 24h, exceto a Requisição de Exame Cadavérico nos casos de morte por homicídio, suicídio, acidente e morte a esclarecer. O requerimento é uma autorização para que o IML retire o corpo da rua e encaminhe para o instituto. "Esses corpos serão mantidos em câmara fria até amanhã, quando os trabalhos voltam a ser realizados", informou a diretora do Sinpol, Eliete Ribeiro de Souza.