Teve mais repercussão do que adesão o protesto em favor do topless realizado na manhã deste sábado (21/12), na Praia de Ipanema, no Rio. Menos de dez mulheres aderiram ao movimento, sendo imediatamente cercadas, cada uma, por dezenas de repórteres e curiosos. Uma das adeptas, a estudante Carolina Jovino, de 19 anos, disse ter ficado com medo da reação de alguns homens.
Enquanto apoiadores gritavam "sem moralismo", vendedores ambulantes e curiosos faziam comentários machistas e piadas de baixo calão. Outros incitavam, entre piadas de incentivo e comentários agressivos, que outras mulheres, inclusive repórteres, deveriam também tirar a roupa. Até guardas municipais estavam cantando mulheres.
Duas participantes do toplessaço de Ipanema (Foto: reprodução/Facebook)
Toda a imprensa internacional da cidade, com mais de 100 repórteres, fotógrafos e cinegrafistas acompanhou o movimento, com frustração. Com a prótese de silicone desnuda e purpurinada, Ana Paula Nogueira, de 34 anos, disse esperar que aos poucos o topless se torne mais natural. A cineasta disse que costuma fazer topless normalmente no exterior, como em Cuba ou na França. "Se ninguém fizer, não vai melhorar", disse.
Destaque do movimento foi a pensionista Olga Solon, de 73 anos, que soube do protesto pela mídia e resolveu apoiar. Olga posou para fotos sem blusa acompanhada pelo marido francês, mas logo colocou a roupa. Os dois moram há quatro anos no Arquipélago de Açores, em Portugal, e estão na cidade para as festas de fim de ano. Olga disse estar acostumada com o topless na Europa. "Só acho que as minhas filhas (de 51 e 53 anos) não vão gostar muito quando virem as fotos. Elas são um pouquinho conservadoras", disse.
O suposto protesto também teve a adesão de homens, que pintaram os corpos. Rennan Carmo, de 18 anos, pegou o biquíni da mãe e, junto com um amigo, vestiu a parte de cima. "Na nossa sociedade atual topless não é normal, como a gente esta vendo aqui", disse.
O evento teve mais de 8 mil adesões em página criada no Facebook convocando ao protesto, no primeiro dia do verão, que começa oficialmente hoje às 15h11. O movimento foi criado em reação a um episódio ocorrido no Arpoador, onde guardas repreenderam a atriz Cristina Flores por posar sem blusa para um catálogo de uma peça de teatro e foi obrigada a vestir a blusa. (Agência Estado)