A Redação
Durante depoimento das testemunhas da Operação Monte Carlo, na manhã desta terça-feira (24/7), na Superintêndencia da Justiça Federal em Goiânia, o agente da Polícia Federal (PF) Fábio Alvarez Shor afirmou que o agente Wilton Tapajós, assassinado na última terça-feira (17/7) em um cemitério de Brasília, foi abordado por um policial militar durante as investigações que apuraram as ligações do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com jogo ilegal.
Fábio, que foi a primeira testemunha da acusação a prestar depoimento, disse que o grupo de Cachoeira pagava alguns policias militares mensalmente. O agente disse que não tem como relacionar a abordagem ao grupo de Cachoeira e que só pode dizer que ele também foi abordado durante a investigação.
Pagamentos
O policial federal afirmou que "constantemente" havia encontros de membros da organização de Cachoeira com policiais militares. Fábio fazia vigilância na casa de uma ex-servidora da Prefeitura de Luiziânia (GO) de nome Regina, quando foi abordado por PMs. Fábio disse que os policiais civis e militares recebiam dinheiro, e que o pagamento era feito pelo ex-sargento da aeronáutica, Idalberto Matias de Araújo, o Dadá. Delegados da Polícia Civil eram pagos por Lenine Araújo – contador de Cachoeira, através de Regina.
A Regina citada pelo policial é Sônia Regina de Melo, uma das 81 pessoas denunciadas pelo Ministério Público Federal na Operação Monte Carlo. Segundo o MPF, ela é servidora pública da Delegacia Regional de Luziânia e era responsável pela captatação dos policiais para atuação no grupo de Cachoeira.
A advogada de Cachoeira, Dora Cavalcanti, questionou, durante a audiência, reportagens que afirmavam que o policial foi abordado por pessoas do grupo de Cachoeira. Fábio respondeu que não tem como afirmar com certeza se o assassinato foi ou não a mando do grupo de Cachoeira.
Investigação
Após as audiências do período da manhã, o procurador do Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO), responsável pelas investigações da Operação Monte Carlo, Daniel Rezende, afirmou que era necessário fazer "uma assepsia" na segurança pública de Goiás. "O grupo de Cachoeira tinha muita infiltração na segurança, o que faz com que nosso Estado fique vulnerável", disse Rezende. Questionado se o procurador estava com medo de receber ameaças, Rezende foi categórico: "Não. O MPF está sempre firme para atuar em favor da sociedade", afirmou.