Logo

Solução para a geração de renda no mundo pós-pandemia

14.09.2020 - 18:24:29
WhatsAppFacebookLinkedInX
Sou do interior e sempre soube que teria que sair da minha cidade para ter as oportunidades de trabalho com as quais eu sonhava e que eram mais justas. Vim para São Paulo, mergulhei de cabeça na minha carreira, mudei de área e empresas sempre em busca do meu propósito maior, que é fazer a vida das pessoas melhor.
 
Há alguns anos, escolhi direcionar essa missão para ajudar a desobstruir o caminho de mulheres empreendedoras, que assim como eu, tiveram (e ainda têm) que dar muito murro em ponta de faca. Decidi isso porque acredito muito no dinheiro como uma forma de libertação. Uma mulher com sua própria grana tem independência e isso pode mudar tudo na vida dela. Mudou para mim e eu quero proporcionar isso para o maior número de pessoas que eu conseguir. O empreendedorismo consciente é o caminho no qual eu acredito.
 
Procurando negócios para construir, fui apresentada ao Alejandro Ponce, um empreendedor peruano muito rápido e visionário. Num café que era pra durar 30 minutos, falamos por quase 4 horas. Compartilhamos nosso Ikigai, que propõe uma reflexão do seu propósito a partir de 4 elementos: vocação, paixão, profissão e missão. Entendemos ali que precisávamos aprofundar a ideia de sermos sócios num negócio de impacto, já que esse era o sonho. Ele é o CEO e fundador da Favo, empresa que criamos ano passado como um protótipo e que lançamos oficialmente durante a pandemia.
 
Inspirado por um modelo muito poderoso na China, Alejandro quis trazer o community buying para a América Latina e me chamou para participar dessa missão. Em poucas palavras, é um e-commerce com uma camada de venda direta que roda em miniprogramas sobre o WeChat.
 
Esse tipo de negócio gera renda para mulheres, mães de crianças pequenas e pessoas que não têm empregos ou salários fixos. Elas abrem um mercadinho virtual, vendem itens variados e ganham uma comissão por essas vendas. Tudo online e sem necessidade de investimento. Só pra dar uma noção do tamanho, um dos players chineses saiu de só-mais-uma-start-up pro 2º e-commerce mais valioso da China em 5 anos.
 
Decidi me juntar ao projeto, óbvio.
 
A nossa empresa, para ter a nossa cara mesmo, tinha que ser no esquema “todo mundo ganha”. Ou seja, tinha que ser boa de números para se manter em pé, gerar renda para os nossos empreendedores parceiros e, também, ser mais barata e conveniente para o cliente final. Tranquilo, né?
 
Mas, aqui desse lado do mundo o buraco é mais embaixo. Com os altos custos logístico e de transação quando comparamos ao que tínhamos visto na Ásia, tivemos que fazer adaptações para nossa realidade latinoamericana. Decidimos, então, que nosso trunfo seria algo que ressurgiu durante a pandemia: a comunidade.
 
Aqui, tudo acontece no WhatsApp. É lá que nossos líderes e clientes estão, então é lá que estaremos também. Muitos grupos. Muitas mensagens. Muito amor para lidar com o desafio de falar com todos ao mesmo tempo.
 
Às vésperas do Natal do ano passado, botamos na rua nosso protótipo em Lima, no Peru. Em janeiro, planejamos a operação para o Brasil e lançamos dia 8 de fevereiro. Aí veio a pandemia. Tínhamos um mês de vida em São Paulo, 10 funcionários e 3 líderes de comunidade. Em vez de pausar as atividades, decidimos acelerar junto com a demanda, que veio forte. Construímos nossos Centros de Distribuição e toda a estrutura de operação de vendas em meio a um lockdown no Peru e a uma confusão política no Brasil.
 
Loucura? Mas valeu muito a pena. Estávamos vendo líderes agradecerem o fato de estarmos gerando renda significativa para elas.
 
É enorme o potencial desse negócio atingir muitas famílias e ajudar a gerar renda para quem precisa. No Brasil, são 130 milhões de usuários de WhatsApp, quatro milhões de vendedores de venda direta e, agora, quase 13 milhões de pessoas buscando fontes de renda no país, que já sexto em faturamento por modelos de venda direta.
 
A penetração do e-commerce ainda é pouco representativa, mas, só no mês de abril desse ano, a categoria alimentos e bebidas no e-commerce cresceu quase 300% contra o ano anterior. Em e-groceries, a participação da classe média é quase inexistente, porque até agora ninguém tinha criado algo acessível, com entrega grátis e sem pedido mínimo.
 
A Favo é a porta de entrada para a compra online de itens de supermercado na América Latina. E, ao mesmo tempo, é uma opção de negócio que gera renda significativa e constante para pessoas que precisam de dinheiro e não tem nada além do seu tempo e dedicação para investir em um negócio tradicional.
 
Estamos andando. Muitos passos de cada vez (modo startup early stage hyper growth – traduzindo para nossa linguagem simples – correndo para dedéu) e ainda temos muito para (per)correr. Acrescente à corrida a complexidade de um negócio que une retailtech, supermercado, venda direta, pandemia e o fato de ainda estarmos 100% remotos desde o décimo primeiro colaborador.
 
O modelo de entregas diárias grátis e sem pedido mínimo conquistou nossos clientes. Em pouco mais de 6 meses, somos 130 colaboradores apaixonados pela causa. Trabalhamos com toda a dedicação para entregar a proposta de valor para nossos líderes de comunidade, que são o centro do nosso negócio e nos deram de presente o nome da nossa campanha de lançamento, “Sonhamos juntos”.
 
Quando falamos de empresa, parece errado falar de amor. Mas, precisamos quebrar esse tabu, porque quando a gente coloca amor no que faz, tudo dá certo. Somos uma comunidade de compra online que acredita que tudo pode ser mais justo. Quando compramos juntos, ganhamos juntos também. Isto é comunidade e esta é a Favo.
 
*Marina Proença é empreendedora na área de tecnologia, especialista em Marketing e Produto Digital, com experiência em diferentes setores, e muito foco na entrega de valor para cliente final 
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Marina Proença

*

Postagens Relacionadas
Décio Gazzoni e Antônio Buainain
25.02.2026
O papel do engenheiro agrônomo na realidade contemporânea

O Acordo entre o Mercosul e a União Europeia significa um marco histórico nas trocas comerciais no mundo, pela amplitude de países, população e valores financeiros (PIB e trocas comerciais) envolvidos. É um exemplo acabado da realidade comercial contemporânea. Do ponto de vista da União Europeia, as vantagens apontam especialmente para uma abertura de mercado […]

Leonardo Ribeiro
24.02.2026
Quaresma: rumo ao deserto para escutar e viver

Com a graça de Deus iniciamos, unidos com a Igreja, o Tempo da Quaresma. Como todos os anos, neste período de quarenta dias, somos convidados a mergulhar com intensidade e coração aberto neste tempo propício de revisão de vida e conversão pessoal. A própria Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma, […]

Ricardo Menegatto
17.02.2026
Prejuízos causados por eventos climáticos: quais são os direitos do consumidor?

Os alertas da Defesa Civil sobre tempestades severas tornaram-se parte da rotina de moradores de São Paulo e de diversas capitais brasileiras. Com eles, cresce também a apreensão quanto à possibilidade de quedas de energia elétrica e aos prejuízos que podem atingir residências, comércios e até a saúde de pessoas que dependem de equipamentos essenciais. […]

Carla Conti
14.02.2026
Educar com consciência planetária é um compromisso com a vida

A universidade é, historicamente, a casa do conhecimento. É nela que se formam profissionais de todas as áreas e onde se outorgam diplomas que autorizam a atuação no mundo. Mas esse gesto formal carrega uma responsabilidade que vai muito além da formação técnico-científica. Em um cenário marcado por crises ambientais, desigualdades sociais persistentes e pelo […]

Anna Carolina Cruz
13.02.2026
O tempo que não temos

Há dias em que a alma pede silêncio. Não o silêncio da ausência de barulho, mas o silêncio da consciência que desperta. Tenho pensado muito na forma como estamos vivendo. Corremos como se houvesse um incêndio permanente, como se cada mensagem ou e-mail não respondido fosse o fim do mundo, como se cada prazo fosse […]

Bruno D´Abadia
12.02.2026
Gestão de dados fortalece operadoras de saúde

O setor de saúde suplementar vive uma transição decisiva. Transparência, integridade da informação e precisão técnica deixaram de ser apenas exigências regulatórias e passaram a influenciar diretamente a sustentabilidade e a credibilidade das operadoras. Em um ambiente cada vez mais monitorado, dados corretos não são apenas números enviados à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). […]

Ralph Rangel
12.02.2026
O Homo Instagramabilis: O crepúsculo da inteligência

Houve um tempo em que o ser humano era definido pela sua capacidade de busca: a busca pelo abrigo, pelo fogo, pela forma de armazenar o alimento, pela verdade, pelo conhecimento profundo, enfim, éramos buscadores. Hoje, essa trajetória evolutiva parece ter sofrido um curto-circuito. Estamos testemunhando a ascensão de um novo tipo de pária social: […]

Luciana Brites
11.02.2026
Por que as crianças estão perdendo habilidades motoras na era digital?

O aumento do uso de tablets e celulares reduz o tempo de brincadeiras físicas, prejudicando o desenvolvimento motor e cognitivo. Por este motivo, temos notado que muitas crianças estão perdendo habilidades motoras. As atividades para coordenação motora são essenciais para desenvolver a integração de movimentos e a precisão no controle muscular. A coordenação motora global […]