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Sobre rotina, limites, frustrações e amor

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22.09.2015 - 15:02:34

Goiânia – A rotina saudável é aquela que organiza e dá segurança para a criança. No entanto, não pode ser vista como algo limitante, que aprisiona e agoniza.
 
Se a rotina for muito rígida e sistemática, não dá espaço para a invenção, a flexibilidade e para as pequenas surpresas. Tem que ser uma rotina organizadora e não limitadora. Criança sem rotina fica ansiosa, nervosa, agoniada. Não sabe o que está por vir. Não entende se é hora de mamar ou de dormir, se é dia ou noite. Quando crescem, não sabem onde podem brincar, qual horário para escovar os dentes, almoçar, dormir, tomar banho. Qualquer hora é hora. E assim ela cresce, sem saber o que fazer e como agir.
 
Cresce perdida, segue sem direção e sem as interferências e os ensinamentos de um adulto. Até que ela vai para a escola e lá encontra um monte de regras, horários, obrigações e tarefas. E a escola fica chata. Porque lá não fazemos o que queremos, em qualquer horário. Lá tem rotina. Muita rotina.
 
Sempre recebo os pais para conversar sobre a adaptação dos filhos na nossa escola. Vamos juntos, tentar entender como a casa funciona, e de uma maneira delicada, mas direta ajudar os pais na construção de uma rotina e de uma educação com limites.
 
Cada casa tem suas prioridades e tem também um ritmo, mas RESPEITO, RESPONSABILIDADE e CONFIABILIDADE devem existir em qualquer lugar. Ensine seu filho a se esforçar cada vez mais, instigue-o, jogue com ele e ganhe dele. É saudável ele perceber que pode perder, que não é o melhor, que precisa se esforçar.
Adultos acomodados, que não saem da zona de conforto, são tristes. Porque não realizam sonhos nem satisfazem desejos próprios. 
 
Ouço muitas pessoas dizerem: "Estou grávida, não quero que meu filho primogênito sofra. Então, quero colocar na escola antes do irmão nascer. Para ele não se sentir excluído."
 
Filhos vão sofrer, sentirão ciúmes do irmão. Alguns mais, outros menos. E entenderão que a mesma mãe dividirá o amor, mas não deixará de amá-lo. Como a professora da escola. Ela não é só de um aluno. Ela é do grupo.
 
Coloque seu filho na escola quando estiver segura do melhor momento. Não pense só na criança. São os adultos que sabem o que é melhor para o filho.
 
Afinal a criança não deve ser o centro da casa. Quando ela nasceu, uma família já morava ali. Existe uma hierarquia e os pais precisam assumir o papel de guias e educadores. Seu filho não será menos realizado porque não teve tudo o que quis na hora que quis, porque precisou esperar por um brinquedo, porque terá que dividir os afetos com um irmão. Frustrações, perdas e tédio fazem parte do desenvolvimento humano. Assim como as vitórias e alegrias.
 
É justamente aí que reside a beleza da vida.
 
*Jullyana Soares é especialista em educação infantil e diretora da Escola Ethos
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por Jullyana Soares

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