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Sobre filmes, orgasmo e comida

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08.11.2012 - 11:29:22

Goiânia – Adoro aquele filme Harry e Sally – Feitos um para o outro (1989), com a Meg Ryan e o Billy Cristal. Assisti quando era intercambista nos Estados Unidos, mas já revi dezenas de vezes. Acho que todo mundo sempre se lembra da antológica cena do restaurante, quando Sally simula um orgasmo para provar ao amigo Harry que as mulheres sabem fingir e muito bem.



Cena do filme When Harry Met Sally (Foto: reprodução)

Na verdade, nem era sobre a cena do orgasmo que gostaria de falar, mas é obrigatório citar o gozo fingido quando se fala do filme. Queria mesmo era falar da dificuldade de Sally em escolher um prato no restaurante. Ela demorava horrores para fazer qualquer pedido, até um prosaico cafezinho.

Quero dizer que eu sou a Sally, tirando a parte do fingimento de orgasmo (ela é uma verdadeira atriz). Sempre, sempre, sou a última a decidir qual será o meu prato. Eu fico lendo o cardápio e achando tudo muito apetitoso. Salivando. E apavorada. Apavorada de fazer o pedido errado.

Por isso prefiro restaurantes com cardápios mais reduzidos. Tenho medo de ficar o resto da vida nesses restaurantes que têm menu maior que a bíblia e não me decidir por um prato.

Também tento evitar restaurantes self-service ou rodízio. Não tenho o desprendimento suficiente em relação à comida para freqüentar tais lugares. Sempre saio rolando de tanto comer.

Mas voltando a Sally. Poucas coisas nessa vida me deixam mais chateada do que pedir o prato errado no restaurante. Aquela situação: todo mundo falando maravilhas do seu próprio pedido e você com aquela gororoba sem graça e cara na sua frente. A vontade é avançar no prato alheio, sem dó nem piedade, e traçá-lo todinho.

Aliás, basta você comentar que o seu prato não está tudo isso para o legal do seu amigo falar que aquela comida é a melhor coisa que já comeu na vida. E virar os olhos enquanto leva o garfo à boca. E você virando os olhos de raiva.

Aí seu amigo legal dá o golpe de misericórdia: quer experimentar?

É claro que você quer experimentar. Se possível não só provar, como comer  tudo e ainda passar o pãozinho no prato pra pegar aquele restinho de molho que faria o ateu mais descrente encontrar Jesus.

Ao invés disso, você prova um pedacinho, agradece e pensa: da próxima vez que errar o pedido vou fingir um orgasmo igual o da Sally.

E mulher quando quer fingir, meu bem, engana qualquer um. 
 

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por Bia Tahan

*Jornalista

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