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Só nas Olimpíadas mesmo

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02.08.2012 - 14:55:10

Meu período sabático dentro de casa coincidiu com os Jogos Olímpicos de Londres. Quando acordo, a primeira coisa que faço é pegar o celular e dar uma olhada no que vai rolar ao longo do dia. Não gosto de assistir qualquer esporte só por assistir. Não gosto dos bons jogos, não gosto das vitórias épicas, não gosto do espetáculo. Na verdade, o que me emociona mesmo é torcer pelos brasileiros.

Pode estar em campo a outrora promissora e agora decepcionante seleção espanhola de futebol masculino, que não estou nem aí. Pode estar na piscina o gênio Michael Phelps, que desprezo. Fico assistindo aquele esporte que nem sei o nome, muito menos as regras, só por que tem a bandeira verde e amarela ali do lado nos representando.

Quando vejo que tem judoca brasileiro no tatame, já me empolgo. Nossa tradição de décadas nessa arte marcial faz com que os brasileiros sempre tenham chances reais de vitória e medalha. Prova disso é que 75% do que faturamos até agora veio desse esporte. O problema é que não entendo bulhufas de judô. E meu interesse por ele só surge nas Olimpíadas mesmo.

Nesse momento especial que só acontece de quatro em quatro anos, sinto que somos a pátria de quimono. Logo em seguida, a pátria em um veleiro. Isso após a pátria dentro da piscina, a pátria na recepção, a pátria no garrafão.

Voltando ao judô, me desespero quando os brasileiros sofrem advertência pela tal falta de combatividade. Como sou completamente leigo no assunto, fico discutindo com o árbitro do conforto do meu lar: “é esse gringo vagabundo que não deixa o cara lutar”. Pareço aquela tia que não saca nada de futebol e vai assistir a Copa do Mundo. Quando o goleiro adversário defende uma bola, ela grita: “pênalti, mão do jogador!”.

Pois é, esse sou eu vendo judô. A cada golpe brasileiro que encaixa, comemoro como gol. A cada vitória, fico alegre como se fosse o Goiás. A cada medalha, me emociono junto do atleta. Mas tudo é rápido, pois já está começando outro esporte em outro canal e os brasileiros precisam de minha torcida remota. Uma verdadeira promiscuidade esportiva tupiniquim.

Semana que vem, se o bom Jah deixar, volto ao batente na regularidade de sempre. Não sei se a opressão da rotina me permitirá continuar na torcida por nossos atletas com esse fervor que deixaria orgulhoso Policarpo Quaresma. É bem provável que não. Mas, até lá, permaneço na frenética torcida por qualquer um, de qualquer esporte, que ostente nossa bandeira nacional na capital inglesa.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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