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Sistemas táticos e o que realmente importa (Parte 2)

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10.05.2016 - 09:48:35
 
Goiânia – Voltando à conversa sobre sistemas táticos, que começamos há alguns dias, numa situação hipotética, se existe no elenco, um “volante” que protege bem a defesa e bons meias/atacantes que auxiliam na marcação pelos “corredores”, jogar em um 1-4-1-4-1 pode ser muito eficiente. Mas se esse volante não possui capacidade técnica/tática/física e, principalmente, cognitiva para fazer uma leitura correta em tomadas de decisões importantes e não tiver um “primeiro passe” eficiente, o sistema pode não funcionar. Ou ainda, se esses meias/atacantes não ajudarem nos momentos defensivos e aos poucos deixarem espaços em suas costas, para o adversário jogar entre linhas, o sistema pode ficar comprometido.
 
Vê-se muitas equipes que não conseguem ser ofensivas jogando no sistema 1-4-3-3 e outras que mesmo em um 1-5-4-1, considerado defensivo, se tornam muito mais ofensivas que outras. A maneira como essa equipe vai se portar, como a engrenagem irá funcionar, levando em consideração as peças que serão utilizadas para que haja uma boa sincronia de movimentos, são decisivas para se ter uma equipe “encaixada”, de fluidez natural e eficiente.
 
Temos como exemplo, a Seleção Brasileira de 94, em um 1-4-4-2, que se baseava em uma defesa e meio campo sólidos, para dois atacantes, um de movimentação/assistência (Bebeto) e outro exímio finalizador (Romário) decidirem os jogos. Treinada e dirigida pelo mesmo treinador (Carlos Alberto Parreira), em 2006, a seleção era disposta no mesmo 1-4-4-2, dessa vez com quatro jogadores de frente de muita qualidade técnica (Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Ronaldo). Esse time possuía outras características. Sistemas iguais, porém, dinâmicas e individualidades diferentes. E não se discute aqui qual foi a melhor, e sim a observação de estilos e personalidades de equipes diferentes, baseadas em um mesmo sistema.
 
Além disso, devemos nos lembrar de que uma equipe deve obter sua proposta de jogo, apoiada por um modelo próprio, um jeito de jogar, sempre muito particular. Esse modelo pode e deve fundamentar muito bem essas escolhas e preferências por sistemas e características de jogadores utilizados.
 
Tudo o que foi dito até o momento, não dá garantia de vitórias e sucesso (a propósito, o que é o sucesso para um time de futebol?), afinal, isso é um jogo, onde o resultado final depende de muitas variáveis, algumas controladas e outras não. Portanto, não importa QUAL é o sistema adotado na teoria, mas compreender COMO ele é utilizado na prática.
 
A todo o momento falamos em FUNÇÕES, em RESPONSABILIDADES, em DINÂMICAS de cada jogador dentro de campo que, mesmo jogando em sua posição, possui tarefas a cumprir em prol do coletivo, sejam elas individuais, de grupo ou coletiva. Pequenos conjuntos, em vários setores, formando uma só unidade, mirando um objetivo em comum.
 
Pouca importância se dá aos números, posições e outros tipos de “engessamento”, já que em um jogo dinâmico, jogado em alta velocidade, onde o atleta precisa mudar de função a cada momento, tomar decisões em frações de segundo, ele não poderá ficar preso a números e “verdades” tidas por absolutas. 
 
Alguém se habilita a afirmar, por exemplo, em qual sistema joga o Bayern de Guardiola? Algo bem difícil de se definir, não é mesmo? Mas os princípios e comportamentos do seu coletivo (composto por 11 unidades) ficam claros.
 
Pressionar o portador da bola assim que a perde, jogar em linha alta tentando “empurrar” o adversário para seu campo e recuperar a bola para iniciar um ataque apoiado, muito bem estruturado com posse, dando profundidade e amplitude para sua equipe. Sistema “indefinido” (aliás, existirá algum definido, em um jogo tão rápido?), mas funções e tarefas muito bem distribuídas e executadas.
 
As ideias e exemplos de outras escolas, culturas e contextos podem servir para auxiliar e enriquecer o nosso entendimento, mas não nos afastar de nossas raízes. O jogo de futebol pede reflexões. 
 
Que saibamos olhar para dentro do nosso jogo, buscando sempre nossa essência e a nossa identidade. E de preferência, que nossas concepções sejam revistas e atualizadas a todo instante, como acontece com nosso simples e ao mesmo tempo complexo, jogo de futebol.
 
No próximo dia 28 em Milão, Real Madrid e Atlético de Madrid decidirão a Liga dos Campeões da Europa! O Real atropelou o esquema tático do Barcelona! E o time comandado por Zidane contará nessa partida com Cristiano Ronaldo de volta em seu elenco! Mas com certeza o Atlético de Simeone vai estar mais aguerrido do que nunca! Boa hora pra ver todos esses números se transformando na mágica inexplicável do futebol! Vai valer a pena conferir!
 

*Muriel Fernandes – Treinador Adjunto Sub 20 Goiás Esporte Clube.

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por Muriel Fernandes

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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