José Abrão
Goiânia – A deputada federal eleita com mais votos em Goiás, Silvye Alves (UB), tem como principal plataforma política o combate da violência contra a mulher. Em entrevista ao jornal A Redação durante a cerimônia de diplomação nesta segunda-feira (19/12), em Goiânia, a jornalista argumentou que armar as mulheres não é a solução. A fala se refere ao projeto de lei apelidado de "bolsa arma" aprovado neste mês pela Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) para que vítimas de violência doméstica possam comprar uma arma de fogo.
“Eu tenho muito medo desse tipo de situação. Primeiro que é necessário todo um equilíbrio psicológico e preparo para que uma pessoa, homem ou mulher, tenha uma arma. Não acho que é tendo essa arma que vai nos defender”, disse.
Segundo a parlamentar eleita, “o que pode nos proteger é uma lei rigorosa e que seja cumprida. Temos que acabar com os casos em que o agressor passa por audiência de custódia, paga fiança e é liberado”.
Silvye disse, ainda, que terá como prioridade no Congresso lutar por uma legislação mais severa para os crimes contra a mulher. “Uma das grandes causas que vou tratar é do crime de ameaça, que é muito sério, para mudar no nosso Código Penal. Um homem que ameaça uma mulher muito provavelmente vai chegar a matá-la em algum momento, se tiver a oportunidade. O que vai nos proteger é este homem preso, e não uma mulher com uma arma”, arrematou.
O projeto
De autoria do deputado estadual Major Araújo (PL), o projeto que ficou conhecido como "bolsa arma" foi apresentado originalmente em maio de 2020, mas só entrou em pauta este ano, sendo aprovado em primeira votação no dia 8 de dezembro e em segunda no dia 13. Agora, aguarda sanção do governador Ronaldo Caiado (UB).
O texto prevê uma bolsa em parcela única de R$ 2 mil para mulheres vítimas de violência doméstica. O recurso é destinado à aquisição de uma arma de fogo a partir do indiciamento do autor do crime. Os únicos requisitos são: ser maior de 21 anos, não ter antecedente criminal, comprovar saúde mental e residência no Estado há pelo menos três anos.
Silvye critica “bolsa arma” e dispara: “O que nos protegerá é lei rigorosa”
*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação