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Se eu quiser mudar, pode deixar que aviso

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30.03.2012 - 19:03:45


Uma aflição me pegou pesado na manhã desta sexta-feira: o Facebook começou a impor a mudança para aquele formato da Linha do Tempo para todos os usuários. Uma amiga que não solicitou a alteração, quando entrou na rede social, viu que o novo modelo havia sido imposto em sua página. E o que é pior: não existia a possibilidade de voltar ao tradicional. Ditadura, a gente vê por aqui.

Ainda não chegou minha hora, mas sei que vai chegar. E eu não quero que esse momento chegue. Estou acostumado com esse modelo de Facebook, não tenho o menor interesse naquela piada curta da Linha do Tempo mas, mesmo assim, vão obrigar a adesão ao novo formato. Tudo certo, seu Zuckerberg, mas quero deixar claro que não compactuo com isso.

Em outras redes sociais aconteceu o mesmo. No Orkut e no Twitter, quando os novos modelos foram apresentados, não aderi. Eu estava satisfeito com o tradicional. Até hoje, se tivesse opção, voltaria para o esquema antigo. Era mais funcional, era o jeito que eu estava acostumado a mexer nas coisas, era a forma como eu aprendi. Mas não me deixam alternativa. Esses déspotas virtuais acham que todos são obrigados a conviver com suas novas ideias. Facínoras. Se não existe amor na UFG, ops, em SP, não existe amor na internet. Welcome to the cruel world.

Eu juro que não me entendo. Eu sou tão moderninho, tão prafrentex em alguns pontos. Ao mesmo tempo, tão conservador em outros. Pensando bem, só o fato de eu usar a expressão prafrentex já deixa claro que meu compromisso é com o século passado. Quiçá retrasado, contemporâneo de Cora Coralina. O fato é que eu não gosto de mudanças. Para mim, o Lolo nunca virou Milkbar, o Kri nunca virou Crunch e a Lubrax ainda patrocina o Flamengo. Eu não pertenço a esse mundo. Definitivamente, não.

Aí vem a galera e me impõe essa nova fita. Qual o motivo? Não faço a mínima. Qual o lucro obtido? Não existe. Mas, se eu quiser permanecer na rede social, preciso engolir esse sapo que não é barbudo. Se eu não fosse profissional da comunicação, não sei se estaria presente nesse papo virtual. Mas o mundo não é e nem nunca será do jeito que eu quero, sorte sua, nobre leitor. Pois se eu tivesse a oportunidade, ainda estaríamos parados em algum momento entre as décadas de 70 e 80, período em que meu coração e minha memória afetiva vivem. Para sua felicidade, meu único poder é o de ficar por aqui blasfemando o presente e maldizendo o futuro.

A última possibilidade que tenho é perder a dignidade e implorar para que me deixem no modelo de página antigo do Facebook. Não sou muito apegado a essas questões menores, como dignidade, por exemplo. Por isso, vamos lá: de forma encarecida, senhores do Facebook, deixem minha página como está!

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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