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Se a pochete é brega, eu não me importo

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14.02.2012 - 11:16:09

 

Não entendo como determinadas coisas ganham a identificação com o brega e não conseguem mais se livrar desse estigma. As pessoas passam a repetir por que já ouviram e não refletem qual a real razão por acharem determinado produto brega. Definitivamente, não é algo racional. Um exemplo do que se tornou um consenso de breguice é a pochete. Não sei por que cargas d'água, todos abominam a pochete. Vou confessar uma coisa: eu uso pochete. Talvez fosse menos constrangedor assumir algum tipo de tara sexual exótica do que o gosto pela pochete. Esse é o novo mundo, seja bem-vindo.

 

Pochete é um item super prático. Quando estou com uma calça que tem bolso pequeno, a pochete entra em cena e cumpre sua função com louvor. Se a bermuda não tem bolso, sem problemas! Saco minha pochete e a vida segue. Onde carregarei chaves, carteira, pen drive, óculos, celular e todas tranqueiras que normalmente vão nos meus bolsos? Naquela útil bolsinha amarrada na cintura. E quando estou com preguiça de prender ela abaixo do umbigo, carrego no ombro, a tiracolo. Sem nenhum constrangimento, sigo minha vida com minha pochete. Feliz como só eu consigo ser.

 

É preciso dizer que os embates existem. Já tive namorada que fez cara feia e ameaçou terminar o relacionamento. Já tive amigas que perguntaram o porquê de usar uma pochete. Já virei chacota em uma rodinha de conhecidas. O problema é que a facilidade que a pochete proporciona é maior do que as pequenas pedras no caminho. Chegar na casa de alguém, tirar a pochete e, na hora de ir embora, pegá-la sem o receio de ter deixado algo para trás tem um preço inestimável. Não ficar preocupado se a chave ficou para um lado, a caneta para outro e o celular em outro é o que importa nessa hora.

 

E, cá entre nós, a pochete é muito mais prática e confortável do que as bolsas femininas. Bolsa é grande, bolsa pesa, bolsa pode ser de um espalhafato de ruborizar até mesmo a Lady Gaga. Não sei por que diabos as mulheres implicam com as discretas pochetes quando parecem nômades carregando tudo quanto é badulaque em suas bolsas. Falta coerência nessa cobrança aí, né?

 

Na adolescência, quando nossa insegurança bate na estratosfera, eu ainda me preocupava com a opinião alheira – em especial, a feminina. Me esforçava para ficar o mais próximo do convencional. Mas eu não tinha muito cacoete para isso. A excentricidade estilística me seduziu cedo. Com o passar do tempo, a coisa fica mais tranquila ainda. A idade chega e essas preocupações imberbes se transformam em simples memória. Não deixo de usar nada que me faça sentir melhor ou mais confortável por que vão achar brega. Louco é quem me diz que não é feliz, como os Mutantes me ensinaram muito bem.

 

E eu preciso comprar uma nova pois o zíper da minha está nas últimas. Você teria alguma dica de onde posso comprar uma pochete astral novinha?

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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