Divino Rufino
Goiânia – A Santa Casa de Misericórdia de Goiânia suspendeu nesta terça-feira (19/4) todos os atendimentos eletivos da unidade – consultas, exames e cirurgias. A paralisação vai durar 24 horas e objetiva chamar a atenção dos governos e parlamentares para a crise vivida pela instituição.
A assessoria de comunicação da Santa Casa afirma que o hospital recebe mensalmente dos governos Estadual e Federal R$ 4 milhões – metade do montante necessário para custear seu funcionamento. A instituição alega que tem recorrido a empréstimos bancários e, consequentemente, aumentado o seu endividamento, para tentar fechar as contas.
Pacientes que buscaram atendimento pela manhã, alguns vindos do interior do Estado, foram surpreendidos com a interrupção dos serviços. “Infelizmente, algumas pessoas que estiveram aqui hoje não foram avisadas da paralisação, mas elas serão atendidas”, se desculpou a superintendente-geral da unidade, Irani Ribeiro de Moura.
A “greve de um dia” ocorre simultaneamente em mais de 2 mil Santas Casas de todo o país. O movimento alerta que se os governos não aumentarem os repasses, as instituições filantrópicas podem fechar as portas e suspender a assistência em definitivo.
“É preciso rever a tabela do SUS e é preciso também mais investimento por parte dos governos, afinal o SUS é um sistema tripartite e o fechamento dos hospitais filantrópicos provocaria um caos na saúde pública”, afirma Irani Ribeiro de Moura.
Segundo ela, a Santa Casa de Goiânia é responsável por mais de 70% do atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital e recebe do SUS apenas R$ 10,00 por uma consulta médica.
Além da defasagem da tabela do SUS, a Santa Casa ainda enfrenta o reajuste dos valores dos medicamentos – teve remédio cujo preço saltou de R$ 1,90 para R$ 245,00 na pandemia – e atraso nos repasses dos pagamentos pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
O Governo Federal também tem feito repasses de forma atrasada ao hospital. Os valores são enviados aos municípios 60 dias após a prestação dos serviços, mas, em Goiânia, os repasses estão demorando mais de 100 dias.