A cantora Rita Lee, 64 anos, uma semana após anunciar sua aposentadoria dos palcos, fechou sua carreira como começou: polemizando.
Neste último domingo (29/01) Rita Lee foi tema dos internautas durante todo o dia. PMs da cidade onde aconteceu o show, segundo depoimentos de quem foi e os noticiários, agrediram um membro do fã-clube da cantora. A cantora parou o show, reivindicou, foi enfrentada, brigou, xingou. Resultado, terminou a noite do seu último show na delegacia, por desacato à autoridade. O acontecido dividiu opiniões entre os que defenderam e os que
criticaram duramente a cantora, até mesmo usando palavras de baixo calão.
Eu, particularmente, defendi. Não que seja certo ofender policiais, mas porque é preciso uma presença de espírito e coragem muito grande para usar da visibilidade que possui para se revoltar por uma injustiça. Faltou moderação na cantora, mas também faltou respeito por parte dos policiais. O interessante é que o fato acontece uma semana após um dos acontecimentos que mais colocam em xeque o que é “legal” versos o que é “justo”, o caso Pinheirinho. Estes dois assuntos nada têm em comum, além do fato do abuso de poder. Em ambos os casos, as palavra "lei", ‘ordem” e “legal” são aplicados. No entanto, em ambos os casos fica explícito que "nem sempre o que é legal, é justo".
Remanescente de uma época onde a revolução acontecia além da tela de um computador, Rita Lee me lembrou, em seu discurso impulsivo e tendencioso, do que eram feitas as pessoas da sua época: de fibra e coragem, e apesar da falta de limites quanto ao tratamento dos policiais, pude ver ali resquícios de uma geração que marcou.
A cantora, um dos símbolos de uma geração que revolucionou a história do país, encerra sua carreira deixando algumas lições através do seu último show:
– Se você perde o controle, perde também a razão.
– Você vai arcar com as conseqüências das suas atitudes, independente de seu credo, status, popularidade ou religião.
– Ainda existem os que, vendo uma injustiça, colocam em prática o lema da antiga canção de Geraldo Vandré e não se calam e fazem acontecer.