A Redação
Goiânia – Candidato ao governo de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) afirmou que, a partir de 2027, o Estado precisará formular estratégias para reter o parque industrial já instalado no Estado, além de atrair novas empresas. O alerta foi feito durante sabatina promovida pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), em Goiânia. O evento foi liderado pelo presidente da entidade, André Rocha, e contou com a presença de Paulo Afonso Ferreira, presidente de honra da Fieg e conselheiro da Confederação Nacional da Indústria (CNI); do ex-presidente Pedro Alves de Oliveira; além de representantes dos 35 sindicatos filiados e dos Conselhos Temáticos da federação.
Primeiro candidato a participar do ciclo de sabatinas com os concorrentes ao Palácio das Esmeraldas, Marconi concentrou sua fala nos impactos da reforma tributária e na urgência de preservar a competitividade da economia goiana. O modelo atual prevê a redução gradual dos incentivos fiscais até sua extinção em 2033.
Para reverter esse cenário, o tucano apostou no peso político da gestão estadual e na necessidade de uma luta ostensiva em Brasília (DF). “O próximo governador não pode ser um mero espectador. É preciso ter força, articulação e bancada para sentar à mesa e mudar os termos dessa reforma tributária antes que ela asfixie o nosso Estado. Eu tenho a experiência e a liderança para lutar por essa mudança”, enfatizou.
Marconi definiu a reforma como a “mãe de todas as batalhas” e alertou para o risco de migração de empresas para outros estados. “Quem é industrial aqui sabe que Goiás estará fadado ao fracasso se não tiver uma liderança capaz de recolocar a casa em ordem. Goiás cochilou e dormiu em berço esplêndido, enquanto o Amazonas nadou de braçada na reforma tributária”, disse o tucano ao citar a Zona Franca de Manaus como eventual destino de importantes indústrias farmacêuticas goianas – a região poderá continuar lançando mão dos incentivos fiscais.
O candidato frisou que os incentivos fiscais são instrumentos vitais de desenvolvimento. “Não tenho vergonha de defendê-los. Pelo contrário, tenho coragem, pois eles garantem a competitividade dos produtos goianos. Esta é uma questão que não deve ser tratada sob uma perspectiva ideológica, mas a partir dos efeitos reais sobre a economia estadual”, pontuou.
Ao rememorar suas gestões anteriores, Marconi atribuiu à política de incentivos, ao planejamento e à articulação com o setor produtivo a transformação econômica de Goiás. “Não fiz isso tudo sozinho. Dei o norte, liderei. E vocês fizeram o resto”, disse aos representantes do setor produtivo.
Tecnologia
Outro eixo do plano de governo apresentado foi a formação de mão de obra. Marconi propôs o programa “Geração TECH”, voltado à qualificação para as novas demandas do mercado, sem restringir a iniciativa apenas às áreas de tecnologia. O candidato também citou profissões tradicionais que, em sua avaliação, retornaram com forte demanda.
Ele ainda defendeu uma aproximação maior entre o governo e o Sistema S, articulando as vagas de capacitação das entidades às vocações econômicas de cada região goiana.
Na área de inovação, o tucano prometeu ampliar investimentos em tecnologia e pesquisa com a Universidade Estadual de Goiás (UEG) e outras instituições. Reafirmou o compromisso de destinar 2% do Orçamento Estadual à UEG — o que representa cerca de R$ 1,2 bilhão anuais para pesquisa, inovação e fomento acadêmico.
Infraestrutura
A infraestrutura logística foi apontada como pilar para assegurar a competitividade. Marconi prometeu executar pelo menos 300 quilômetros de novas duplicações rodoviárias. “Eu fiz 400 quilômetros ao longo dos meus últimos mandatos”, comparou.
Para agilizar a vida do empresário, detalhou a criação de um “Vapt Vupt do Meio Ambiente”, focado em acelerar licenciamentos e outorgas. “Quero formar uma estrutura com profissionais técnicos, bem remunerados e com foco em eficiência. Que entendam a importância da preservação ambiental, mas que também atuem com rigor na desburocratização”, declarou.
O candidato encerrou a sabatina com acenos ao agronegócio, ressaltando a necessidade de o próximo governador liderar, junto à União, a securitização das dívidas do setor. “Nós vamos ter que trabalhar juntos. E, se eleito, irei procurá-los para formarmos uma aliança forte em defesa de Goiás”, concluiu.
