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Reajuste de passagem é equívoco do começo ao fim

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21.05.2013 - 20:17:41
Depois de muito papinho interno e protestos se avolumando nas ruas de Goiânia, saiu a decisão do reajuste da passagem do transporte coletivo para R$ 3. A Prefeitura correu ao perceber que o desgaste só crescia e lançou a ideia da desoneração para setores mais carentes da sociedade goianiense. Não sabemos quais serão os critérios que definirão quem tem direito, quando será implantado, métodos de fiscalização… Não deu tempo sequer de pensarem a respeito. A decisão foi tirada da cartola aos 44 do segundo tempo, na tentativa de fazer pelo menos um gol de honra quando a gestão do transporte coletivo já tomava uma goleada de críticas da opinião pública. A prudência recomenda que aguardemos para avaliar essa proposta mais adiante.
 
O fato cabal é que o reajuste foi um completo equívoco. Não há argumentação razoável que sustente a decisão. Ela é simplesmente indefensável. Por onde quer que olhemos, só vemos motivos para mudar tudo no transporte coletivo de Goiânia. O aumento não se justifica pela qualidade do sistema. Gostaria de ver uma pesquisa séria feita sobre o índice de satisfação dos usuários para ter uma ideia mais real do que a galera pensa.
 
Dependi do transporte coletivo do início do meu ensino médio até dois anos depois de formado em Jornalismo. Como todo brasileiro, assim que passei a receber um pouco melhor, me meti em um financiamento a perder de vista para dar meu grito de 7 de setembro em relação aos ônibus de Goiânia. Não me orgulho disso. Não gosto de dirigir, não tenho a típica paixão masculina por veículos. Nunca li uma Quatro Rodas. Se tenho um carro, a única razão é o serviço porco historicamente oferecido em nossa cidade. Quando paro com meu carro rente a um ônibus lotado, nem tenho coragem de olhar para o lado. Fico com vergonha de estar sozinho dentro daquele tanto de lata e uma multidão espremida sem a menor dignidade me observando. É deprimente.
 
Com esse aumento das passagens, mais gente vai fazer a conta e ver que compensa financiar o que quer que seja para largar o horror do transporte coletivo. Que seja um carro, que seja uma moto. Isso significará uma piora em nossa qualidade do ar, mais congestionamento nas vias, decadência geral de nossa vida na cidade. Além disso, mais acidentes, mais gente estendida nos chãos, mais famílias chorando pelas vidas precocemente perdidas. Seria idiota se não fosse trágico.
 
Os estudantes estão certos em ganhar as ruas questionando os reajustes. Um excesso aqui, outro acolá não tiram a razão do movimento. A causa é legítima. A real é que tem gente ganhando muito dinheiro há muito tempo com o sofrimento da maioria de nossa população. Está faltando peito para encarar quem sempre lucrou. Até hoje não vimos isso. Será que veremos algum dia?
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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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