Yuri Lopes
Goiânia – Ainda não se sabe quais músicas o cantor Lobão vai entoar no show deste sábado (1/9), no Centro Cultural Oscar Niemeyer, às 22h30, em comemoração aos oito anos do Bolshoi Pub. Mas uma coisa é certeza: Lobão continua cheio de opinião sobre tudo. Quase tudo, na verdade. Em entrevista concedida ao jornal A Redação, o também escritor best seller (a autobiografia 50 anos a mil já vendeu mais de 100 mil exemplares) disse não conhecer o trabalho de Tulipa Ruiz, Marcelo Jeneci nem de Emicida.
Afiado, direto e “honesto nas próprias apreciações”, Lobão falou sobre as lembranças que tem de Goiânia, os trabalhos na TV (trabalhou na MTV até 2010 e na Band até o início deste ano), Heitor Villa Lobos, música sertaneja, os muitos projetos musicais, a adoração por música clássica e o ódio por divas pop. Confira a entrevista completa.
A Redação – Como você montou o repertório do show de aniversário do Bolshoi Pub?
Lobão – Eu não costumo montar repertório. Só fecho o set list durante a passagem de som.
Você já esteve em Goiânia, no Goiânia Noise em 2007, por exemplo. Quais lembranças você tem da cidade?
Olha, eu visito Goiânia desde 83. Acho uma cidade muito bacana, muito simpática. Tinha um puteiro excelente, muito bem montado, chamado Bavaria, que eu adorava frequentar para dar uma palinha na bateria. Os equipamentos eram todos de primeira. Dizem que, de tão bom, vinham deputados e senadores de Brasília para desfrutar de suas instalações excelentes e suas formosas meninas. Não sei se ainda está em funcionamento, mas, realmente, o padrão era de nível internacional.
Ultimamente você esteve mais em evidência por seus programas na televisão e pelo seu livro do que por sua música. Foi uma escolha sua priorizar outras coisas ou foi acontecendo?
Estou fora do ar desde o início do ano. Só fazia TV quando havia algum tempo vago. Se tiver mais em evidência com essse currículo, estou musicalmente arruinado (risos).
Por que você acha que muita gente te considera polêmico?
Esse tipo de pessoa provavelmente não tem capacidade para ententer o que estou dizendo e acaba se ofendendo. Aliás, a ofensa é o expediente do imbecil. Quem me acha polêmico, com toda a certeza, deve ter algum déficit de cognitividade.
Mas você se acha polêmico?
Não. Eu sou honesto nas minhas apreciações. É mais simples.
Veja um trecho do programa Lobotomia, que Lobão apresentou na MTV.
Você percebe que existe muita hipocrisia no meio artístico? Já presenciou ou foi vítima de algum episódio?
Nunca reparei nisso. Sou uma pessoa que não se envolve muito com esse meio. Não sei, nem tenho o menor interesse em saber o que se passa nessa área.
A assessoria da MTV divulgou em 2010 nota dizendo que você escolheu sair da emissora. Foi isso mesmo? Por qual motivo?
Olha, isso aconteceu faz tempo. Já estou num universo tão distante disso… Desde então, já escrevi um livro que virou best seller e vai virar um filme, iniciei uma turnê pelo Brasil que resultou na gravação de um DVD ,que vai sair em outubro, estou escrevendo outro livro, outro álbum de inéditas.
Que tipo de programa na televisão você sente falta na programação aberta?
Eu não assisto TV aberta e não tenho o menor interesse em sua programação.
Agora que você dedica mais tempo para a carreira musical, quais são seus próximos projetos?
Eu nunca deixei de dar prioridade máxima a minha carreira. Música sempre foi e sempre será a minha principal atividade. Escrever livros, sim, é uma atividade que não largarei mais. TV eu só fazia nas minhas horas vagas e nunca dei muita importância ao fato. Como falei anteriormente, estou lançando agora, no dia 5 de outubro um DVD/CD chamado LINDO, SEXY & BRUTAL, gravado em São Paulo e masterizado em Abbey Road. Estou compondo um novo repertório para o próximo disco, que sai no ano que vem, e escrevendo o próximo livro que se chamará O Manifesto do Nada na Terra do Nunca. O livro está previsto para ser lançado em março de 2013. Também trabalho no filme baseado na minha autobiografia 50 anos a Mil, que entrará em fase de produção no início do ano que vem. O álbum A Vida é Doce sairá remasterizado, em vinil, em edição de luxo ainda para este Natal.

Capa do livro best seller lançado no fim de 2010 (Foto: divulgação)
Que artista brasileiro você acha que é o mais completo?
Olha, eu nunca pensei nessas coisas. Completo em que sentido? Uma besta completa? Um artista versátil? Se for para escolher alguém, eu fico com o Villa Lobos, que me emociona muito.
Você gosta da música feita por Tulipa Ruiz, Marcelo Jeneci e Emicida?
Não tenho conhecimento suficiente para opinar sobre estes artistas.
O que você acha da música sertaneja? Tem algum artista sertanejo que você gosta?
Não tenho a menor intimidade com o gênero atual. De artista sertanejo, gosto muito da Helena Meirelles, do Almir Satter, Sérgio Reis e Renato Teixeira.
Existe algum estilo musical nada ligado ao rock e que você gosta de escutar?
Eu costumo ouvir música clássica. De renascentista ouço muito as peças de John Dolland, Lope de Vega, Henry Purcel. Tenho ouvido muito os Réquiens de Mozart e de Brahms. Também adoro Stravinviski (Petruska), Bach (As Toccatas ,Cello Suites), Handel (Water Music) e Beethoven (além das sinfonias, os Late Quartets), Wagner (Os Anéis de Nibelung, Tristão e Isolda). Também ouço sempre Richard Strauss (Death and Tarnsfiguration), Maller (Sinfonia Numero 1), Vaughan Williams (The Lark Ascending) e Debussy (Nocturne). De brasileiro ouço muito Rademés Gnattali, (Acalanto para orquestra de câmara), Guerra Peixe (Suítes Nordestinas), Francisco Mignone (Sinfonia Tropical) e Villa Lobos (os 6 Prelúdios para violão, a Tocatta, os Choros e os 12 Estudos para Violão)
E de música pop, tem alguma coisa que você acha minimamente “escutável”?
Olha, eu definitivamente não consigo nem me imaginar ouvindo…divas.