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Que baita sexagenário seria Joe Strummer

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21.08.2012 - 11:29:00

Se esse mundo fosse um lugar mais legal, Joe Strummer estaria completando hoje 60 anos. Infelizmente ele nos deixou há quase dez anos, em dezembro de 2002. Definitivamente, o cara faz muita falta. Seu apurado senso crítico aliado à sua ímpar percepção musical cairiam bem nessa pasmaceira que vivemos hoje. É, não são só os bons que morrem jovens. Os ousados também.

Para você que não está ligado, Strummer era líder, guitarrista e vocalista do Clash – uma das bandas mais importantes da história do rock, joga no Google aí para você ver. Além do cara que estamos falando nesse texto, Mick Jones (guitarra), Paul Simonon (baixo) e Topper Headon (bateria) completavam o grupo. Quatro personalidades difíceis de conviver sob o mesmo projeto: talentos gigantes, egos monstruosos, ambições revolucionárias, adictos… Era muita pólvora para uma bomba só.

Após mudar de forma indelével a história do rock com álbuns clássicos e músicas inesquecíveis, a banda fechou as portas em 1986. Nunca mais voltou à ativa. Propostas milionárias não faltaram. Corre na boca miúda que Strummer só não aceitou o retorno do Clash por que toda vez que ele se sentia tentado, o Sex Pistols vinham na frente e anunciavam uma turnê de reunião. E ele não queria novamente ser comparado aos Pistols como foi por toda carreira. Nada o amedrontava mais do que ser considerado um Johnny Rotten da segunda divisão.

Esteticamente falando, o Clash sempre foi bem mais ousado que os Pistols. Enquanto a turma de Rotten era adepta do niilismo comportamental, som alto e rápido, o Clash tentava uma postura política mais madura e se embebia em ritmos diversos como funk, reggae, dub, disco, jazz, rockabilly… Para um ouvido médio, o Clash é bem mais palatável que os Pistols. Para um ouvido exigente, isso fica ainda mais claro. Mas os Pistols foram mais impactantes pelo pioneirismo no comportamento grosseiro e provocações mil. Cada um leva para sua tumba o seu próprio legado.

Strummer continuou sendo ousado e produzindo bons sons mesmo depois do ocaso de sua principal banda. É possível tirar coisas muito interessantes em tudo que ele se envolveu depois. Tem uns shows aí na internet de sua carreira solo que são primorosos. Mesclando músicas de sua lendária banda com seu trabalho autoral, Strummer fazia um show de deixar boquiaberto. A energia que emanava do palco era impactante. Impossível não pensar como seria a porrada quando o Clash estava em seu auge.

E para homenagear os 60 anos dessa grande figura que foi Strummer, colocarei hoje para rodar meu vinil London Calling. Separarei uma bebida e deixarei meus ouvidos bem atentos. Esse é o tipo de disco que surpreende a cada nova audição. Ando precisando de generosas doses de inteligência, talento e rebeldia. Você nem imagina o quanto de bobagem tenho lido nesses últimos dias…

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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