Durante muitos anos, eu também acreditei que emagrecer dependia apenas de disciplina. Se eu fracassava em uma dieta, imaginava que o problema estava na minha falta de determinação. Hoje sei que essa é uma das maiores armadilhas que alimentam o ciclo de culpa, frustração e efeito sanfona vivido por milhares de mulheres.
Essa compreensão não veio apenas da minha formação como psicóloga, mas da minha própria história. Depois de receber o diagnóstico de depressão e atravessar a perimenopausa, percebi que precisava fazer comigo aquilo que, há mais de duas décadas, ensinava aos meus pacientes: aplicar, de forma consistente, os conhecimentos da Psicologia para promover mudanças reais de comportamento.
Foi nesse processo que perdi 10 quilos, passei a praticar atividade física regularmente e construí uma relação muito mais equilibrada com a alimentação. Mais importante do que o número na balança, porém, foi recuperar minha autoestima, minha disposição e a confiança de que mudanças duradouras são possíveis.
Antes disso, vivi exatamente o que tantas mulheres conhecem bem. Ganhei peso durante a gravidez, emagreci, voltei a engordar, experimentei dietas restritivas, recorri a medicamentos e busquei soluções rápidas. Também dormia poucas horas por noite e negligenciava o autocuidado. Os resultados até apareciam por algum tempo, mas nunca permaneciam. O problema não era falta de informação sobre alimentação. Era a ausência de estratégias capazes de modificar hábitos profundamente enraizados.
Foi então que passei a reunir, de forma prática, conhecimentos da Análise do Comportamento, da Neurociência e da Terapia Cognitivo-Comportamental. Essas áreas nos mostram que nossas escolhas não acontecem por acaso. Elas são influenciadas por emoções, pensamentos, ambiente, rotina e pelos mecanismos cerebrais que buscam recompensas imediatas.
Quando compreendemos esses processos, deixamos de tratar o emagrecimento como uma batalha diária contra nós mesmos. Em vez de depender exclusivamente da motivação — que naturalmente oscila —, aprendemos a criar condições para que os comportamentos saudáveis se tornem mais fáceis de repetir.
Isso também significa olhar com mais atenção para o chamado comer emocional. Muitas vezes, a comida deixa de cumprir apenas sua função nutricional e passa a aliviar ansiedade, tristeza, estresse ou cansaço. Nesses momentos, a solução não está em aumentar a restrição alimentar, mas em desenvolver novas formas de lidar com essas emoções.
Outro aprendizado importante foi abandonar a ideia de perfeição. Um deslize não anula uma trajetória inteira. Comer um doce ou faltar a um treino não significa fracasso. O que realmente faz diferença é a capacidade de retomar o caminho sem transformar um episódio isolado em motivo para desistir.
Vivemos em uma sociedade que oferece soluções imediatistas para praticamente tudo, inclusive para o emagrecimento. Mas mudanças consistentes dificilmente acontecem da noite para o dia. Elas exigem tempo, autoconhecimento e estratégias baseadas em evidências científicas, não em promessas milagrosas.
Acredito que emagrecer de forma saudável é, acima de tudo, um processo de transformação da relação que construímos com nosso corpo, nossos pensamentos, nossas emoções e nossos hábitos. Quando entendemos que não precisamos lutar contra nós mesmos, mas aprender a trabalhar a favor da nossa própria mente, o emagrecimento deixa de ser um sofrimento permanente e passa a ser consequência de uma vida mais equilibrada, consciente e sustentável.
*Leana Bernardes é psicóloga
