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Quando a internet pifa no trabalho

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20.03.2012 - 18:54:19


Gritos gerais, blasfêmias vindas dos quatro cantos do escritório, fila para pegar um cafezinho, ofensas impublicáveis aos caras da informática: com esse cenário de caos e desordem quase Walking Dead, você pode ter certeza que a internet no escritório está pifada. Aí, meu amigo, nem Deus seria capaz de conter a fúria generalizada que emana de cada poro de quem ali trabalha. Nem um incêndio no prédio do escritório seria suficiente de causar tamanha comoção popular.

É impressionante como nenhum local de trabalho funciona nem que amadoristicamente sem uma poderosa conexão de internet. De banca de revistas a escritório de engenharia, de consultório médico a lanchonete da esquina, de igreja do interior a oficina mecânica – a onipresença da internet é assustadora. Para essa nova geração, é simplesmente inconcebível um mundo sem a rede facilmente acessível. É mais ou menos como a incredulidade da minha geração perante a suposta existência de vida inteligente no planeta Terra sem energia elétrica. Não conseguimos sequer imaginar.

Parece que perde o sentido estar presente no local de trabalho se a internet não estiver de vento em popa. A sensação de vazio é sufocante. “Se é para ficar sem fazer nada, melhor ir para casa” é o pensamento que vem à cabeça. E os ponteiros do relógio insistem em não ser solidários com a situação. Pelo contrário, agem como sádicos. Parece que a cada volta dada, eles recuam a metade. O tédio mostra suas perversas garras e não há nada que você possa fazer para impedir que elas se entranhem em sua mente. O tempo não passa.

Pior ainda é quando a internet não morre de vez, mas vai ficando debilitada. Cada página demora uma década para ser carregada, aquele e-mail urgente que tem um contrato anexado não é enviado nunca e você não sabe se ele realmente chegou ao destinatário ou não. Aí a situação fica mais irritante ainda. Quando cai geral, menos mal que não cria expectativa. Na hora, mobilizamos o setor de informática que vai fazer seu trabalho. Mas quando ela fica com a conexão absurdamente lenta, não há cardíaco que suporte sem um desfibrilador ao lado. É de matar.

Não deveríamos ser tão dependentes da internet, mas essa coisa ficou grande demais. Na minha área, por exemplo: passe uma pauta para qualquer repórter e o primeiro local onde ele vai buscar a informação é no Google. O telefone é o último recurso. Pegar um carro e checar o fato in loco é impensável. Longe de mim algum purismo ou nostalgia, acho a internet uma coisa realmente sensacional. Só que me dá medo um mundo tão dependente da rede. Internet é tipo droga – se for usar, que seja com moderação. E o mundo não está nada moderado no uso de internet.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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