São Paulo – Prostitutas que participaram da campanha de prevenção à aids vetada e depois modificada pelo Ministério da Saúde decidiram revogar a autorização do uso da imagem. Nesta quarta-feira (12/6), uma notificação extrajudicial deverá ser encaminhada para a pasta exigindo a suspensão de todas as peças da campanha.
"Também vamos formalizar o fim da nossa parceria com o Ministério", contou a presidente da Rede Brasileira de Prostitutas, Gabriela Leite. As participantes alegam radical mudança da campanha original, feita a partir de uma oficina de prevenção.
Semana passada, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, determinou a suspensão da campanha. A justificativa era a de que as peças não haviam sido formalmente aprovadas. Dois dias depois, a campanha, com menor número de peças e com modificações, foi relançada.
Justificativa
Em nota, a Rede observa que o governo retirou do ar peças que tratam de felicidade (com dizeres "Sou feliz sendo prostituta"), de cidadania (com slogan "O sonho maior é que a sociedade nos veja como cidadãs") e da luta contra a violência ("Não aceitar as pessoas da forma que elas são é uma violência"), deixando apenas as que associam prevenção com camisinha.
"A valorização da autoestima é essencial. Não concordamos com a nova abordagem do governo", disse Gabriela. A presidente da Rede afirmou que a organização não participará de nenhuma outra iniciativa com Ministério da Saúde.
"Os recentes episódios são um claro sinal de desrespeito", observou. A Rede já cancelou a participação numa oficina de trabalho, organizada pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais programada para o início do mês.
"Nossa parceria com o governo é histórica. Desde 1989 preparamos em conjunto trabalhos de prevenção, mas com a filosofia atual do governo, não há a menor condição", completou. Procurado, o Ministério da Saúde não se manifestou. (Agência Estado)