Eu não sei exatamente o que algumas mães têm na cabeça ao incentivarem o consumo desenfreado e a vaidade excessiva nas filhas. Gostar de fazer uma comprinha, cuidar de si, do visual e da saúde é uma coisa. Viver escravo de marcas e da própria beleza já é papo pro analista.
A responsabilidade é das mães porque sem o aval delas duvido que uma menina tivesse no seu closet umas dez bolsas Chanel, Gucci, Miu Miu, Prada e Hermès como se cada uma delas não custasse mais do que um picolé. E que saíssem em plena luz do sol mais maquiadas do que uma Drag Queen em dia de parada gay.
Vejo por ai um monte de projeto de perua andando com seus saltos enormes e grifados às 16h da tarde, já maquiadas e penteadas como se estivessem indo para uma festa do Oscar com direito a tapete vermelho. São meninas de 15, 16 ou 17 que até para irem a um prosaico churrasco da turma passam antes no salão para dar um tapa no visual.
Rasteirinha, cara limpa e roupinhas casuais não fazem parte do cotidiano de uma parcela abastada e deslumbrada de adolescentes cujo limite do cartão de crédito é inexistente, assim como a capacidade de lidar com a frustração.
São jovens que têm tudo e querem sempre mais. Querem a nova it bag, férias no hotel mais exclusivo do Caribe, carro com motorista. Acham que sempre merecem mais e que são mais importantes do que os outros. Que medem uma pessoa pelo carro que tem, o sapato que usa, a quantidade de grife pendurada nos cabides.
Deixando claro que são meninas que não sabem o que é um contracheque e nem sequer entraram na universidade. Muitas não têm nem idade para votar ou dirigir.
O problema desses projetos de perua é que elas acham que fazem a diferença porque ostentam roupas grifadas e freqüentam restaurantes caros aos 15 anos, enquanto as mães aplaudem suas filhas adolescentes terem comportamento de mulheres adultas (e fúteis).
É como diz a música de Nando Reis: o mundo está ao contrário e ninguém reparou.