Há detalhes na vida institucional que passam despercebidos, mas que dizem muito sobre os valores de uma gestão. Um deles está acontecendo agora na OAB Goiás: durante a licença de Rafael Lara em julho, a presidência está sendo dividida entre três diretores. A secretária adjunta presidiu de 30 de junho até ontem. Assumo hoje, 13 de julho, até o dia 21. O diretor tesoureiro encerra o mês.
O vice-presidente está licenciado para as Eleições Gerais de 2026, o que, na ordem regimental, colocaria a presidência sob minha responsabilidade como secretária geral durante toda a ausência do presidente. Não foi uma questão menor. Foi uma prerrogativa que o regimento me conferia. Rafael Lara propôs dividir esse tempo entre os três diretores. Eu aceitei. E aqui explico.
Em noventa anos de história da OAB Goiás, nenhuma mulher foi eleita presidente. Isso não é acaso. É padrão. E padrões só se quebram quando alguém escolhe não os reproduzir, mesmo quando pode.
Já presidi a OAB Goiás antes, sempre em março, mês em que a presença das mulheres na advocacia ganha mais visibilidade. Julho é diferente: não carrega esse simbolismo previamente construído. E foi justamente por isso que fiz questão de oportunizar a uma mulher, nossa secretária adjunta Drª Thaís Sena, sua primeira experiência à frente da presidência. Porque representatividade não pode depender do calendário. Ela precisa acontecer também nos meses em que ninguém está olhando.
A Secretaria Geral segue sob minha responsabilidade, e é exatamente por isso que pretendo usar estes dias à frente da presidência para ir além: intensificar relações institucionais e sobretudo dar ainda mais força à advocacia do interior de Goiás, de onde venho e a quem represento com orgulho e prioridade.
Isso é tática? Sim. Mas tática a serviço de uma convicção: representatividade real não se constrói com concessões retóricas. Constrói-se com estratégia. Se para ser é preciso estar, aqui estamos!
* Talita Hayasaki é diretora da OAB-GO
