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Prefeitura é a elite da arrogância

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18.09.2014 - 14:33:30

O goianiense, que paga impostos e acompanha o noticiário, deve estar se perguntando como é possível ter uma gestão tão descasada da realidade quanto a do prefeito Paulo Garcia. Não bastassem as crises da coleta de lixo, os buracos por toda a cidade, deficiências na iluminação pública, falta de profissionais nos postos de saúde, a venda de áreas públicas e outros transtornos, a prefeitura ainda quer que a sociedade engula um aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) sem a devida discussão.

No final de agosto, a imprensa publicou uma pesquisa Serpes mostrando que a reprovação popular à administração do prefeito chegou a um índice impressionante – nada menos que 55,1% de ruim e péssimo. Caso a majoração do IPTU passe pela Câmara Municipal da forma como planeja o Paço, é provável que o prefeito e sua equipe tenham de passar o restante do mandato escondidos da população. O cidadão não aguenta mais pagar tantos tributos, ainda mais quando percebe que a prefeitura não lhe devolve serviços e investimentos de qualidade.

Além da carga tributária exorbitante, que pesa sobre o orçamento de cada família e também desacelera a atividade econômica, há um outro problema na iniciativa da prefeitura: a arrogância com que tem conduzido a discussão do projeto. Na semana passada, o secretário de Finanças chegou a dar uma declaração cínica, para dizer o mínimo. Segundo Jeovalter Correia, a reclamação contra o aumento do imposto predial é “a revolta das elites”, como também registrou a imprensa no último final de semana.

Não é possível afirmar em que mundo vive esse secretário. Seria bom que ele saísse de seu gabinete e andasse pelas ruas de Goiânia. Que visitasse bairros, escolas, igrejas, feiras e o comércio para perguntar o que a população mais humilde pensa sobre a proposta de elevar o valor que lhe é cobrado de IPTU. Mas é importante que o titular das Finanças municipais faça esse périplo agora, enquanto pode, pois nas próximas vezes é possível que sua passagem suscite vaias entre aqueles que o reconhecerem.

A estratégia de apresentar a proposta de progressividade do imposto, sem enviar a atualização da planta de valores, tem o mero objetivo de ludibriar a população e forçar sua aprovação, de forma açodada, na Câmara. É exigir um cheque em branco dos vereadores, pois serão forçados a votar uma mudança na tributação sem saber o real impacto que trará ao contribuinte, já que a prefeitura se nega a enviar a nova planta de valores, sob a alegação de que ela ainda não está pronta.

Com tantas crises na prestação de seus serviços e nenhum real indicativo de que vai melhorar sua gestão, a Prefeitura de Goiânia parece caminhar para o caos e ainda com rompantes de petulância. Fazer o jogo do mal contra o bem, uma clara desfaçatez, só demonstra a dificuldade de interlocução com a Câmara e com a própria sociedade. É preciso qualificar o debate sobre o IPTU, em vez de investir em uma encenação.

*Virmodes Cruvinel é procurador do Estado licenciado e vereador pelo PSD

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por Virmodes Cruvinel

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