Jales Naves
Especial para A Redação
Goiânia – O município de Goianira, que surgiu no início do século XX a partir do trabalho de evangelização realizado pelos padres redentoristas, quando foram feitos os primeiros registros de terras e construídas as primeiras moradias, que deram origem à vila de São Geraldo, já tem sua história. Um livro, com 330 páginas, elaborado em linguagem clara, objetiva e muito bem ilustrado, fartamente documentado, com ricos depoimentos de pioneiros e muitas histórias, de pessoas que participaram dessa movimentação, foi concluído pelo jornalista e escritor Jales Naves, que nasceu nesse distrito de Goiânia. A obra ainda não foi lançada oficialmente e o autor está definindo uma data com o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás.
A Prefeitura Municipal, tão logo soube da iniciativa, encomendou à Editora Kelps, que o produziu, 150 exemplares do livro “São Geraldo / Goianira – O surgimento do povoado e a trajetória de pioneiros. Documentos registram a construção do distrito e da cidade”, e já programa a sua distribuição às escolas, bibliotecas, centros de estudos, setores culturais da cidade, Clube do Livro José Naves etc.
Na segunda-feira, dia 17, Jales, acompanhado do vereador em Goiânia, Luiz Fernando Naves Sanches Siqueira, o “Sanches da Federal”, esteve com o prefeito Cleyton Bento, em seu gabinete, na Prefeitura de Goianira, para registrar a entrega dos livros. Participou da reunião a irmã do autor e mãe do vereador, Eliza Mônica Naves.
Resgate da história
O livro foi apresentado ao prefeito Cleyton Bento pelo autor, que disse de sua preocupação em resgatar a história, pois não encontrou muitos dados ao fazer uma pesquisa. Foi quando decidiu vasculhar onde fosse possível localizar documentos e nomes de pioneiros, para colher depoimentos, traçar trajetórias e escrever esse capítulo de sua cidade natal. A intenção era conhecer a participação da vila de São Geraldo na construção da nova capital, para mostrar a importância que teve nesse momento de fundamental significado para Goiás. As buscas foram intensas, em todos os locais indicados, e alguns documentos localizados.
“Não foi possível obter todos os dados, como a quantidade de madeira extraída da região da Boca da Mata, uma das principais fornecedoras para as obras da nova capital goiana, e o pessoal utilizado nessa extração”, disse. “Tampouco o quantitativo de paralelepípedos, para delimitar as ruas com meio-fio, e o respectivo pessoal empregado, como era transportado etc. Ainda, quanto à produção de comida para os empregados nas obras de construção da cidade, como era levada, qual o caminho trilhado e a quantidade não foram identificados, como também a mão de obra utilizada e os valores obtidos com essas ações”.
Emancipação
O distrito de São Geraldo, criado em 1935, como anotou o então secretário da Prefeitura de Campinas, Osório Carlos da Silva, em reportagem do jornal “O Popular”, teve duas outras denominações – Itaité, que durou pouco, e logo foi substituída para Itaim, que permaneceu por 11 meses, mas não agradou a população – e a partir de meados dos anos 1940 passou a se chamar vila de Goianira. O nome foi sugerido pelo vereador José Rodrigues Naves Júnior, significando “pequena Goiânia” e homenageou a filha de uma das primeiras professoras da cidade, que tinha esse nome. O primeiro subprefeito foi Elias José de Carvalho.
O trabalho de emancipação foi liderado pelo vereador Naves Júnior, que conseguiu com o deputado estadual Venerando de Freitas Borges a apresentação do projeto de criação do município, aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado e transformado na Lei 2.363, de 09.12.1958, sancionada pelo governador José Ludovico de Almeida. O primeiro prefeito, nomeado pelo decreto de 30.12.1958, foi Honório Antônio Gomes.
