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Precisamos sair da inércia

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02.07.2018 - 18:10:09

Vivemos um dos momentos mais emblemáticos da história brasileira. A máscara da política caiu e com ela as entranhas do poder estão sendo gradativamente expostas. O Brasil necessita de muitas mudanças. Várias reformas na máquina pública, na carga tributária, na política econômica, na previdência, enfim, mudanças que promovam condições para sobrevivermos e avançar num mundo globalizado de forma competitiva. E, dentre todas as reformas necessárias, a mais importante de todas é a educacional. 
 
De acordo com Albert Einstein, “nunca conseguiremos resultados diferentes se não mudarmos os processos”. Pois nosso modelo educacional ainda é focado na admissão de jovens no ensino superior, através da aprovação em exames como o vestibular e o Enem. Richard Feynman renomado físico americano, esteve no Brasil na década de 1950 a convite do governo, para avaliar estudantes que se tornariam professores nas áreas de ciências avançadas, como magnetismo e eletricidade. Ao final de sua estadia no Brasil, chegou à triste conclusão de que nosso modelo educacional era cem por cento falho. Prezamos mais pela memorização mecânica do que pelo desenvolvimento do raciocínio. Sua experiência no Brasil está documentada no livro “Deve ser brincadeira, Sr. Feynman!” (“Surely you’re joking, Mr. Feynman!”).
 
Me entristece saber que muito pouco mudou de lá para cá.  A prova do Enem veio faz menos de uma década com o objetivo de promover mudanças no ensino médio, com reflexos no ensino fundamental, em que os alunos teriam que “pensar“ para responder as questões. Sendo assim, eu pergunto: mudamos realmente os processos de formação de nossas crianças e jovens!? Se sim, por que então nossos resultados são pífios quando participamos de avaliações como o PISA – Programa Internacional de Avaliação de Alunos? Na última edição, o Brasil foi o 59° colocado em leitura, num ranking de 70 países; e nas categorias de matemática e ciências estamos entre os piores, figurando entre os dez últimos.
 
Até hoje, em mais 100 anos de existência do Prêmio Nobel, por que também nunca conseguimos nenhum resultado? Todos os anos, pessoas e/ou instituições que desenvolveram pesquisas de grande valor para o avanço e bem-estar da humanidade, em diversas áreas como Química, Física, Medicina, Literatura, Economia e Paz são escolhidas e premiadas. Nenhum brasileiro. Toda a educação deve ser construída fundamentada nos pilares emocional, moral, físico e acadêmico. Os três primeiros, poucas são as escolas que realmente se preocupam e criam programas para desenvolvê-los. Já no campo acadêmico, a maioria, vem replicando o mesmo modelo ano após ano. Não que seja uma visão pessimista, mas com todas as mudanças ocorridas ao longo dos anos e com os avanços tecnológicos que não podem ser negados, a educação tem que ser mais dinâmica e acompanhar todas estas transformações.  
 
Um país só se torna realmente avançado com bons índices de desenvolvimento humano quando se investe em educação. E é preciso de tempo para que ocorram as mudanças. Não estamos falando de quatro anos, que é o tempo de mandato de um gestor. Estamos falando de 20 a 30 anos, pelo menos, para começarmos a verdadeira transformação. Assim, planos de governo precisam ser feitos com a seriedade e a urgência que imperam, caso contrário estaremos condenados a marcar passo, parados no tempo vendo nossas riquezas se esvaírem pelas mãos daqueles que confiamos nosso maior tesouro, que é o futuro das novas gerações. 
 
Atualmente, quantas escolas no Brasil preparam seus alunos, além da fluência plena num segundo idioma, nas áreas de liderança, colaboração e competências globais, a ponto de receberem a deferência “Global Talent Student” em uma olimpíada internacional, disputada com jovens da China, Rússia, Japão, Coreia do Sul, México e outras 18 nações? Pode acreditar. No Brasil temos escolas capazes de formar tais talentos. Mas quando avaliamos o investimento feito por aluno, em relação ao mínimo internacional necessário para se transformar um país em desenvolvido, nos deparamos com uma dura realidade e precisamos multiplicar por seis o investimento feito em aprendiz no ensino de nosso Estado.
 
Muitos estão indo embora do Brasil. Não acredito que tenhamos que partir, mas sim, mudar nosso país, mudando a educação e formando pessoas valiosas e valorosas capazes de se somarem a muitos outros brasileiros que, exaustivamente, vêm trabalhando para dar à nação o lugar reconhecido e merecido na economia e no cenário mundial. 
 
Somos ricos nos minérios mais preciosos para a indústria tecnológica: o grafeno e o nióbio, e em outros tantos. Somos ricos em extensão territorial, com uma das maiores indústrias agropecuaristas do mundo e potencial para produzir, com facilidade, tanto a energia solar como a eólica. Não sofremos intempéries climáticas como terremotos, tornados e furacões. Sofremos, sim, da má gestão pública que condenou unidades na federação, como o estado do Rio de Janeiro, e vai fazer o mesmo com o resto do país se não acordarmos e sairmos dessa inércia. Só assim vamos fazer a diferença e fazer, de fato, as coisas acontecerem.
 

*Fernando Rassi Nader é médico pediatra e educador.

 
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por Fernando Rassi Nader

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