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Prateleiras digitais estão vazias

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20.06.2012 - 16:33:33


O adiamento do desembarque da Ibook Store e da Amazon, anunciado recentemente, jogou um balde de água fria nos entusiastas dos livros eletrônicos no Brasil. As duas maiores gigantes do mercado editorial digital haviam previsto lançar operações próprias no País ainda no primeiro semestre deste ano, mas entraves nas negociações com editoras brasileiras esfriaram os ânimos de ambas as partes. Dessa forma, o brasileiro ainda fica um pouco à margem desse mercado.  
 
E não é por falta de potencial de consumo. Mesmo com todas as dificuldades, o mercado de e-books já tem cerca de 9,5 milhões de consumidores no País, segundo a última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Ibope Inteligência. É um número expressivo, principalmente se for levada em conta que as opções de compras são limitadas.
 
Kindle, o mais popular leitor de livros digitais, tem versões que custam menos de 100 dólares na Amazon

Algumas grandes livrarias tentam navegar neste mercado, mas as iniciativas são tímidas. A Saraiva e a Cultura, duas das maiores do Brasil, têm espaço para os livros digitais, mas os aplicativos pecam pela baixa qualidade e a complicação de uso. No caso da Cultura, ainda há a restrição no preço do leitor, ou e-reader, que custa mais de 800 reais. Só a título de comparação, um Kindle, o mais popular leitor de livros digitais, tem versões que custam menos de 100 dólares na Amazon.


Mas, como geralmente acontece nesse campo da tecnologia, as pequenas empresas costumam ser mais ágeis que as grandes corporações. A Gato Sabido saiu na frente ainda na década passada. Pelas notícias disponíveis, o negócio vai bem, obrigado, mas não chega a fazer grande barulho ou influenciar nas vendas globais de livros. Problemas de compatibilidade de formato, complicações para uso e preço fizeram dos dispositivos de leitura made in Brazil, como o Cooler, da própria Gato Sabido, e o Alfa, da Positivo, estrondosos cases de insucesso.
 
Voltando à pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, percebe-se que o campo para crescimento é gigantesco. Mais de 82% dos entrevistados declararam simplesmente que não sabem se e-book é algo de comer ou de passar no cabelo. Leve-se em consideração, também, que a leitura não pode ser considerado um esporte nacional. Por último, é preciso colocar na conta a burocracia e as altas taxas de impostos. Sem desconsiderar, é claro, que as megacorporações, como a Apple e a Amazon, têm mais faro de predadoras de que de parceiras em relação às editoras já estabelecidas na terra de Cabral.
 
Pintado um rápido panorama, conclui-se o óbvio: os alegados 9,5 milhões de brasileiros que consomem e-books têm de se virar com a baixa oferta de títulos ou andam mesmo é lendo em línguas estrangeiras. Um cenário diferente do que é visto nos Estados Unidos, por exemplo, onde a venda de livros digitais subiu 117% em 2011, quando as de livros de papel despencaram 35%.
 
Ao contrário do que ocorre em outros países, as prateleiras digitais brasileiras ainda estão vazias. Mas tem muita gente disposta a preenchê-las. Falta editoras e distribuidoras chegarem a um consenso e colocar, definitivamente, o bloco nas ruas – ou nos tablets, e-readers, smartphones, computadores…
 
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por Rodrigo Hirose

*Jornalista com especialização em Comunicação e Multimídia

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