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(Foto: reprodução)

Porteiras trancadas e impedimentos de acesso respondem por cerca de 20% das vistorias na rede rural de Goiás que não podem ser concluídas

Equatorial Goiás orienta proprietários sobre a importância de garantir acesso das equipes para inspeções, manutenções preventivas e atendimentos emergenciais

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14.07.2026 - 17:15:38

A Redação 

Goiânia – As manutenções preventivas e os atendimentos emergenciais na rede elétrica da zona rural de Goiás enfrentam um entrave cada vez mais comum no interior do Estado e, agora, também com forte incidência em polos agroindustriais e áreas de chácaras: porteiras fechadas com cadeados e entradas negadas em propriedades rurais ou condomínios de veraneio. O acesso dificultado a esses locais, muitas vezes restrito pelos proprietários, prejudica diretamente o trabalho das equipes técnicas e aumenta significativamente o tempo que os clientes precisam esperar pelo restabelecimento da energia em casos de ocorrências emergenciais.

Os dados operacionais de ocorrências improdutivas são registrados quando as equipes vão a campo, mas não conseguem executar o serviço em função do impacto dos bloqueios físicos. No consolidado de 2025, da Equatorial Goiás, as porteiras trancadas representaram 13% desse total no Estado, enquanto os acessos impedidos somaram 7%. No primeiro trimestre de 2026, os dois indicadores mantiveram-se estáveis, sendo cada um deles responsável por 7% das ocorrências improdutivas em território goiano.

Como a rede elétrica é extensa principalmente no meio rural, cortando fazendas, matas e terrenos de difícil topografia, a cooperação dos proprietários é vital para que os reparos aconteçam com agilidade. No Sudoeste Goiano, a realidade preocupa pelo volume de interrupções. Conforme explica o executivo de Serviços de Redes da Equatorial Goiás em Rio Verde, Luiz Felipe Quintino, apenas na sua região foram registradas 411 ocorrências com impedimento ao longo de 2025, enquanto o primeiro trimestre de 2026 já acumula 118 casos semelhantes.

“Muitas vezes encontramos porteiras com cadeados, não há moradores para fazer a abertura ou o acesso é restrito em condomínios de chácaras. Enquanto aguardamos autorização ou alguém chegar para liberar a entrada, o atendimento atrasa, o que eleva o tempo de duração da ocorrência na linha de frente”, avalia Luiz Felipe.

Gargalo também em Anápolis e no Entorno do Distrito Federal

O cenário de retenção das equipes se repete de forma acentuada na região de Anápolis. Dados técnicos da distribuidora indicam que quase metade de todas as vistorias improdutivas na localidade, cerca de 49%, é motivada estritamente por porteiras trancadas. Ao somar esse índice com as situações de acessos negados, que representam aproximadamente 30%, constata-se que quase 80% dos deslocamentos perdidos pelos eletricistas na região ocorrem devido a barreiras físicas.

O gerente de Serviços Técnicos e Comerciais da Equatorial Goiás em Anápolis, Leandro Chaves, aponta que o prejuízo dessa indisponibilidade atinge inclusive quem não deu causa ao bloqueio. “O bloqueio gera um transtorno expressivo para outras unidades consumidoras afetadas na região, que muitas vezes dependem daquele mesmo trecho da rede elétrica e acabam ficando no escuro por causa de uma porteira trancada em uma propriedade vizinha”, frisa Leandro.

Já no Entorno do Distrito Federal, os obstáculos físicos são ainda mais determinantes para o insucesso das ações em campo, respondendo por cerca de 95% das vistorias não concluídas na regional, sendo aproximadamente 65% por porteiras trancadas e 30% por impedimentos de acesso. O gerente de Obras e Manutenção da Equatorial Goiás em Formosa, Diogo Silveira, detalha o impacto operacional em toda a escala de plantão.

“Quando os técnicos ficam retidos tentando acessar uma única propriedade ou localizar o dono, nós temos uma menor disponibilidade de equipes rurais no sistema. Esse tempo perdido impossibilita que esses mesmos profissionais se desloquem para realizar outros atendimentos em andamento”, esclarece Diogo.

Milhares de impedimentos de leitura nas regionais

Além do impacto nos serviços de manutenção, as barreiras físicas geram um reflexo direto no faturamento dos clientes. Apenas no ano de 2026, as restrições nas regionais Norte, Nordeste e Sul do Estado já resultaram em mais de 23 mil impedimentos de leitura de energia, forçando a emissão de faturas pela média histórica de consumo. A regional Norte lidera as estatísticas com mais de 10,1 mil casos, o que representa uma média de quase 1,7 mil ocorrências por mês e responde por um quarto de todo o volume que ficou sem leitura na região em junho. O gargalo é liderado por Pirenópolis, Alexânia, Porangatu, Anápolis e Goianésia.

O cenário repete-se nas demais regiões. A área Sul contabilizou mais de 6,5 mil impedimentos, mantendo média mensal superior a mil casos, com maior incidência em Catalão, Morrinhos e Goiatuba. Já o Nordeste acumulou quase 6,4 mil registros, com média de aproximadamente 1 mil ocorrências mensais, concentradas principalmente em Cristalina, Luziânia e Valparaíso de Goiás. Em ambas as regionais, os acessos fechados representaram 23% das falhas de leitura em junho, mantendo-se nos mesmos patamares de 2025.

Obrigatoriedade legal e canais de parceria

A companhia lembra que o livre acesso às instalações elétricas que cortam as fazendas e chácaras é uma determinação amparada por lei. A Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021 estabelece expressamente que a distribuidora deve ter livre trânsito até o ponto de entrega de energia para realizar inspeções, manutenções e atendimentos de emergência. Como medida prática para solucionar o impasse no período noturno ou em locais de ausência dos moradores, a distribuidora tem atuado na implantação de cadeados padrão em porteiras estrategicamente combinadas com os produtores, facilitando a entrada dos técnicos com total segurança.

Como alternativa para evitar o faturamento pela média quando a propriedade estiver fechada, o consumidor pode realizar a autoleitura. O processo é simples e consiste apenas em registrar os números que aparecem no visor do medidor e informá-los dentro do período correto do mês, garantindo que a cobrança reflita exatamente o consumo real da propriedade. Esse envio do dado pode ser feito pelo Aplicativo Equatorial Energia (Android e iOS), pela Agência Virtual no site www.equatorialenergia.com.br, ou diretamente nas agências presenciais distribuídas em todo o Estado. A distribuidora recomenda ainda o cadastro da fatura por e-mail para evitar o extravio da conta impressa.

Orientadas a buscar a conciliação, as equipes de campo apostam no diálogo direto e em parcerias estratégicas com sindicatos rurais e para conscientizar as comunidades. Quando não há êxito no encontro presencial com o agricultor, um comunicado impresso é deixado na divisa da instalação informando sobre a tentativa de visita, a necessidade de intervenção no sistema e solicitando a abertura de canais para o agendamento prévio do retorno.

Plano de investimentos e modernização

A urgência em garantir o livre trânsito das equipes ganha relevância com o avanço do cronograma de melhorias da companhia, que intensifica a troca de postes, a substituição de isoladores e para-raios, além da limpeza de faixas de servidão antes do período de tempestades. Ao longo de todo o ano de 2025, a Equatorial Goiás investiu aproximadamente R$2,6 bilhões em melhorias e na modernização da rede elétrica goiana, resultando na entrega de mais de 770 mil obras.

Em 2026, o ritmo de reconstrução do sistema segue acelerado, com mais de 90 mil intervenções já concluídas no Estado. A população pode acompanhar o andamento e o volume de entregas preventivas em tempo real no site do Trabalhômetro: trabalhometroequatorialgo.com.br

Sobre a Equatorial Goiás

A Equatorial Goiás é uma empresa que pertence ao Grupo Equatorial, uma holding brasileira do setor de utilities, sendo o 3º maior grupo de distribuição de energia do país, com 7 concessionárias que atendem mais de 56 milhões de pessoas. Somente em Goiás são cerca de 3,8 milhões de unidades consumidoras, localizadas em 237 municípios do Estado e abrangendo 98,7% do território estadual, com cobertura de uma área de 336.871 km².

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por Ludymila Siqueira

*Repórter

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