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Por um trânsito mais gentil

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20.10.2011 - 19:49:14

 
Cheguei a Goiânia há exatos três meses e foi uma satisfação encontrar uma cidade que confirmou minhas expectativas: bonita, arborizada, com um povo extremamente acolhedor.


No entanto, estou estarrecida, indignada, decepcionada com o trânsito em Goiânia. Não com o volume de veículos que circulam pelas ruas, mas sim com o comportamento dos motoristas.


Hoje, por exemplo, em apenas meia hora, acompanhei mais de seis infrações entre os Setores Marista e Oeste. Das 7h às 7h30. Listo algumas: três automóveis ultrapassaram o sinal vermelho na avenida República do Líbano; uma moto subiu a rua 6, no Setor Oeste, na contramão; outros dois veículos convergiram à esquerda fechando os automóveis que estavam aguardando, em fila, o sinal abrir; sem contar os automóveis estacionados sobre as calçadas, obrigando os pedestres a passar pela rua e lembrando que o proprietário do veículo desconhece os apelos da acessibilidade. O mais triste, no entanto, é que isto acontece todos os dias.


Somado às infrações, aos carros estacionados nas calçadas impedindo a passagem de pedestres e motoristas que não dão passagem para quem estava estacionado e deu sinal para sair (sim, alguns carros de Goiânia têm seta!!!), observo uma pressa que não é compatível com a famosa calma dos goianos.


Lamento que uma capital tão acolhedora seja conhecida por um trânsito tão caótico. Desrespeito total às faixas de pedestres. Falta de educação, de gentileza, de cidadania. Na porta das escolas, então, o caos se estabelece com pais apressados estacionando em fila dupla, impedindo a saída de outros carros estacionados em locais corretos, e mostrando aos filhos que o vale aqui é a “lei do mais esperto”. Um péssimo exemplo.


Fico envergonhada quando vejo a Ana Maria Braga, em seu programa, mostrar como se comportam os motoristas e os pedestres no Japão: uns respeitam os outros. Fico com vergonha ao pensar que pessoas tão bacanas mudem de comportamento atrás de um volante. Mas, o que mais me envergonha é a falta de cidadania, aquela cidadania tão praticada lá no distante Japão, mas que podia servir de exemplo para a gente.


Outro dia uma senhora, que também não concorda com a atitude das pessoas que egoisticamente acham que as ruas lhes pertencem, me contou que um motorista que estava certo recebeu como punição por reclamar da atitude do que estava errado uma arma na cabeça. Arma, sim! Um destes valentes que andam armados apontou seu revólver para o motorista que se queixava. Estamos falando da capital do nosso Estado. Nosso, sim, porque apesar de ter vindo de fora é aqui que ganho meu pão, é aqui que meus filhos estudam, é aqui que recolho meus impostos e é justamente aqui que sonhei viver uma ótima fase da minha vida.


O que, no entanto, acontece em Goiânia?
A cidade carece de campanhas de educação no trânsito. Necessita de uma maior organização das autoridades no sentido de punir quem não cumpre as leis de trânsito. Carece de uma maior fiscalização por parte da AMT. Acima de tudo, a cidade carece de bons exemplos, já que até mesmo veículos oficiais cometem infrações.


Vamos criar um novo conceito: de que mais do que carros bonitos circulando pelas ruas da nossa linda cidade, precisamos de motoristas educados! Precisamos de exemplos para que a próxima geração não perpetue o erros daqueles que hoje lhes servem de exemplo.
 
 
Renata Massafera
Jornalista, motorista e pedestre

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por Renata Massafera

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