Logo

Por que o dinheiro nunca é suficiente?

WhatsAppFacebookLinkedInX
19.09.2014 - 14:19:30

Decorridos sete anos da primeira publicação deste artigo, decidi reescrevê-lo considerando que pouca coisa mudou em relação aos cuidados com o dinheiro e a maioria das pessoas continua refém da comparação alheia, da ditadura da beleza e da compulsão desenfreada pelos brinquedos eletrônicos.
 
O fato é que milhares de profissionais acordam todos os dias e, contrários à sua vontade, seguem para o trabalho onde, na maioria dos casos, vão fazer o que não gostam, sorrir para quem não querem e ganhar menos do que poderiam embora isto seja necessário para honrar as contas que não param de chegar.
 
Outros milhares acordam cedo todos os dias e correm para a banca mais próxima a fim de comprar o jornal para procurar emprego e enfrentar a fila da última vaga disponível onde, na maioria dos casos, existe porque alguém chegou à conclusão de que era melhor tentar um novo emprego ou ainda porque alguém foi disponibilizado para o mercado.
 
No mundo competitivo em que vivemos, existe sempre alguém disponível para fazer o que você faz pela metade do seu salário, portanto, mudar de emprego não basta. Digo isso por experiência própria, mudei nove vezes, fui feliz em todos mas, não posso negar, passei a me sentir feliz de verdade quando comecei a atuar por conta própria e risco.
 
Reflita sobre seus ganhos. Sai dissídio, entra dissídio, sai chefe antigo, entra chefe novo e, mesmo assim, você continua ganhando pouco ou, como a maioria diz, menos do que merece. Vinte anos se foram na mesma empresa e você não foi reconhecido. Muitos vieram de fora e você não foi promovido. Você mudou de emprego e continua ganhando pouco.
 
Por que isto acontece? É bem simples, mas, antes, deixe-me compartilhar uma história que ocorreu comigo há quase vinte anos. Certa vez, tomei coragem para abordar o diretor da empresa onde eu trabalhava e fui direto ao ponto: – ó, grande chefe, meu salario está bem defasado, o dissídio foi pouco, estou devendo em três bancos diferentes, estourei o limite do cartão de crédito e não sei mais o que fazer, eu preciso de um aumento.
 
Hoje, pensando melhor, dá pra dizer que na época eu ganhava um bom salário, em torno de três mil e poucos reais, nada mal para quem saiu do interior e, de emprego em emprego, foi melhorando até chegar onde chegou.
 
Entretanto, para minha surpresa, ele foi mais direto do que eu: – ó, grande Jerônimo, eu gosto muito do seu trabalho, juro, mas vou te dizer uma coisa, esse negócio de aumento é besteira, vai por mim, eu, por exemplo, ganho quase trinta mil reais por mês e não me sobra nada, nada que eu fizer vai te ajudar.
Antes que eu pudesse pensar algo capaz de demover aquela frieza, plantando ali em frente a ele com cara de paisagem, ele disparou: – a única coisa que eu posso fazer para ajudá-lo é demitindo-o, assim você recebe a rescisão e a multa do FGTS, que tal?
 
Juro por tudo o que é mais sagrado, tive vontade de jogá-lo pela janela do quarto andar, respirei fundo, saí da sala com aquela cara de bunda e disse que ia pensar, porém aquilo me fez repensar a forma de ver o problema.
 
Fui para casa deprimido naquele dia, conversei com minha esposa e, de lá para cá, prometi a mim mesmo que nunca mais pediria aumento de salário, mas faria de tudo para construir a minha própria renda. Ele não deixava de ter razão, pois o importante não é quanto você ganha, mas como você gasta e administra a parte que lhe cabe.
 
O maior erro que se pode cometer é não saber viver com o salário que se recebe e, por conta das comparações desnecessárias e dos “brinquedinhos eletrônicos” que a mídia incute na sua mente e na mente dos seus filhos todos os dias, você acaba levando uma vida de empréstimos e mais empréstimos fazendo do limite de crédito bancário ou do cartão de crédito a extensão do seu salário.
 
Neste mundo bombardeado por quase três mil propagandas diárias, o salário nunca será justo e suficiente para as suas necessidades e você estará sempre querendo mais, pois as despesas tendem a crescer na mesma proporção da sua receita.
 
E o que é pior, 5% de dissídio ou 10% de meritório não vão resolver a sua vida, portanto, greve, pressão, cara feia, conversa séria com o chefe e até mesmo um novo emprego não vão amenizar a insatisfação se você não praticar duas virtudes essenciais para o sucesso na vida pessoal e profissional: DISCIPLINA e CONSCIÊNCIA FINANCEIRA.
 
Sem disciplina e consciência financeira, não importa se você ganha salário mínimo ou vinte mil reais por mês, você pode mudar de emprego quantas vezes quiser, fazer greves e mais greves a vida toda e será eternamente infeliz. É por essa razão que as greves são uma total perda de tempo. O problema não é o governo ou a ganância dos empresários, mas a indisciplina do ser humano.
 
Por essa mesma razão, existem pessoas felizes que ganham de um a três salários mínimos por mês e pessoas vazias e infelizes que ganham salários astronômicos que os primeiros nem imaginariam conseguir durante uma vida inteira de trabalho.
 
Para não ser injusto com o meu ex-chefe, dois meses depois ele me chamou na sala e me deu um aumento de 20% e mais um conselho que nunca esqueci: – isto ajuda, mas não vai resolver a sua vida se você não criar vergonha na cara para viver bem com aquilo que você ganha. Serei eternamente grato a ele por isso, hoje somos bons amigos.
 
A maneira mais fácil de conseguir aumento de salário é fazer algo diferente e produtivo, principalmente quando você constrói o próprio negócio e torna-se um empregador por excelência. Não reclame do patrão nem do salário, pois é deselegante e antiético. Legal mesmo é perseguir os sonhos e uma renda maior de outra forma, com cabeça, coração e criatividade, sendo você mesmo o dono do seu destino.
 
Gosto muito de um provérbio iídiche que diz o seguinte: com dinheiro no bolso você é bonito, inteligente e sabe até cantar. Pense nisso, seja disciplinado, crie vergonha, gaste menos do que ganha, construa a renda ideal, sofra menos e seja bem mais feliz!
 
*Jerônimo Mendes é administrador, professor do MBA Executivo em Liderança e Gestão Organizacional do Instituto de Pós-Graduação e Graduação (IPOG).
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Jerônimo Mendes

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
José Mário Schreiner
06.10.2026
Agro conectado, economia integrada

Durante muito tempo, era natural que os setores primário, secundário e terciário tivessem seus próprios espaços de discussão, negócios e exposição. Isso porque cada atividade tem suas particularidades, desafios e oportunidades. Mas a realidade mudou. As cadeias produtivas estão cada vez mais conectadas, e as fronteiras entre os setores, menos nítidas. É nesse contexto que […]

Sam Cyrous
06.10.2026
O que faz uma vida (e uma história) significativa?

Recentemente colegas e amigos têm pedido que explique o que o tal do StoryTelling — uma moda dos últimos anos no Brasil, e algo algo com o qual trabalho desde 2007. Pensei muito se escreveria sobre a minha formação com Peseschkian, o autor do clássico “O Mercador e O Papagaio”, a minha participação ativa com […]

Marcos Spadoni
05.10.2026
AVC em jovens: o risco também se constrói nos hábitos do dia a dia

Fast food em excesso, consumo frequente de bebidas alcoólicas, cigarro, sedentarismo, noites mal dormidas, estresse constante e ganho de peso. Hábitos que parecem fazer parte da rotina de muitos adultos jovens podem, ao longo do tempo, criar um terreno perigoso para a saúde vascular. Isso porque favorecem condições como hipertensão, diabetes, obesidade e alterações no […]

Ana Carla Abrão
03.10.2026
O país na segunda-feira

Ana Carla Abrão Há mais de dois mil anos, Aristóteles escreveu que nenhuma comunidade política se sustenta apenas sobre leis e instituições. Para que uma cidade exista de fato, dizia ele, é preciso haver entre seus cidadãos alguma forma de amizade. Não a amizade que nasce do afeto, da intimidade ou da afinidade. Mas aquilo […]

Lucas Almeida
01.10.2026
Antecipação do plantio de soja em Goiás: oportunidade de calendário exige disciplina de risco

A safra 2026/27 começa em Goiás com uma mudança relevante no planejamento operacional. Em caráter excepcional, a Instrução Normativa Agrodefesa nº 5/2026 antecipou a data permitida para presença de plântulas de soja emergidas no campo; a data final do calendário permanece em 2 de janeiro de 2027. São cinco dias que, isoladamente, parecem pouco, mas […]

Letícia de Araújo Morais
01.10.2026
Letramento em saúde ajuda idosos a proteger a respiração na variação do clima

Depois de semanas de ar seco, as primeiras chuvas trouxeram alívio a Goiânia. O descanso, porém, durou pouco: o tempo seco e as altas temperaturas voltaram, e agora a previsão é de nova queda nos termômetros. Essa alternância entre umidade e secura exige adaptação do organismo e costuma agravar quadros de doenças pulmonares crônicas, especialmente […]

André Rodrigues Silva
30.09.2026
Miopia infantil não tem cura, mas lentes prometem controle da doença

Um dado alarmante que tem passado despercebido por muitos pais: Até 2050, 40% das crianças no mundo podem desenvolver miopia por conta do uso excessivo de telas, celulares e tablets. O estudo é do periódico científico British Journal of Ophthalmology que examinou mais de cinco milhões de crianças e jovens espalhados por 50 nações, em […]

Jorge Gonçalves Filho
30.09.2026
A força do varejo brasileiro

Quando analisamos os setores que movem o Brasil, um desponta com sua força: o varejo brasileiro. Dos R$ 6,7 trilhões em valores correntes que formaram o PIB brasileiro no 1º semestre de 2026, temos 9,4% produzidos pelo varejo, ou seja, cerca de R$ 630 bilhões. O PIB do varejo brasileiro, por exemplo, é 44% maior […]