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Por que existem tão poucos cães-guia no Brasil?

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23.04.2018 - 15:47:50

Goiânia – No dia 25 de abril, é celebrado o Dia Internacional do Cão-Guia. A data representa uma oportunidade para refletirmos sobre a realidade desses animais no país. Segundo dados divulgados em 2015 pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, o Brasil possui aproximadamente 7 milhões de habitantes com algum tipo de deficiência visual. Desses, 1 milhão têm limitação intensa ou muito intensa e são impossibilitados de realizar atividades rotineiras.
 
Embora haja uma enorme necessidade, a Secretaria Especial de Direitos Humanos, do Ministério da Justiça, estima que existam menos de duzentos cães-guia em território nacional. A causa desse número reduzido é a ausência dessa cultura, motivada por alguns fatores como o baixo investimento para o treinamento dos animais e, principalmente, pela falta de famílias voluntárias para recebê-los durante o período de socialização.
 
Muitos não sabem, mas a preparação desses cães não é simples, e vai muito além de um treinamento temporário: desde os três meses de vida até por volta de um ano e meio, o animal precisa conviver com uma família, que se torna responsável por apresentá-lo às mais variadas situações do dia a dia, como lazer, viagens, transporte público e a convivência com crianças.
 
As famílias socializadoras precisam seguir uma série de procedimentos; sobretudo, passar grande parte do dia com os cães. Isso é imprescindível para que a socialização seja feita corretamente e o deficiente visual receba um animal capacitado a guiá-lo em qualquer situação.
 
Ao final do período de adaptação, o cão é devolvido para o centro de treinamento, onde aprende os comandos básicos para assumir o seu papel junto ao deficiente visual. A partir daí, ele passa a usar a guia e peitoral com alça rígida, equipamentos que servem para comunicação com o humano. Dessa forma, o pet vai assimilar que está trabalhando quando usar o acessório e que, quando não estiver, pode brincar e ficar à vontade.
 
Quando o cão já está habituado aos novos equipamentos e comandos aprendidos, inicia-se uma nova etapa: a adaptação junto ao seu futuro dono, o deficiente visual, com quem vai conviver muitos e muitos anos – há casos de animais que atuaram como guias até os 12 anos.
 

* George Harrison é especialista do Instituto Magnus, organização sem fins lucrativos voltada à criação e ao treinamento de cães terapêuticos e cães de assistência.
 
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por George Harrison

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