Logo

Pior que carrapato

WhatsAppFacebookLinkedInX
11.07.2012 - 11:47:04

 

Quando ouço a expressão de que alguém é “pior que carrapato”, minhas pernas tremem na hora. Se o cara consegue ser mais chato e irritante que carrapato, quero ficar pelo menos a 100 milhas de distância do fulano. Nessas horas, toda precaução do mundo pode ser pouca. Nego chato já é grave, se o indivíduo é chato e grudento “pior que carrapato”, a coisa pega proporções dramáticas.

Sei o que é carrapato. Meu cachorro, o Xico, já sofreu com essa praga. É um inferno. Todo dia, era um tempão de baculejo no bichinho e um tanto de parasitas queimados em seguida. Uma vez por mês, dá-lhe remedinho na nuca do cachorro. Uma canseira sem fim para nos livrarmos da infestação. Vez ou outra, ainda aparece um carrapato no Xico. E na mesma hora já bate a preocupação de que a crise intensa volte. Só a tensão.

Aí você, caro leitor, imagine quando um cara é comparado a esse martírio. E o mais grave: é considerado mais complicado que o carrapato. Só contando com a ajuda dos céus para que nossos ouvidos e paciência sejam poupados. O cara pior que carrapato lhe pega para conversar nos momentos mais inoportunos. Você engatou um papo legal com aquela garota que sempre habitou os seus sonhos. Já foram algumas cervejas e as afinidades começam a aparecer. Tudo leva a crer que esse será o grande dia. Mas não. Existia um cara pior que carrapato no meio do caminho.

Ele interrompe o lance agradável para discutir política e lhe chamar de traidor do movimento. Para falar de futebol e provar por A mais B que você não entende nada do esporte. Para lhe apresentar a mais nova revolução do rock mundial, a banda em que ele toca. Nesse meio tempo, a menina que não é trouxa já foi embora e deixou você com aquele abacaxi nas mãos. Pronto. Você agora vai propagar aos quatro cantos do universo que aquele infeliz é pior que carrapato.

Os caras também aderiram ao mundo virtual. Nas redes sociais, eles são fartos. E mostram sua faceta chata a todo momento. Você tuíta alguma coisa sem relevância, ele devolve 50 tuítes debatendo profundamente e citando autores para provar que você foi politicamente incorreto naquele comentário. Elabora teses e mais teses começando com a expressão “eu, enquanto não sei o quê” como se isso fosse dar mais autoridade ao seu argumento e não se atenta ao elementar e explícito. Pede para que você o siga, o adicione ou compartilhe algo que você não tem o menor interesse. Flooda sua timeline com bobagens sem fim. Compartilha fotos escatológicas. São muitas as armas dos chatos na grande rede.

O pior é que ainda não inventaram um Frontline para gente pior que carrapato. A solução é sempre preventiva. A distância é a melhor alternativa. Dá para mapear e escapar de muito aluguel. Mas tem vezes que isso é impossível. Quando o carrapato gruda, aí, meu amigo, é sentar e chorar. E dar adeus a esses valiosos minutos da sua vida. Ok, carrapato, você ganhou! Sugue o sangue de minha paciência até que eu consiga passar você para outro. E tomara que não demore!

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
lABORATÓRIO pÚBLICO - cIÊNCIA, pOLÍTICA E MEIO AMBIENTE
29.09.2026
Sem apocalipse ou redenção II

No último artigo por aqui, comentei das visões diametralmente opostas a respeito da inteligência artificial. De um lado, os otimistas tecnológicos acreditam que ela resolverá todos os nossos problemas; de outro, os tecnofóbicos já decretam para breve o fim da humanidade à medida que a IA rapidamente evoluir e sair de nosso controle. Argumentei que […]

Noite e Dia
28.09.2026
Armazém AZ apresenta mostra sobre Maria Abadia Haich em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – O Armazem AZ apresentou no último sábado (26/9), em Goiânia, a exposição Tessituras: Histórias de Bá, dedicada à trajetória de Maria Abadia Haich, co-fundadora da loja e personagem ligada à formação e à difusão do design brasileiro na cidade. Construída a partir do olhar de seus seis netos, com coordenação de […]

Curadoria Afetiva
27.09.2026
Códigos atemporais

Há uma contagiante efervescência cultural, como costumávamos caracterizar o circuito social na década de 80, que, curiosamente, vem se reprisando na capital goiana. Salões de arte, mostras de artistas renomados (estejam eles vivos ou mortos), apresentações públicas e privadas de espetáculos clássicos, caricatos e criativos. Aparentemente, um despertar coletivo que contamina, no bom sentido, todos […]

Joias do Centro
25.09.2026
Avenida Goiás: a linha que desenhou o coração de Goiânia

Carolina Pessoni Goiânia – Há avenidas que levam a algum lugar. E há aquelas que, antes mesmo de serem abertas, já foram concebidas para dizer alguma coisa sobre a cidade. Em Goiânia, a Avenida Goiás pertence à segunda categoria. Desenhada no plano original da capital pelo arquiteto e urbanista Attilio Corrêa Lima, ela nasceu como […]

Noite e Dia
25.09.2026
Evento apresenta primeira mostra de Di Cavalcanti para convidados em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – A Cerrado Galeria realizou nesta quinta-feira (24/9) a abertura exclusiva para convidados da apresentação do novo ciclo expositivo da galeria, que traz pela primeira vez à Goiânia obras do renomado artista Di Cavalcanti, além da primeira individual do goianiense Walter Pimentel. As mostras Di Cavalcanti: Lírico, brasileiro, modernista, e Anímica e […]

Noite e Dia
21.09.2026
Jardim Potrich une Yoga, cerâmica e arte em programação especial; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – O Jardim Potrich abriu suas portas para uma programação que aproxima duas práticas aparentemente distintas — Yoga e cerâmica — a partir de um território comum: a presença. No dia 12 de setembro, o jardim recebeu “Beta & Bia no Jardim”, uma manhã dedicada ao movimento, à respiração e à consciência […]

CURADORIA AFETIVA
20.09.2026
Da Tranquilidade botânica

“No entanto, o sábio não pode desprezar os maus, porque, em todos os tempos, as condições morais quase sempre são as mesmas. Se o mal é uma necessidade da vida, da qual os homens não podem subtrair, não se deve odiá-los, mas aprender a respeitá-los.” (Da tranquilidade da alma, Sêneca) A palavra mal vem do […]

Joias do Centro
18.09.2026
Praça Cívica preserva a ideia de ágora onde Goiânia encontrou sua identidade

Carolina Pessoni Goiânia – Antes de Goiânia existir como cidade, ela já existia como desenho. E, nesse desenho, havia um ponto destinado a concentrar o poder, organizar os caminhos e criar um lugar de encontro. Era a Praça Cívica, concebida pelo urbanista Attilio Corrêa Lima como o centro administrativo da nova capital. A ideia, segundo o […]