Alexandre Parrode
Goiânia – O desaparecimento do voo MH370 da Malaysia Airlines, que aconteceu na madrugada do dia 8 de março, vem gerando controvérsia por todo o mundo e deixa especialistas perplexos. Terrorismo, sequestro e até meteoro são algumas das explicações já apresentadas.
No entanto, a teoria do piloto canadense Chris Goodfellow, que afirma ter mais de 20 anos de experiência em aviões de diversos portes, é surpreendentemente simples, e não envolve alienígenas (como algumas internet afora). Por isso, vem ganhando atenção – viralizando na internet e nas redes sociais.
Segundo artigo publicado primeiramente na página do Google+ de Goodfellow, uma das rodas do avião teria explodido ainda na decolagem, o que causou um incêndio elétrico e culminou em uma pane. O piloto, ao se dar conta da fumaça, tentou mudar a rota para a pista de pouso mais próxima, que seria Pulau Langkawi (de aproximadamente quatro quilômetros de extensão), na ilha de Langkawi. Infelizmente, ele não conseguiu.
Para ele, a conclusão vem da manobra à esquerda feita pelo piloto do Boeing 777, Zaharie Ahmad Shah. Como divulgado pelas autoridades malaias, um radar militar rastreou o avião em rota a sudoeste, em direção ao Estreito de Malaca (exatamente no caminho da ilha de Langkawi).
Mapa de onde o avião teria caído, após manobra em direção à uma pista de pouso na ilha de Langkawi (foto: reprodução/ Google Maps)
Além disso, o canadense afirma que pilotos são treinados para saber qual é o aeroporto seguro mais próximo quando estão voando. Ao perceber o problema, Zaharie logo teria identificado que seria mais confiável voar para Pulau Langkawi – em um caminho sem obstáculos, apenas sobrevoando o mar – do que voltar para Kuala Lumpur (de onde o avião saiu), onde teria que enfrentar cerca de 2,5 quilômetros de cordilheiras.
Para explicar o fogo, o autor do artigo explica que não é incomum falhas nas rodas e no trem de pouso.
"Existem dois tipo de incêndios. Um incêndio elétrico pode não ser tão rápido e furioso, e pode, ou não, ter fumaça tóxica. No entanto, existe a possibilidade, analisando a sequência dos acontecimentos, de que houve um superaquecimento de uma das rodas dianteiras, que explodiu na decolagem e lentamente pegou fogo. Sim, isso acontece com rodas que não estão bem calibradas. Lembre-se: Avião pesado, noite quente, ao nível do mar, decolagem longa […] Uma vez em chamas, uma roda produziria uma fumaça horrível e tóxica".
Sobre a misteriosa falta de comunicação do Boeing 777, Goodfellow afirma que faz muito sentido não ter havido nenhum pedido de socorro ou qualquer informe de emergência a bordo. "Em caso de incêndio, a primeira atitude é desligar o sistema elétrico do avião e ir religando circuito por circuito até o problemático ser encontrado. Se eles realmente tiverem desligado o distribuidor de energia, o avião 'desapareceu'", explica ele.
E segue: "Deve ter sido uma situação muito grave. A tripulação estava ocupada tentando controlar os passageiros e ainda apagar o fogo. 'Pilotar o avião, navegar e, por último, comunicar' é o lema em situações como esta".
Para o canadense, a tripulação foi surpreendida pela fumaça, tentou encontrar e controlar o fogo, deixando o avião no piloto-automático (chamado de George), até que o combustível acabou, ou o fogo destruiu os controles, culminando na queda. "Você encontrará os destroços na região da rota para Langkawi – procurar em qualquer outro lugar é perda de tempo", arremata.
O artigo afirma, ainda, que quando há fogo na aeronave a instrução é só uma: ponha o avião no chão o mais rápido possível. E foi isso que o piloto Zaharie Ahmad Shah – chamado de herói pelo autor – tentou fazer. Inclusive, uma coisa é certa no texto: o capitão não teve responsabilidade alguma sobre o ocorrido. Ao contrário, fez o que pode para salvar as 239 pessoas a bordo.
"Capt. Zaharie Ahmad Shah foi um herói lutando contra uma situação impossível tentando levar o avião para Langkawi. Não tenho dúvidas sobre isso. Este é o motivo de ele ter virado o avião naquela direção. No caso de um possível sequestro ele não teria feito esta escolha deliberadamente, em direção a Langkawi", explica o também piloto.
Ao final do texto, Chris Goodfellow conclui: "Dois mais dois é igual a quatro. Para mim, esta é a explicação simples do porquê da curva àquela ilha. Piloto esperto. Ele só não teve tempo suficiente".