Adriana Marinelli
Goiânia – Eles são muitos, crescem em ritmo acelerado e têm dominado cada vez mais a língua do mercado internacional. Os pequenos negócios em Goiás cruzam cada vez mais fronteiras e já representam quase metade das empresas exportadoras do Estado, mas ainda têm participação discreta quando o assunto é o volume financeiro das vendas externas, pelo menos por enquanto. Com a soma de políticas públicas, capacitação e estratégia, o desafio agora é transformar presença em maior destaque e fazer esse avanço aparecer, de fato, na balança comercial.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que, em 2025, 49% das empresas goianas que exportaram eram micro e pequenas (MPEs), um avanço em relação aos 46% registrados em 2024. Em números absolutos, o total saltou de 234 para 263 empreendimentos desse porte atuando no mercado internacional. Enquanto o total de grandes empresas exportadoras aumentou 5,9% no período, as MPEs avançaram 12%.

Mas, como em toda boa história de expansão, há um contraste que chama atenção. Apesar de representarem quase metade dos CNPJs exportadores no Estado, os pequenos negócios respondem por apenas cerca de 0,2% do valor total exportado por Goiás. Na avaliação de Marcelo Lessa, diretor técnico do Sebrae Goiás, é nesse descompasso que mora o principal desafio. Segundo ele, a leitura desses dados não aponta fragilidade, mas responsabilidade. “Esse cenário nos traz a necessidade de entender os desafios e preparar esses empresários para que aproveitem as oportunidades de exportação e aumentem seus lucros”, resume ao reforçar que, mesmo que discreta, há evolução no cenário.
O avanço das micro e pequenas empresas no comércio exterior acompanha bom momento da economia goiana. Em março de 2026, por exemplo, Goiás registrou um salto de 62,3% nas exportações, alcançando US$ 1,164 bilhão no mês. Com importações de US$ 405 milhões, o estado garantiu um superávit de US$ 758 milhões. No acumulado do ano, já são US$ 2,641 bilhões em vendas externas. “Esse cenário mostra a força da base produtiva diversificada e cada vez mais integrada às cadeias globais”, avalia o secretário-geral de Governo, Gean Carlo Carvalho. Já o secretário de Indústria, Comércio e Serviços, Joel de Sant’Anna Braga Filho, destaca uma união de esforços. “O bom resultado é sustentado pelas políticas públicas e pelo empenho do setor produtivo”, complementa.
Apesar das cifras expressivas serem puxadas, majoritariamente, por médias e grandes empresas, especialmente ligadas às commodities agrícolas, que operam com alto volume financeiro, Marcelo Lessa garante que o Sebrae tem atuado de forma efetiva para garantir mais espaço aos pequenos. “Não é competir no mesmo nível, mas ampliar a representatividade deles na movimentação financeira”, pondera o diretor técnico.
Hoje, Goiás conta com 1,29 milhão de empresas ativas, segundo dados da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg), sendo 680,6 mil microempreendedores individuais (MEIs), o equivalente a 52,5% do total. Mais da metade dos negócios do estado começa pequeno. Os MEIs não são os maiores empregadores, mas representam a principal porta de entrada para o empreendedorismo e a formalização. Nos últimos dez anos, o número de microempreendedores individuais cresceu 183% no Estado.
E não é por acaso. O modelo oferece CNPJ gratuito, tributação fixa reduzida, possibilidade de emissão de notas fiscais e acesso à cobertura previdenciária, incluindo aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade. Também permite abrir conta bancária empresarial, acessar crédito facilitado e dispensa alvarás de funcionamento. Em linhas gerais, cria as condições para que ideias saiam do papel e, em alguns casos, cruzem oceanos e alcancem novos mercados.


Diretor técnico do Sebrae Goiás, Marcelo Lessa ressalta que transformar um pequeno negócio local em exportador exige mais do que vontade. É necessário planejamento. “Você não consegue fazer uma exportação do dia para a noite. É preciso olhar para médio e longo prazo, se preparar para esse mercado”, explica. O primeiro passo, segundo ele, é entender se vale a pena. “O produto precisa gerar mais lucro no exterior do que no mercado interno. Não adianta fazer todo o esforço para vender praticamente pelo mesmo valor.”
Outro ponto crucial, conforme explica o representante do Sebrae, é o diferencial competitivo. “Não dá para ofertar para o mundo ‘mais do mesmo’. O produto precisa ter algo exclusivo”, afirma ao citar que, dentro dessa dinâmica, alguns segmentos brasileiros despontam com vantagem. Produtos com identidade própria, como a cachaça, ganham valor agregado no exterior por serem genuinamente nacionais, por exemplo. “O mesmo ocorre com o artesanato. O artesanato brasileiro, em especial o goiano, com peças exclusivas e autorais, pode chegar ao mercado internacional com alto valor agregado. É a exclusividade que faz a diferença”, reforça.

Já em setores mais concorridos, como o vestuário, o desafio é maior. “Os mercados europeu e americano já têm marcas altamente competitivas. Então, a moda precisa ter assinatura, conceito. Sem isso, não compete”, explica Lessa ao citar que, hoje, os principais destinos das exportações dos empreendimentos de pequeno porte incluem União Europeia, América do Norte e países como Chile e Peru, além de mercados do Oriente Médio, como a Arábia Saudita.
Em Goiás, de acordo com o Sebrae, os segmentos com maior potencial de exportação entre pequenos incluem moda, calçados, acessórios, alimentos, bebidas e cosméticos, especialmente aqueles que conseguem incorporar identidade, originalidade e valor cultural ao produto.
E é no encontro do “feito à mão” com o desejo global por “exclusividade” que uma pequena empreendedora goiana transforma peças autorais em produtos disputados fora do país. Trata-se de Rosiméria Pimentel, a Rosa CanaBrasil, nome artístico que carrega a assinatura de um trabalho artesanal que já encontrou clientes em várias partes do mundo. Natural de Rio Verde, ela é a mente por trás da Brico Reprô, marca de acessórios únicos, como colares e adornos de cabelo. No caso de Rosa, a rota que hoje ultrapassa fronteiras, literalmente, começou no quintal de casa.
Foi nos fundos do imóvel em que morava, em Goiânia, que Rosa, hoje com 39 anos, começou a experimentar formas, texturas e possibilidades. Antes de ter marca própria, nome artístico e reunir uma lista de clientes no exterior, a goiana já mostrava talento ao fazer, com as próprias mãos, ainda na infância e adolescência, peças que iam de pulseiras a roupas de bonecas. Décadas depois, o que começou de forma tímida foi ganhando forma e se tornou a Brico Reprô.
A marca, fundada oficialmente em 2014, nasceu sem pretensão de negócio estruturado. Na época, Rosa CanaBrasil trabalhava como educadora, em regime CLT, em um projeto social ligado a uma grande empresa de refrigerantes. “A virada começou com um pedido feito por uma parente, que precisava de ajuda para confeccionar uma tiara de flores para um ensaio de gestante”, lembra a empreendedora ao citar que depois desse pedido, vieram outros. E mais outros. “Era a renda extra que eu tinha”, completa ao citar o impacto positivo das redes sociais na divulgação do trabalho. “Em menos de um ano, o que era complemento, virou prioridade. Deixei o emprego com carteira assinada e reservei um espaço da quitinete onde eu morava para montar meu ateliê”, conta a artesã.

Rosa CanaBrasil é a responsável pela marca goiana Brico Reprô (Foto: Renato Conde/Jornal A Redação)
O pequeno negócio foi se tornando cada vez mais profissional, mas a essência do trabalho, que tem como base a bricolagem, técnica associada ao termo “faça você mesmo”, permanece a mesma. Reutilizar o que muitas vezes seria descartado para criar acessórios autorais e também objetos e esculturas artísticas virou o sustento da empreendedora, que utiliza como matéria-prima miçanga, arames, cordões, entre outros materiais. Costura e colagem viraram a principal linguagem profissional de Rosa CanaBrasil, que tem a mistura de materiais como assinatura.
“As primeiras vendas aconteceram de forma direta, em grupos de Facebook, com foco inicial em profissionais da fotografia. Depois vieram feiras de economia criativa e a expansão para outras redes, como Instagram, Pinterest e TikTok, alcançando estilistas, noivas e profissionais da moda”, rememora Rosa ao mencionar que foi também no ambiente digital que as fronteiras começaram a se dissolver.
Peças produzidas por Rosa CanaBrasil (Fotos: divulgação)
A primeira venda para fora de Goiás veio em 2015, impulsionada por anúncios pagos no ambiente virtual. Já o salto internacional teve um componente menos previsível, conforme conta a empreendedora. “Foi depois de um vídeo orgânico, publicado no TikTok, em que uma noiva usava um acessório da marca. Atingiu mais de 500 mil visualizações em pouco tempo”, comemora. A primeira venda para o exterior, depois de o vídeo viralizar, foi para a Inglaterra, no primeiro semestre de 2023. “A cliente é fã da saga Harry Potter. Ela encomendou um adereço de cabelo para usar em uma celebração de aniversário. Fiz a peça baseada na saga e o modelo foi um sucesso. Até hoje inspira outros pedidos”, diz. A inspiração para a criação foi o Pomo de Ouro (Golden Snitch, em inglês), esfera pequena e dourada com asas de prata, utilizada no esporte bruxo Quadribol, presente na Saga Harry Potter.
Primeira peça vendida por Rosa CanaBrasil a cliente de outro país (Foto: arquivo pessoal)
A partir daí, o tráfego pago nas redes sociais foi intensificado, alcançando um número cada vez maior de pessoas interessadas nas peças da artista. Clientes fora do Brasil foram se multiplicando. Hoje, a Brico Reprô já soma envios para mais de 25 países, incluindo países da Europa e da Oceania, atendendo principalmente noivas e profissionais de casamento e moda, com valores que variam de acordo com o modelo e a complexidade do trabalho, já que todo o processo é feito de forma artesanal. As peças são enviadas diretamente ao consumidor, mas há obstáculos. “O maior desafio para alcançar novos territórios são os encargos de frete e as taxas aduaneiras”, relata. “Em um envio recente para a América do Norte, por exemplo, o cliente chegou a pagar em impostos cerca de 70% do valor do produto”, acrescenta a artesã. A empreendedora cita que se trata de um entrave que, muitas vezes, impede a conclusão da venda.

Com foco na comercialização on-line, a empreendedora conta com o apoio de pelo menos duas pessoas na confecção das peças autorais nos períodos de maior demanda, mas ela reconhece que, entre os reforços, o suporte institucional teve e continua tendo seu valor ao longo da caminhada. “O Sebrae e a Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) tiveram papel fundamental no processo, trazendo educação e formação sobre o mercado global”, diz Rosa ao citar que, graças ao suporte recebido, conseguiu participar de feiras e eventos que permitiram a realização de negócios concretos. “Desistir nunca foi o caminho”, completa Rosa, que se diz entusiasmada para continuar ultrapassando fronteiras com seu talento. “Sou extremamente apaixonada pela minha arte e quero mostrar isso para o mundo”, arremata a idealizadora da Brico Reprô, que ainda ostenta no currículo o fato de ter sido a primeira colocada na etapa estadual do prêmio Sebrae Mulher de Negócio, na categoria Negócios Internacionais.

Os obstáculos enfrentados hoje por empreendedores como Rosa CanaBrasil para vender ao exterior, especialmente impostos e exigências burocráticas, podem começar a diminuir com o novo acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que entrou em vigor provisoriamente no último dia 1º de maio. Após quase três décadas de negociações, o tratado cria um ambiente mais favorável para que micro e pequenas empresas ampliem exportações, reduzam barreiras e encontrem espaço em nichos de maior valor agregado, especialmente em um cenário global marcado por turbulências comerciais e pela guerra tarifária iniciada pelos Estados Unidos.
Na avaliação do diretor técnico do Sebrae Goiás, Marcelo Lessa, o momento representa uma oportunidade estratégica para os pequenos negócios brasileiros. “Existe um capítulo nesse acordo específico para os pequenos negócios, que vão ter oportunidade de fazer essa exportação de maneira mais simplificada”, destaca. Entre os avanços previstos, conforme cita o diretor, estão a simplificação documental, facilitação aduaneira e alinhamento de exigências regulatórias entre os blocos. O acordo também prevê a criação de uma plataforma pública e gratuita com informações operacionais, regulamentos técnicos, guias de exportação e consulta por código tarifário, medida que busca reduzir a assimetria de informação para os pequenos empreendedores.
Além disso, a redução gradual das tarifas de importação entre os blocos tende a ampliar oportunidades em diferentes segmentos. A União Europeia deverá eliminar tarifas para cerca de 93% dos produtos do Mercosul em até dez anos, enquanto o Mercosul fará o mesmo para aproximadamente 91% dos produtos europeus em prazo que pode chegar a 15 anos. O acordo prevê ainda liberalização gradual para bebidas destiladas, incluindo produtos como a cachaça, frequentemente citada como exemplo de item brasileiro com forte potencial de valorização no exterior.
“O acordo prevê um tratamento diferenciado para os pequenos negócios brasileiros. Alguns licenciamentos e exigências regulatórias, como os ligados à vigilância sanitária, por exemplo, deverão passar por alinhamento entre órgãos do Brasil e da União Europeia, evitando que o empreendedor precise apresentar documentos repetidos em diferentes mercados”, explica Marcelo Lessa. “Isso deve tornar o processo mais simplificado, facilitado e acessível para os pequenos negócios”, acrescenta.

Entre os pequenos empresários goianos que enxergam no acordo entre Mercosul e União Europeia uma oportunidade concreta de expansão internacional está Marcelo Pinheiro de Lima Abreu, dirigente da Mapila Alimentos. À frente da indústria familiar especializada na produção de temperos e molhos de pimenta, ele comemora o início das exportações da empresa e acredita que a abertura de novos mercados tende a ampliar ainda mais a competitividade dos pequenos negócios brasileiros no exterior. “Estamos bastante otimistas. São países com grande potencial e nossos produtos chegarão bastante competitivos”, projeta.
Alguns produtos Mapila (Foto: divulgação)
A história da Mapila começou ainda em 1986, no município de Mozarlândia, no Norte goiano, e atravessa gerações. Marcelo conta que iniciou o plantio de pimentas e a fabricação artesanal de molhos ainda adolescente, aos 16 anos, quando a empresa operava sob o nome Conservas Caseiras Mapila. “Hoje a empresa está na segunda geração”, destaca.
O que começou de forma artesanal ganhou estrutura industrial e ampliou mercado ao longo dos anos. Atualmente, a empresa comercializa produtos em todo o Brasil por meio de representantes comerciais, marketplace e televendas, além de já operar no mercado externo. A produção é abastecida por plantios terceirizados em Goiás, Bahia e Alagoas, fortalecendo uma cadeia produtiva que envolve diferentes regiões do país.
A entrada no comércio internacional aconteceu após participação da empresa na Feira Internacional do Comércio Exterior do Brasil Central (Ficomex), realizada em setembro de 2025, no Centro de Convenções de Goiânia. Segundo Marcelo, foi ali que surgiu a primeira oportunidade concreta de exportação. “Apresentamos nossa marca e nossos produtos para oito empresas de oito países e tivemos êxito primeiramente pela Índia, através de um distribuidor em Mumbai”, relata.
O empresário afirma que, desde então, a marca também já foi apresentada a representantes de outros 26 países, seja por meio de feiras de negócios ou contatos realizados com apoio de embaixadas. Para ele, o fato de a primeira exportação ter sido justamente para a Índia carrega um simbolismo importante. “Iniciamos nossas exportações com o pé direito, porque a Índia é bastante conhecida pelas especiarias e temperos. É um povo que consome muito condimento e que vive no país mais populoso do mundo”, ressalta.

Além da expansão comercial, a empresa também tem investido em adequações e certificações voltadas ao mercado internacional. Recentemente, a Mapila recebeu do Senai o certificado de alimento confiável, atestando o cumprimento das exigências sanitárias e das boas práticas de fabricação, um diferencial importante para ampliar competitividade fora do Brasil. Atualmente, a indústria conta com capacidade produtiva mensal de até 200 mil unidades, estrutura preparada para atender demandas em escala e um portfólio com mais de 80 produtos. As fórmulas, desenvolvidas com foco na preservação do sabor original das frutas utilizadas nos molhos de pimenta, também atendem à certificação Halal, exigida pelo mercado muçulmano, ampliando as possibilidades de inserção da marca em novos países e mercados consumidores.
Marcelo destaca ainda que o processo de internacionalização dificilmente teria acontecido sem suporte institucional. “O apoio do Sebrae foi fundamental para termos acesso às rodadas de negócios junto aos importadores e também aos programas da Apex Brasil”, afirma o empresário, ao citar que a empresa completa neste ano quatro décadas de atuação justamente no momento em que começa a conquistar clientes em outro continente.
Internacionalização com método e meta
Focado em multiplicar histórias como as de Rosa CanaBrasil com a Brico Reprô e de Marcelo com a Mapila Alimentos, o Sebrae Goiás tem intensificado as ações voltadas à internacionalização dos pequenos negócios no Estado. A estratégia passa por capacitação, consultorias especializadas, preparação técnica e aproximação direta com compradores internacionais, dentro do programa Move+ Internacionalização, criado para identificar empresas com potencial exportador e ajudá-las a acessar o mercado externo de forma estruturada.
“Esse programa consiste em uma trilha, uma jornada, que começa com um diagnóstico, onde o empreendedor vai ter uma consultoria personalizada”, explica o diretor técnico do Sebrae Goiás, Marcelo Lessa. Segundo ele, a internacionalização exige acompanhamento individualizado e análise aprofundada de cada negócio. “Quando a gente fala de mercado de exportação, não tem como ser uma consultoria genérica. Ela é muito específica, direcionada mesmo”, reforça.
A metodologia começa com um diagnóstico de maturidade, que avalia fatores como capacidade produtiva, finanças, diferencial competitivo e potencial de mercado. A partir desse mapeamento, são desenvolvidas consultorias customizadas e capacitações específicas para preparar o empreendedor para negociações internacionais. “Depois desse diagnóstico, a gente desenvolve uma metodologia específica para aquela empresa e evolui para um terceiro momento, que é ajudar nessa interlocução com o país alvo do interesse do empresário”, detalha.
Além da preparação técnica, o Sebrae também atua na conexão comercial entre os pequenos negócios e o mercado internacional, intermediando rodadas de negócios, feiras e missões empresariais no exterior. Um dos exemplos citados pelo diretor é uma missão voltada ao setor de cachaças goianas, em Lisboa, neste primeiro semestre. “Foi feito todo um trabalho de curadoria, consultoria e preparação dessas empresas, incluindo a apresentação dos produtos, documentação e design das embalagens para que sejam competitivas no mercado internacional”, afirma. Segundo ele, o Sebrae também contratou um agente de mercado em Portugal para auxiliar diretamente nas rodadas de negócios.
Para se ter uma ideia, entre 2025 e 2026, o Sebrae Goiás realizou diagnóstico de maturidade em 47 empresas. Dessas, 32 participaram ou ainda participam de capacitações e 15 já estiveram presentes em ativações comerciais e eventos de mercado. Uma das empresas atendidas, inclusive, já fechou negociação de exportação de US$ 30 mil para a Índia.
Apesar do potencial, Marcelo Lessa faz questão de destacar que exportar exige preparo e visão estratégica. “É um trabalho muito pé no chão que realizamos no Sebrae Goiás. As pessoas têm que entender que é um mercado promissor, é um mercado interessante, é um mercado de oportunidade, mas ao mesmo tempo não é para qualquer um, não é para qualquer empresa e não é para qualquer segmento”, pondera.
Segundo ele, o diferencial competitivo continua sendo decisivo para que pequenos negócios consigam disputar espaço no exterior. “O produto para vender bem lá fora precisa de um diferencial, precisa ter a questão da exclusividade. Uma pessoa que trabalha com venda de capinhas de celular aqui em Goiás, por exemplo, vai competir com gigantes chinesas que comercializam esse mesmo produto no mundo todo, em larga escala”, afirma. Para o diretor técnico do Sebrae Goiás, o cenário exige realismo, preparo e estratégia, mas também revela uma janela concreta de oportunidades para quem consegue transformar identidade, criatividade e valor agregado em diferencial competitivo. “É preciso reconhecer o cenário de desafios, mas também reafirmar o enorme potencial que temos”, conclui.
