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Os 23 da Seleção Brasileira

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08.05.2014 - 18:16:22

Acompanhando a repercussão da convocação da Seleção Brasileira, percebi que todas as polêmicas envolvendo os quatro nomes que estavam em aberto são menores. Henrique, Hernanes, Maxwell e Victor são sérios candidatos a coadjuvantes na Copa do Mundo que começa no dia 12 de junho.

É claro que o futebol é uma caixinha de surpresas e um dos três que jogam na linha pode fazer um gol milagroso que os coloque na história. Pode acontecer, mas não é o mais provável. Assim como Victor pode sair da posição de terceiro goleiro e pegar o penâlti decisivo, entrando assim para a história. Novamente, pode acontecer, mas não é o provável. 

Em uma convocação sem polêmicas realmente relevantes, qual o grande diferencial da Seleção que Felipão apresentou ontem? A resposta é fácil: há tempos o brasileiro não tinha na ponta da língua o time titular que entrará em campo. Pense um pouco: nas copas anteriores, você sabia quem seriam os 11 começariam jogando?

Sem fazer uso do Google, a última Seleção que me veio a cabeça foi a de 1994. Taffarel, Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva, Dunga, Raí e Zinho; Bebeto e Romário. Lembrando que no decorrer dos jogos Raí perdeu a posição para Mazinho e Leonardo, suspenso após dar uma cotovelada em um jogador dos EUA, deixou o posto para Branco. Não fui conferir no novo pai dos burros do mundo virtual. Acreditei na minha memória – o que não é nada recomendável. Será que acertei todos? Acredito que sim.

Júlio César, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Paulinho, Luiz Gustavo, Oscar e Hulk, Fred e Neymar. Do goleiro ao camisa 11. Todos os nomes de bate-pronto. Se não tivermos problemas de contusão, sabemos que dia 12 de junho contra a Croácia serão esses que rolarão a bola da partida que abre o torneio. Essa certeza não é algo que deva passar batido.

Não tenho a menor dúvida que o momento ímpar que o Brasil viveu durante a Copa das Confederações do ano passado tem interferência direta nessa identificação entre time e torcida. A onda de protestos influenciou o comportamento incisivo dentro de campo, contagiou os jogadores. A prova disso foi a energia dada pela torcida nos estádios ao cantar o hino nacional só no gogó.

A energia das ruas era transmitida quando os jogadores se deslocavam do hotel para o estádio, quando os atletas ligavam a televisão ou entravam em suas redes sociais. Bastava perceber o olhar dos jogadores alinhados para sacar que havia algo que transcendia a razão naquele momento. E não me pergunte o que era, pois não entendo nada de questões metafísicas. A forma como o Brasil engoliu a favorita Espanha na final tem um pouco de explicação nesse intangível.

A revolta das ruas também soube separar as coisas. Não colocou os jogadores como centro da insatisfação. O problema eram os estádios superfaturados, a falta de prioridade ao construí-los, a precariedade de tudo que é público em nosso país e o saco cheio com a roubalheira.

Os atletas não tinham nada a ver com isso. O povo entendeu que eles não eram responsáveis. E os jogadores se doaram ao máximo por quem estava protestando por um país mais decente. Quem estava de chuteira fez da camisa amarela sua segunda pele, respeitou as cores do nosso País como os políticos de forma geral não fazem. Isso deixou o brasileiro orgulhoso e confiante no time para a Copa que começa dentro de pouco mais de um mês.

Tenho certeza que o clima da Copa das Confederações será repetido na Copa do Mundo, com a diferença de que a multidão protestando não será mais uma surpresa. As ruas estarão em chamas, os estádios estarão elétricos e os jogadores turbinados por esse sentimento.

Nada garante que dará certo como no ano passado. Pode ser que o Brasil seja desclassificado no duríssimo jogo que a tabela nos colocou nas oitavas de final. Futebol só tem vencedor depois do apito do juiz. Mas que ninguém ache que vai ser moleza ganhar do escrete canarinho, pois o time estará anabolizado por algo que a ciência ainda não conseguiu explicar.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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