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O suicídio: seus sinais e seus alertas!

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31.07.2018 - 09:46:19

Goiânia – Ofélia, era uma viva, dinâmica, que cantava e recitava poesia. Lembro do momento em que ela entra na sala, animada, e distribui flores e plantas para todos os que estavam reunidos. Guardou para si uma ruda — uma erva que simboliza o arrependimento e trata dores e feridas.

Lembro de ouvi-a cantar, naquela noite, sobre a morte e, ao se despedir, dizer um enfático “boa noite”, como nunca antes. Pouco depois soube que Ofélia havia morrido, nas palavras de outra pessoa, “incapaz de lidar com seu sofrimento”.

Ofélia é personagem da obra shakesperiana Hamlet. A mesma obra que tem o famoso monólogo “ser ou não ser”. No texto, ela parece ter optado pelo “não ser”, “não viver”, “não continuar”. Mas Ofélia é uma representante de tantas outras ofélias e ofélios que existem à nossa volta. Dando os sinais constantes e nós nem parecemos notar!  

Os sinais estão presentes. Sempre! Mas tememos encará-los de frente!!! Veja a seguir alguns desses sinais.  

1. Presença e obsessão com a morte Quando Ofélia fala da morte e versa sobre ela, inesperadamente e sem motivo aparante, deveria ter chamado a atenção. Da mesma forma frases como as abaixo são demonstrativos desses pensamentos.

— Seria melhor não ter nascido

— Foi bom ter-lhe conhecido

— Seria melhor sem mim

É um alarme gigantesco quando esse fora do comum aparece. São temas associados a morte, ao morrer ou até à violência Nunca teve curiosidade mas agora, do nada, parece compreender aspectos diversos sobre armas, pílulas, facas, ou outros objetos que possam ser usados em tentativas de suicídio.

2. Organização dos últimos afazeres Quando, inesperadamente se organizam as últimas pendências da vida, dividindo seus próprios pertences, organizando questões para familiares de modo a não deixar pontas soltas e até, inesperadamente, redigindo seu testamento.

3. Isolamento O desejo de ficar sozinho, afastando-se de pessoas significativas como amigos e familiares, seja no mundo real ou virtual (se o virtual for intenso para aquela pessoa) deveria nos deixar em estado de alerta.

4. Comportamentos auto-destrutivos Pessoas que aumentam seu uso de exagerado de álcool e drogas, dirigem de forma imprudente ou têm relações sexuais de risco estão, a cada ato, demonstrando um micro-cosmos suicida. E, em alguns casos, podem levar outros consigo, aumentando ainda mais o nosso nível alerta.

5. Impassibilidade Um súbito sentimento de impassibilidade e calma e até mesmo felicidade após se sentir extremamente em baixo pode significar que a pessoa tomou a decisão de tirar a própria vida.

6. Despedidas Sabe aquela visita ou ligações inesperadas para dizer o quanto lhe ama e se despedir (de amigos e familiares) como se nunca mais as fosse ver?

7. Sentimentos de Impotência e Inutilidade O primeiro tem a ver com o desespero de se sentir preso, não compreender o seu poder de responsabilidade sobre as coisas, de achar que nada nunca mudará,  expressando isso em ações ou frases como a seguinte:

— Não há escapatória! Já os sentimentos de inutilidade, depreciação, culpa, vergonha, e ódio a si mesmo relacionam-se com a necessidade que vem de dentro querendo compreender o seu papel no mundo sem, no entanto, encontrar algo que dê sentido à sua vida e, portanto, sentindo-se um fardo:

— Todos estariam melhores sem mim  

Se você encontrar alguém que tenha esses sinais, converse e dialogue com a pessoa mas, sobretudo, ajude-a a encontrar apoio profissional. Por vezes terá que ir com a pessoa até a porta do consultório do psicólogo ou psiquiatra. Outras vezes terá que ligar só para saber como ela está. Enviar mensagem, visitar, fazer uma caminhada juntos. Enfim, mostrar à pessoa que demonstra alguns (ou todos!) os sinais que ela não está só e que você (e muitos outros) se importam.  

A decisão em tirar a própria vida não é uma decisão fácil e, justamente por isso, a escuta ativa, o acompanhamento ombro a ombro e a compreensão de que somos únicos e irrepetíveis pode salvar muitas vidas.

 Sam Cyrous é psicólogo (09/8178)
Psicoterapeuta de Casais e Família StoryTeller, Curador do TEDxGoiânia

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por Sam Cyrous

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