Logo

O sucesso entre o jazz clássico e suas novidades

WhatsAppFacebookLinkedInX
05.06.2012 - 02:20:26

Nádia Junqueira
De Paraty (RJ)

Quem andava na última segunda (4/6) pelas pacatas ruas de Paraty, cidade colonial do litoral carioca, não poderia imaginar quão lotada estava durante o fim de semana. O motivo foi o evento considerado mais importante para cidade, depois do Festival Literário, o Borboun Festival. Apresentando 13 atrações durante dia e noite de sexta, sábado e domingo, o festival foi mais uma edição bem sucedida do Bourbon Street Club, de São Paulo. Dessa vez, a quarta, eram dois palcos (um à beira mar, em frente à Igreja Santa Rita e o outro na Praça Matriz) e intervenções pelas ruas do centro histórico.


Orleans Street Jazz Band (Foto: Pedro Guida)

Jazz, blues, soul e r&b eram os estilos que o festival prometia. Mas essa edição em Paraty mostrou que os limites se expandiram um pouco. O encerramento do festival, no domingo (3/6), por exemplo, ficou a cargo de Zélia Duncan, que pouco se encaixa dentro dos estilos pretendidos. Sem mostrar novidades, a cantora ainda teve a difícil missão de subir ao palco depois de dois grandes shows: da cada vez mais famosa franco-israelita Yael Naim e do grupo de New Orleans, Leroy Jones Quintet. Por outro lado, o show instrumental nos violões da dupla Duofel, de forma bem brasileira, na tarde que caia à beira mar (no palco Santa Rita) foi uma boa surpresa que agradou o público.

Direto de New Orleans
Garantindo o bom e velho jazz, Leroy Jones Quintet apresentou à Paraty o que New Orleans tem produzido há quase cem anos. Esbanjando simpatia e juventude no auge dos seus 54 anos, o músico Leory Jones conversou com A Redação pouco tempo antes do show.

“Não tocamos nada comercial, no sentido de que não estamos aí nas rádios como está a música pop”, disse Leroy apresentando o trabalho que seu quinteto faz. No entanto, o músico ressalta a importância do trabalho, que vai contra a tendência comercial. “O que fazemos é como uma missão. De mostrar o jazz de grandes como Louis Armstrong, mas com uma pitada de século XXI. Mas se os corpos se mexerem e as pessoas saírem felizes, a missão foi cumprida”, concluiu Leroy em meio a um sorriso malemolente.



Donny (Foto: Pedro Guida)

De fato, a missão de Leroy e seu quinteto foi cumprida em Paraty. O repertório cheio de clássicos e novidades fez o público se mexer, se encantar e arrancar gritos e aplausos dos solos de cada um do quinteto que mostrou de onde vem. E ao lado de um grande homem como Leroy, havia duas grandes mulheres que roubaram a cena do show. De um lado, a esposa de Leroy, Katja Toivola, no trombone. A simpatia e talento encantaram a plateia e o casal foi ovacionado quando fez dancinhas rebolantes no palco. Do outro, Yolanda Windsay, convidada especial do quinteto que abrilhantou o show com seu vocal que parecia ter saído direto da década de 1920.    

Fã de samba, Leroy já esteve no Brasil outras cinco vezes. Mas é a primeira em Paraty e se mostrou encantado com a cidade colonial. Elogiou o público brasileiro que sabe apreciar o bom e velho jazz e chegou a puxar o saco durante o show: “Vocês são a melhor plateia”. Nascido na cidade do jazz, ainda criança Leroy teve contato com o estilo musical. Os irmãos eram músicos, mas não seguiram carreira. O pequeno herdou o gosto e teve aulas particulares pagas pelos pais e aos doze anos já tocava na orquestra filarmônica de metais. Seus mestres foram aqueles que tocaram com grandes como Billie Holiday. Daí ser o missionário de mostrar o que New Orleans produziu de melhor.

Sutilmente diva
Leroy Jones Quintet tinha mesmo que ter feito bonito. Porque, antes de sua apresentação, a pequena e talentosa franco-israelita Yael Naim deixou o público em êxtase. Revezando entre piano e violão, Yael estava muito bem acompanhada pelo baixista Daniel Romeo e pelo seu parceiro musical, o percussionista indiano David Donatien. Alguém nascida em uma família judia na França, criada em Israel, com carreira deslanchada em Paris, parceria com indiano, só podia dar em algo, no mínimo, irreverente.



Yael Naim foi uma das atrações internacionais do evento (Foto: Pedro Guida)

Com músicas em inglês, francês e hebraico, Yael foi a primeira cantora israelita a chegar ao top 10 nos Estados Unidos quando em 2008 o senhor da maçãzinha, Steve Jobs, escolheu ele próprio a canção New Soul para lançar o MacBook Air. Mas Yael não é dessas de ter apenas uma boa canção, “a da propaganda", a se admirar. Com uma carreira que se iniciou com a música erudita, Yael absorveu todas as influências dos lugares em que viveu, chegando a um folk com pitadas de jazz.    

Assista Yael Naim em apresentação ao vivo de New Soul, em 2010.

A suavidade e irreverência de Yael muito se equilibram com o jeito mais pesado do baixista de fazer música e com as batidas criativas de David, definitivas para darem movimento à música dela. O resultado foi um show em que hora o público se emocionava com uma voz de diva de soul da franco-israelita, hora se mexia sem parar quando a música dava sua cara folk, hora cantava junto com as brincadeiras vocais da cantora.

Durante o show, dois adultos de aproximadamente quarenta anos dançavam intensamente e filmavam tudo, como fãs de carteirinha. “Quem é ela?”, um perguntou. “Sei lá, mas é boa demais, né?”, respondeu. Talvez os dois amigos representassem bem o público do festival. Os conhecedores e tietes estavam à frente, grudados no palco. Mas a massa que seguia atrás não sabia bem cantar junto, mas dançava e aplaudia como os lá da frente. Antes do show, a cantora circulou pelas ruas da cidade, parou na loja e restaurante “Armazém”, comeu tapioca e comprou um colar indígena, que usou no show. Foram poucos os que reconheceram a cantora. Se tivesse feito o mesmo ao fim da apresentação, talvez não comesse em paz.        

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Redacao Jornal

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Carnaval
18.10.2026
Paolla Oliveira é coroada rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense

São Paul0 – Paolla Oliveira, de 44 anos, foi coroada rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense neste sábado (17), no Rio de Janeiro. A cantora Iza, que deixou o posto, foi responsável pela coroação. Ela entregou a faixa à atriz e as duas deram um beijo. Para a ocasião, a atriz apostou em um figurino […]

TEATRO RIO VERMELHO
18.10.2026
Orquestra Filarmônica de Goiás recebe músicos brasileiros de carreira internacional

A Redação Goiânia – A Orquestra Filarmônica de Goiás (OFG) recebe o pianista Jean Louis Steuerman e o violinista Cármelo de Los Santos para um concerto gratuito na próxima quinta-feira (22/10), às 20h, no Teatro Rio Vermelho, no Centro de Convenções de Goiânia. Sob a regência do maestro Neil Thomson, a apresentação contará com obras […]

PROGRAMAÇÃO
18.10.2026
Festival Viva Goiânia terá shows gratuitos neste domingo (18/10)

A Redação Goiânia – O Festival Viva Goiânia terá apresentações gratuitas de eletrofunk, sertanejo, forró e hip-hop neste domingo (18/10), nas regiões Oeste e Noroeste da capital. Os shows serão realizados na Praça Geraldo Alves Rodrigues, no Vera Cruz II, e no Parque Nova Esperança, no Jardim Nova Esperança, com programação até as 21h. O […]

Cultura
17.10.2026
Capital da Boa Mesa vai premiar quem mostra a força da gastronomia goianiense

A Redação Goiânia – O Sindicato de Bares e Restaurantes de Goiânia (Sindibares) promove o 1º Prêmio de Comunicação Goiânia, Capital da Boa Mesa, que distribuirá R$ 75 mil em premiações, sendo R$ 15 mil por categoria. As inscrições são gratuitas e estarão abertas até 20 de novembro, conforme as regras do regulamento. Com o tema […]

Literatura
17.10.2026
Livros ajudam a compreender a diversidade histórica e cultural, afirma Narcisa Cordeiro

Jales Naves Especial para o jornal A Redação Goiânia – “Meus livros são parte de um esforço permanente para compreender Goiás em sua diversidade histórica, cultural, territorial e humana”, afirmou a arquiteta e pesquisadora Narcisa Abreu Cordeiro ao falar sobre “Histórias Escritas e a importância da Leitura” no projeto idealizado por Rômulo Vaz, ‘Café com […]

História
17.10.2026
Mineira, Alvina Naves, tecelã e cozinheira, fixou-se em Porangatu

Jales Naves Especial para o jornal A Redação   Goiânia – Tecelã que transformou fios em tecidos no entrelaçamento de tramas e urdiduras em teares manuais, Alvina Rosa Naves, mineira de Nova Ponte, também se revelou na cozinha, sendo elogiada por seus trabalhos, em especial nas festas religiosas da época, quando produzia os doces e […]

Dança
17.10.2026
Basileu França é destaque em competição internacional de balé

A Redação Goiânia – A Escola do Futuro de Goiás (EFG) em Artes Basileu França terá a maior delegação da última seletiva brasileira do Youth America Grand Prix (YAGP), uma das principais competições internacionais de balé para jovens bailarinos. Ao todo, 56 alunos da instituição participam da etapa, realizada de 20 a 24 de outubro, em […]

Lazer
17.10.2026
Goiânia recebe corrida que une esporte e música sertaneja

Ludymila Siqueira Goiânia – A Capital goiana vai receber, no dia 6 de dezembro, uma corrida que une esporte e música sertaneja em um percurso de 6 quilômetros em cinco ondas de largada. O Complexo Serra Dourada vai ser o ponto de concentração, que ao final, irá receber o show da dupla Matheus e Kauan. […]