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O seu jogo é sujo e eu não me encaixo

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20.12.2012 - 12:30:52

Goiânia – Um conhecido está vivendo uma situação para lá de absurda. Vem sendo ameaçado por picaretas da pior estirpe por conta de coisas que fez há mais de uma década, não são crimes e que só causam problemas caso venham a ser publicizadas por conta do moralismo hipócrita que permeia nossa sociedade. A profissão do cara exige alguma pompa e as atitudes totalmente aceitáveis dele enquanto universitário lhe retirariam prestígio no atual posto que ocupa. Colocaria sua carreira em risco. É de embrulhar o estômago.

A real é que esse jogo é sujo demais e eu não me encaixo nele. A gente acha que vive em um mundo civilizado, onde as divergências são debatidas no campo das ideias e os litígios são levados ao Poder Judiciário tal qual devemos fazer desde que abandonamos a barbárie. Doce ilusão. Nego está na pilha do vale tudo pelo que deseja. Não há limites para os golpes. Se precisar ser abaixo da cintura, que seja feito. Vale tudo para alcançar o pretendido. Foi mal, se a brincadeira é assim, fico de fora dessa seara sem nenhum constrangimento. E pode me chamar de bundão. Sem erro, sou sim. Prefiro essa alcunha a ter que me submeter a essa baixaria.

Na minha pueril inocência, eu achava que tais estratagemas para a disputa estavam ultrapassadas. Que tinham ficado, sei lá, na antiga capital. Como eu disse, inocência pura. O ethos autoritário, violento, chantagista e calhorda não tem limites geográficos e muito menos temporais. Ele está tatuado na alma de quem é sem caráter por natureza. Por quem não aceita o questionamento. Por quem ao longo de gerações fez tudo, absolutamente tudo, para não largar o osso. Triste, mas verdade.

Temos que percorrer ainda uma estrada gigante para atingir o patamar mínimo de relações e disputas humanas civilizadas. Segundo o que vazou para a imprensa via Jornal Opção, ainda convivemos com com episódios como o assassinato de radialista na porta de seu local de trabalho por conta de informações por ele levantadas. É de enfiar a cabeça em um saco de papel de padaria e não tirar nunca mais de tanta vergonha de ser goiano.

Eu achava que era uma simples questão geracional. Pensava que o novo viria e, de forma natural, o pensamento retrógrado e bárbaro seria sepultado. Ledo engano. Tem universitário aí que tem concepção de mundo mais arcaica e envelhecida que a Cora Coralina. Pelo amor da Virgem, viu…

É nessas horas que aquele sonho adolescente de se abster desse mundo, pegar a família e tocar para uma praia deserta, vivendo com o mínimo e lutando só pela subsistência fica sedutor. Não fui criado para sujar a mão como esse povo. É fétido além do que suporto. E ver esse conhecido acuado por preconceito e autoritarismo é de lascar.

E tenha um feliz 1813, Goiás!

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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