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Vinícius Porto (Foto: divulgação)

O risco invisível

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30.09.2026 - 07:41:21

O Brasil perde cerca de 14 mil vidas por ano para o suicídio, uma média de 38 mortes diárias registradas. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam o Brasil entre os países com os índices mais elevados de transtornos de ansiedade do planeta, além de taxas alarmantes de depressão. Por trás de cada indicador repousa, muitas vezes, uma ruptura drástica na estrutura de lares inteiros.

Minha trajetória profissional foi construída no mercado de seguros. Lidar com esse segmento significa, essencialmente, sentar-se à mesa com chefes de família para projetar o amanhã. Estruturamos proteções para blindar patrimônios conquistados com suor; viabilizamos coberturas para o diagnóstico precoce de enfermidades graves; e desenhamos reservas para que os descendentes encontrem estabilidade econômica caso o provedor falte. Nós calculamos variáveis, avaliamos probabilidades e mitigamos danos materiais.

No entanto, uma constatação dura se impõe: nenhum planejamento patrimonial, por mais robusto que seja, sustenta uma casa, uma família, quando os seus membros estão em sofrimento psíquico.

Testemunhamos atualmente uma dinâmica social marcada pela aceleração contínua, pela hiperconectividade sem limites e por uma exigência incessante por desempenho. Essa realidade cobra um preço alto em todas as faixas de renda e em todas as fases da vida. O adoecimento psíquico não faz distinção de classe social. Manifesta-se no executivo sufocado pela responsabilidade financeira, no trabalhador precarizado que teme o dia seguinte e, de forma cada vez mais alarmante, na juventude.

Falo aqui não apenas como liderança institucional do setor securitário ou empresário, mas também como pai. Ao olhar meus filhos crescerem, percebo o ambiente hostil no qual a nova geração precisa se desenvolver. Os jovens enfrentam níveis alarmantes de pressão, solidão e ausência de perspectivas, fenômenos que desafiam a capacidade de qualquer família de proteger os seus. Educar hoje exige vigilância constante, para que o desejo de garantir segurança financeira não venha desacompanhado de presença e estabilidade emocional.

O debate em torno da campanha Setembro Amarelo não pode se limitar a gestos protocolares e a discursos que transferem toda a responsabilidade apenas ao indivíduo em sofrimento. A prevenção efetiva exige método e comprometimento.

Se no ambiente corporativo aprendemos que riscos críticos exigem protocolos claros e planejamento contínuo, a salvaguarda da vida requer ação idêntica. Precisamos de articulação entre poder público, escolas, empresas e sociedade organizada. As escolas necessitam de programas permanentes de suporte pedagógico e emocional; o ambiente empresarial precisa rever cobranças e relações funcionais predatórias; o Estado tem o dever de garantir capilaridade no acesso à saúde pública especializada; e as famílias precisam resgatar o diálogo.

Proteger o futuro é um compromisso ativo com o presente. Cuidar das próximas gerações requer ações coordenadas e investimentos concretos em prevenção. Afinal, a vida é a única base que dá sentido a qualquer projeto de prosperidade.

*Vinícius Porto é empresário, presidente do Sindicato dos Corretores e das Empresas Corretoras de Seguros no Estado de Goiás (Sincor-GO) e vice-presidente Administrativo da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor).

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por Vinícius Porto

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