Catherine Moraes
Goiânia – A Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH) assumiu, nesta terça-feira (20/12), o caso envolvendo a morte de Danilo Pignata, de 8 anos que morreu após ser atropelado no último sábado (17/12) e a do motorista do veículo, Francilei da Silva Jesus, que foi agredido pelo pai da criança logo após o acidente. O motorista estava internado desde sábado no Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) e morreu na manhã desta terça. O caso será conduzido pela titular da delegacia, Ana Elisa Gomes, que afirma que o pai agiu, inquestionavelmente, sob violenta emoção e que não deve ser detido novamente.
As informações iniciais são de que Dedilson de Oliveira, pai de Danilo, teria agredido o motorista do carro com uma pedrada na cabeça logo após ver o filho morto entre o carro e uma árvore. Ele é vendedor ambulante e estaria lanchando com o filho quando foram surpreendidos pelo veículo que atingiu o canteiro central da Avenida Consolação no Setor Esplanada dos Anicuns, em Goiânia. Inicialmente preso pela Polícia Militar, o pai do foi solto no domingo (19/12), após uma audiência de custódia. De lá, foi direto para o velório do filho.
Titular da DIH, Ana Elisa Gomes explica que após a morte do motorista, os dois inquéritos policiais foram encaminhados para a delegacia. Inicialmente investigado como tentativa de homicídio, o caso agora passa a ser analisado como homicídio privilegiado. Apesar disso, Dedilson não deve ser preso novamente. “Neste momento, a prisão não é palpável pra nós porque para que façamos uma representação de prisão preventiva precisamos de alguns requisitos e já na audiência de custódia a juíza descartou a existência desses elementos, colocando-o em liberdade”, completa.
No entendimento da Polícia Civil, o pai de Danilo deve permanecer em liberdade, a não ser que o Poder Judiciário decida novamente pela prisão. “Acredito que ele vai continuar em liberdade. Ele golpeou o motorista depois do acidente, mas logo após a morte do filho praticamente esmagado contra a árvore. Ele viu o atropelamento e o cara ainda tentou fugir. Então, o pai agiu, inquestionavelmente, sob violenta emoção”, acrescenta Ana Elisa.
Investigação
O acidente foi filmado por uma câmera de segurança, bem como as agressões. Não é possível, entretanto, pelas imagens como qual objeto o motorista foi agredido. Nos próximos dias, testemunhas devem ser ouvidas e a Polícia Civil aguarda ainda o laudo cadavérico do Instituto Médico Legal (IML) para apurar as causas da morte.
No carro havia um copo térmico com restos de bebida que se parecia com cerveja. A delegada afirmou que ainda não há provas de que Francilei da Silva estava alcoolizado no momento do acidente, mas que as testemunhas serão ouvidas e que os exames feitos no Hugol também serão solicitados pela DIH.
A reportagem não teve acesso à defesa do motorista, mas o espaço permanece aberto para resposta.
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