Logo

O novo momento da economia e as Cooperativas de Crédito

WhatsAppFacebookLinkedInX
08.03.2018 - 18:29:34

Goiânia – A economia brasileira vem dando sinais positivos, de que as turbulências enfrentadas nos últimos anos começam a ser superadas, e os números já são mais favoráveis, mesmo diante de um quadro político de muitas incertezas. As análises mais otimistas indicam para o início da recuperação, ainda de forma lenta, mas progressiva. A taxa básica de juros do país, de 7% ao ano, está no menor patamar histórico, desde 1997, e o desemprego, em que pese estar em índice elevado e preocupante, vem caindo aos poucos, mudança que tende a estabilizar o consumo. A inflação recuou, com o índice acumulado abaixo dos 3% em 2017.

Esse quadro, trazendo alívio à sociedade, incentiva os empresários em seus negócios, buscando alternativas para melhor conduzirem seus empreendimentos e maior proteção às suas iniciativas. O investidor sabe que pouco pode contar com o Estado e tem que se estruturar para evitar surpresas para decisões que nem sempre lhe são favoráveis.

O mercado expõe as muitas opções existentes e faz com que cada um procure as oportunidades que ofereçam os menores riscos, mais segurança e melhores resultados, exigindo de cada um estar atento a todas as possibilidades.

Vi com muito otimismo o sistema que tem crescido muito nos últimos anos no Brasil, mas que ainda é pouco conhecido, pouco divulgado e pouco discutido no meio empresarial, ainda que alguns já participem dele. Trata-se do Cooperativismo de Crédito, já com uma longa história nos países desenvolvidos, como a Alemanha, onde surgiu em 1844, voltado para as necessidades financeiras dos pequenos comerciantes e artesãos, teve rápido crescimento e logo ultrapassou as fronteiras daquele país, espalhando-se pela Itália, França, Holanda, Inglaterra e Áustria, tornando-o referência para o mundo no desenvolvimento do setor. No continente americano, a primeira Cooperativa de Crédito surgiu no Canadá em 1900, na cidade de Lévis, estado de Quebec, dando origem ao movimento fundado por Alphonse Desjardins e que serviu de inspiração para as primeiras cooperativas fundadas nos Estados Unidos.

Dados recentes indicam que o sistema Desjardins, maior Cooperativa de Serviços Financeiros do Canadá e a mais consolidada da Província de Quebec, reúne cerca de 5,8 milhões de associados, numa população de oito milhões de habitantes, e ativos de 190 bilhões de dólares canadenses. Na Alemanha, dos 1.900 bancos que operam o seu mercado financeiro, entre públicos e privados, 1.103 são Cooperativas de Crédito. Elas respondem por 25% do sistema financeiro alemão, com mais de 17 milhões de associados e 30 milhões de clientes, representando 39% da população, de 82 milhões de habitantes. Nos Estados Unidos, são 100 milhões de associados (um em cada três americanos participa de uma Cooperativa de Crédito).

Essas informações, do livro “Cooperativismo de Crédito – Sua história em Goiás e seu protagonismo no Brasil”, do jornalista Jales Naves e do advogado tributarista Jales Naves Júnior, inserem o leitor num outro mundo. Mostram um quadro novo na área e exigem uma leitura atenta, para conhecer esse sistema e compreendê-lo em toda a sua extensão. Não temos, em nossa formação, esse espírito de cooperação, pois somos educados mais para a competição, para o sucesso individual.

Os autores defendem a ideia de que o sistema deve ser melhor analisado, discutido nas escolas e exercitado nas comunidades, para que o cidadão aprenda a cooperar, a melhor utilizar seus recursos e a acompanhar como são feitos os investimentos nessa área.

Se o momento é de busca de alternativas e a cooperação é o melhor meio de promover o desenvolvimento local com recursos da própria comunidade, por que não analisar esse sistema com mais carinho e mais atenção? Por que não ensiná-lo nas escolas e oferecer essa prática como atividade da rotina para os alunos, seja na compra de material escolar, como na melhor aplicação de seus recursos, em especial a sua poupança?

Li o livro, fiquei interessado nesse modelo de economia solidária e passo a ser um defensor dessa atividade, que não tem a participação do Estado, é uma iniciativa da sociedade e todos podem participar. Aliás, exige a participação dos cooperados, para que tenham melhores resultados.

É uma sugestão, depois dessa leitura enriquecedora e que me abriu novos horizontes.  

Íris Andrade da Silva presidiu a Associação Comercial e Industrial do Estado de Goiás (Acieg) de 1991/93.

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Íris Andrade

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Wil Caravanti
04.11.2026
Design de Imaginação

“Imaginação é mais importante que conhecimento.” Albert Einstein Antes de existir no mundo, muitas das grandes realizações humanas existiram primeiro na imaginação de alguém. Walt Disney imaginou na Flórida algo que ia muito além de um parque de diversões. Lúcio Costa e Oscar Niemeyer ajudaram a transformar em cidade uma ideia desenhada para o centro […]

Rose Cruvinel
03.11.2026
Ministério do Idoso é boa ideia, mas precisa ser eficiente

A criação de um Ministério do Idoso foi uma das primeiras propostas anunciadas pelo presidente Lula da Silva, depois de confirmada sua reeleição. A ideia merece ser recebida com seriedade e espírito público. Como médica, vereadora e integrante da população idosa, conheço de perto os desafios do envelhecimento e apoio qualquer iniciativa que coloque esse […]

Luiz Augusto Araujo
03.11.2026
Você sabe se comunicar bem?

Você consegue expressar suas ideias com clareza? Sabe organizar o que deseja dizer, transmitir mensagens de forma objetiva e convencer as pessoas? Embora a comunicação esteja presente em praticamente todas as situações do cotidiano, nem sempre temos consciência de como nos comunicamos e de quais aspectos podemos melhorar. Para ajudar a responder a essas perguntas, […]

ANA CARLA ABRAO
02.11.2026
O Brasil que desperdiçamos

Quanto custa ao Brasil continuar sendo tão desigual? Não apenas em termos de injustiça social, de pobreza ou de oportunidades negadas a milhões de brasileiros. Quanto nos custa em crescimento, produtividade, segurança e prosperidade? E, talvez mais importante, quanto perdemos com a manutenção de uma sociedade que desperdiça tanto do seu próprio potencial? Em uma […]

Ricardo Menegatto
02.11.2026
Black Friday e os falsos descontos

A Black Friday se aproxima e, com ela, chegam as promessas de grandes descontos, ofertas por tempo limitado e oportunidades aparentemente imperdíveis. Em 2026, a principal data promocional do comércio será celebrada em 27 de novembro. Mas, em meio à expectativa de economizar, surgem situações que costumam gerar dúvidas e frustrações: a loja anuncia um […]

Edemundo Dias de Oliveira Filho
30.10.2026
A cegueira deliberada do oráculo

“A partir de certo ponto, as informações já não informam — deformam. Podem até obscurecer o mundo.” Byung-Chul Han Por que os diagnósticos — apenas ou embora certeiros — não ajudam a nação? Passadas as eleições, o Brasil não assistiu tão somente ao arrefecimento da beligerância. Assistiu, sobretudo, à sua consolidação como método de governabilidade. […]

André Naves
29.10.2026
Fim da escala 6 por 1: Prosperidade e Inclusão

A escala 6 por 1 – seis dias de trabalho para um de descanso – sempre cronometrou a semana de 14,8 milhões de trabalhadores brasileiros sem se importar com o quanto de vida sobrava depois do expediente. Quase nada. José Mujica, o presidente uruguaio que se tornou símbolo mundial de humildade, simplicidade e humanidade, costumava […]

José Ricardo Caixeta Ramos
29.10.2026
Educação sanitária, um dos pilares da defesa agropecuária em Goiás

Nos últimos três anos, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) passou por uma transformação relevante em sua cultura organizacional. Tradicionalmente vista com receio pelo produtor rural, que associava a chegada de nossas equipes a possíveis multas e sanções, a Agência reinventou sua maneira de atuar. Hoje somos uma instituição parceira, que prioriza a orientação […]