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O mundo é Rivotril

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31.01.2012 - 12:17:45

Estamos na era Pollyana, todo mundo brincando do jogo do contente. Virou quase obrigação sermos felizes, positivos e animados. Nada de tristeza, problemas, contas para pagar. A máxima é curtir a vida adoidado, freqüentando os melhores restaurantes, comendo os pratos mais estrelados, reunindo os amigos mais descolados e viajando para destinos incríveis. As expectativas estão cada vez mais altas. Em relação a tudo.

Não queremos ser mães. Queremos ser as mães perfeitas. Aquelas cujos filhos mamam como bezerrinhos e dormem como anjinhos. Não há mais espaço para dúvidas, hormônios loucos, peitos rachados e doloridos e medos tão típicos da maternidade.
É preciso ser feliz.

Nossos filhos são os mais inteligentes, bonitos e simpáticos. Mal completam dois anos, já estão matriculados nas aulinhas de artes, ballet, capoeira, música e natação. A escola tem que ser bilíngüe. Problemas de comportamento? Lá vem diagnóstico de TDAH, remédios tarja preta e psiquiatras. Tudo para o perfeito funcionamento da família.

Poucos têm tempo e coragem para lidar com problemas. Alguns acham muito mais fácil um diagnóstico equivocado e remédio controlado do que educar um filho levado e cheio de energia.  

É preciso ser feliz.

Está aí a indústria farmacêutica dando pulos de felicidade que não me deixa mentir. No Brasil, calmantes, ansiolíticos e antidepressivos são os mais vendidos na categoria remédios controlados. Atrás (pasmem) dos emagrecedores. Faz sentido. Temos que ser felizes. E magros. Nem que seja nos entupindo de drogas vendidas legalmente em qualquer farmácia brasileira.

É preciso ser feliz.

O casamento, as férias, o corpo, os filhos, a casa, o carro, a comida, a roupa, o vinho, o sexo, a vida têm que ser perfeitos. Não há espaço para tristezas, nem as pequenas. Lágrimas, só de alegria. Dores, só as musculares.

Se não fosse um pequeno detalhe:

É impossível ser feliz o tempo todo.

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por Bia Tahan

*Jornalista

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