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O menor dos equívocos de Túlio Isac foi no português

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25.01.2012 - 16:55:30


Muito está se falando da gafe gigantesca do deputado estadual Túlio Isac (PSDB). Se você não está ligado no assunto, por favor, leia a matéria desse link que tudo ficará claro. O vacilo ortográfico virou meme de internet, piada curta em todas as rodinhas e constrangimento geral para os goianos. O problema menor, nesse caso, foi o grotesco erro de português do parlamentar. O preconceito explicitado em sua argumentação quando diz que “um cabeludo que não sabia se era homem ou mulher” é muito mais grave do que a troca entre as letras J e G.

Errar no português é normal. Eu erro direto. Não faço parte da escola pós-Pasquale que não fala “risco de vida”. Entendo que o conteúdo vale mais que a forma. O que deixou feia a história para Túlio Isac não foi o equívoco na soletração em si, foi ele errar ao tentar corrigir o que estava certo. Mas esse ponto é definitivamente menor dentro da gravidade da frase completa do deputado. Ele se mostrou um preconceituoso de primeira. Esse sim é o ponto nevrálgico, independente do desconhecimento acerca da última flor do Lácio, tal qual batizou nossa língua o poeta Olavo Bilac.

Será que Túlio Isac acredita que corte de cabelo influencia na orientação sexual da pessoa? Ou ele quis dizer que uma pessoa, dependendo da orientação sexual, não é capaz de ser professor? Independente da mensagem, a percepção estereotipada está clara. A falta de visão plural do deputado é seu grande equívoco. O desrespeito a quem se traja de uma forma que ele não gosta se mostra o problema maior do parlamentar – eleito, diga-se de passagem, para representar toda sociedade na Assembleia Legislativa de Goiás. Que bela representação, hein…

Quando o deputado profere tal sentença, tenta desqualificar seu opositor de debate político da pior forma possível: evocando o preconceito de gênero e sexual arraigado no âmago da sociedade. Ao dizer que não sabe se o cara é homem ou mulher por ser cabeludo, ele quer dizer que o cara não sabe nem a própria sexualidade, logo, não pode saber nada da política e nem o que está reivindicando. E ridiculariza o argumento do manifestante pela sua aparência. Jogo baixo. Não é dessa forma que uma sociedade democrática confronta ideias.

E é uma pena que essa percepção do quão grave é a colocação preconceituosa do deputado tenha ficado sem destaque no debate midiático por conta de um erro entre J e G. Quem critica Túlio Isac pelo erro gramatical, não tenho dúvidas, critica o menor dos equívocos do deputado naquela sentença. Como eu disse, uma pena.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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