Logo

O legado da crise e a voz das ruas

WhatsAppFacebookLinkedInX
16.08.2015 - 11:45:50
 
Goiânia – A força de movimentos sociais que, a partir da internet, se articulam para cobrar uma “nova prática política” está entre os mais relevantes legados da crise por que passa o Brasil. Cada comportamento de governantes e legisladores acaba vigiado e criticado continuamente, o que é compreendido por estrategistas como ameaça. Mas qualquer tentativa de conferir ao país condições mínimas para se reerguer inclui necessariamente uma “reconciliação com as ruas”.

Mais uma etapa de manifestações gerais contra o governo Dilma, marcada para este domingo (16/8), confirma que a grande maioria dos inconformados, revelados nas pesquisas recentes de opinião, não vai deixar que os líderes continuem a tingir o país com as máculas da corrupção e da incompetência, em nome de interesses particulares e da sobrevivência financeira ilícita de partidos.

Fissurados em canalizar o dinheiro público para fins escusos, políticos que conduzem os rumos da nação estão surdos aos reclames e descompromissados com as expectativas e anseios dos cidadãos de quaisquer regiões do país. Só não perceberam que o volume dessa “voz” nunca foi tão alto e ignorá-la, escondendo a real dimensão da crise, talvez seja a pior e a mais indesejada das atitudes.

Fala-se muito na inabilidade de articulação da base governista no Congresso Nacional em torno das grandes bandeiras, se é que elas existem. Igualmente, revelam-se cada vez mais graves os impactos no orçamento das famílias da falta de planejamento, das derrapadas fiscais e do sobrepeso da estrutura administrativa do Estado. Mas a maior das conseqüências da crise é o descompasso entre a gestão e o que cidadão espera dela.

Não há formas de se reaver essa “sintonia perdida” sem a implantação de uma política para os serviços públicos, baseada na eficiência. Para tanto, é necessário traçar rumos e ações, como resposta aos anseios que manifestantes insistem em repetir, retomando um diálogo há muito perdido, sem o qual só reinam desconfiança e descrédito.

Por outro lado, nenhuma estratégia irá reconquistar os descrentes se não for fundamentada em diretriz austera de redução da máquina e dos gastos públicos que sustentam privilégios e práticas criminosas. Se o Governo atual vai ou não conseguir criar condições dignas para um soerguimento, só o futuro dirá. Mas o que é certo é que a multidão vai continuar inundando as ruas porque é ao povo que pertence essa nação e é ele que precisa ser ouvido.

*Cristina Lopes Afonso é vereadora pelo PSDB e fisioterapeuta especialista no tratamento de queimaduras
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Cristina Lopes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Domingos Quirino
14.10.2026
A saúde não pode envelhecer

A sociedade civil está envelhecendo em ritmo acelerado. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, o país chegou a 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais em 2022, crescimento de 57,4% em comparação com 2010. Esse cenário impõe uma reflexão urgente: se o perfil do paciente mudou, a forma de cuidar também precisa mudar. […]

Chrissia Bandim
13.10.2026
Antes da ferramenta, a gestão do escritório

Na advocacia, o assunto mais recorrente entre os integrantes dos escritórios é saber qual ferramenta de inteligência artificial contratar para elaborar as melhores petições e fazer as melhores intervenções processuais. A discussão é salutar. Mas, qualquer que seja a ferramenta, eficiência e resultado só se conquistam com organização. Quem faz o quê, em quanto tempo, […]

Leonardo Chucrute
13.10.2026
O impacto de um líder vai além dos resultados

Todo líder deixa um rastro. A questão central não está apenas nos resultados entregues, mas no impacto gerado nas pessoas que caminham ao seu lado. Em um ambiente empresarial cada vez mais voltado para performance e crescimento acelerado, é comum associar liderança exclusivamente ao cumprimento de metas, indicadores e resultados de curto prazo. No entanto, […]

Maria Clorinda Soares Fioravanti
09.10.2026
Educação superior, ciência e tecnologia no Brasil: de onde viemos, onde estamos e que futuro queremos?

A Medicina Veterinária, a docência e a pesquisa são dimensões indissociáveis da minha trajetória. Ao longo desses anos, acompanhei períodos de expansão, fortalecimento institucional, restrições orçamentárias e ameaças à autonomia universitária. Essa experiência consolidou minha convicção de que a educação pública de qualidade é um dever do Estado e investir em ciência e tecnologia é […]

Edemundo Dias de Oliveira Filho
09.10.2026
A voz que desafia o século da barbárie

O anúncio de Navi Pillay como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026 não é apenas o reconhecimento de uma biografia monumental. Em um tempo marcado pela brutalidade em escala universal — guerras que se arrastam sem perspectiva de solução, crises climáticas e sanitárias tratadas como pauta secundária, desigualdade que concentra renda e poder […]

Karina Picon
08.10.2026
Quem cuida de quem cuida?

Olhar para uma tomada cheia de adaptadores e cabos ligados ao mesmo tempo ajuda a entender o que acontece com a gente no dia a dia. Quando o cansaço bate forte, a gente costuma achar que a nossa força simplesmente acabou ou que não estamos dando conta. Mas quase nunca paramos para olhar o principal: […]

Rimene Amaral
08.10.2026
A riqueza não sobrevive à vida

A notícia de uma doença misteriosa que matou uma funcionária do Instituto de Pesquisa sobre a Peste Irkutsk (uma peste pneumônica), na Sibéria, colocou uma pulga atrás de muitas orelhas. A funcionária, de 28 anos, morreu na última semana devido a uma pneumonia, e as autoridades não divulgaram mais informações sobre a morte. O Rospotrebnadzor, […]

José Mário Schreiner
06.10.2026
Agro conectado, economia integrada

Durante muito tempo, era natural que os setores primário, secundário e terciário tivessem seus próprios espaços de discussão, negócios e exposição. Isso porque cada atividade tem suas particularidades, desafios e oportunidades. Mas a realidade mudou. As cadeias produtivas estão cada vez mais conectadas, e as fronteiras entre os setores, menos nítidas. É nesse contexto que […]