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O legado da crise e a voz das ruas

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16.08.2015 - 11:45:50
 
Goiânia – A força de movimentos sociais que, a partir da internet, se articulam para cobrar uma “nova prática política” está entre os mais relevantes legados da crise por que passa o Brasil. Cada comportamento de governantes e legisladores acaba vigiado e criticado continuamente, o que é compreendido por estrategistas como ameaça. Mas qualquer tentativa de conferir ao país condições mínimas para se reerguer inclui necessariamente uma “reconciliação com as ruas”.

Mais uma etapa de manifestações gerais contra o governo Dilma, marcada para este domingo (16/8), confirma que a grande maioria dos inconformados, revelados nas pesquisas recentes de opinião, não vai deixar que os líderes continuem a tingir o país com as máculas da corrupção e da incompetência, em nome de interesses particulares e da sobrevivência financeira ilícita de partidos.

Fissurados em canalizar o dinheiro público para fins escusos, políticos que conduzem os rumos da nação estão surdos aos reclames e descompromissados com as expectativas e anseios dos cidadãos de quaisquer regiões do país. Só não perceberam que o volume dessa “voz” nunca foi tão alto e ignorá-la, escondendo a real dimensão da crise, talvez seja a pior e a mais indesejada das atitudes.

Fala-se muito na inabilidade de articulação da base governista no Congresso Nacional em torno das grandes bandeiras, se é que elas existem. Igualmente, revelam-se cada vez mais graves os impactos no orçamento das famílias da falta de planejamento, das derrapadas fiscais e do sobrepeso da estrutura administrativa do Estado. Mas a maior das conseqüências da crise é o descompasso entre a gestão e o que cidadão espera dela.

Não há formas de se reaver essa “sintonia perdida” sem a implantação de uma política para os serviços públicos, baseada na eficiência. Para tanto, é necessário traçar rumos e ações, como resposta aos anseios que manifestantes insistem em repetir, retomando um diálogo há muito perdido, sem o qual só reinam desconfiança e descrédito.

Por outro lado, nenhuma estratégia irá reconquistar os descrentes se não for fundamentada em diretriz austera de redução da máquina e dos gastos públicos que sustentam privilégios e práticas criminosas. Se o Governo atual vai ou não conseguir criar condições dignas para um soerguimento, só o futuro dirá. Mas o que é certo é que a multidão vai continuar inundando as ruas porque é ao povo que pertence essa nação e é ele que precisa ser ouvido.

*Cristina Lopes Afonso é vereadora pelo PSDB e fisioterapeuta especialista no tratamento de queimaduras
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por Cristina Lopes

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