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O “enochato”

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19.04.2012 - 18:01:19

Bebedores de vinho mais empolgados devem tomar cuidado, uma vez que é tênue a linha que separa o enófilo do “enochato”. Quem costuma participar de degustações já deve ter encontrado alguns desses esnobes do vinho. Geralmente, eles falam o tempo todo e têm a capacidade de transformar uma noite divertida em um tédio absoluto. Mas apesar dessa característica em comum, eles não são todos iguais. Aprenda a reconhecer os tipos mais frequentes de “enochatos” para que você possa se afastar rapidamente ao encontrar um deles.

O colecionador: sempre que alguém menciona algum vinho famoso, ele informa a todos os presentes que possui algumas garrafas daquele vinho em sua adega, que visitou a vinícola na França e que a filha do produtor está grávida do segundo marido e vai dar à luz em junho. Não adianta ficar animado se você for convidado para jantar na casa desse tipo de “enochato”. Ele vai te levar para conhecer a adega dele e vai mostrar os grandes vinhos que lá estão armazenados, porém eles são apenas para exibição e nunca serão abertos. 

O nerd: ele adora termos técnicos e interrompe a degustação para dar longas explicações sobre os pormenores da vinificação. Expressões como “maceração carbônica” e “fermentação maloláctica” estão entre as suas favoritas.

O sabe-tudo: ele se afirma discordando de tudo que a segunda pessoa mais entendida de vinhos do grupo disser. Esse “enochato” não percebe aromas florais ou de frutas vermelhas, mas sim de violetas e de amoras negras silvestres maduras. Mesmo que ninguém queira saber, ele dá explicações o tempo inteiro sobre a forma correta de abrir, servir e degustar o vinho e fica vigiando e corrigindo as outras pessoas à mesa.

Existem outros tipos de “enochatos” e talvez eu volte a falar sobre eles no futuro. Mas agora chega de chatice e vamos à diversão. Dia 17 de abril foi o "Dia Mundial da Malbec", modesta uva francesa que encontrou sua melhor expressão na Argentina, onde dá origem a grandes vinhos. Para comemorar a data, indico três boas garrafas de Malbecs argentinos.

Produzido no Tupungato, em Mendoza, o Sophenia Malbec Reserve 2009 apresenta aromas de ameixas e cerejas e um leve toque de hortelã. É um bom vinho para acompanhar churrasco. Tem excelente relação qualidade/preço. R$ 49,90 no site www.worldwine.com.br.

Colomé Malbec Estate 2008 é produzido na região de Salta, pela Hess Family Estates. No nariz apresenta aromas de frutas negras e cacau. Na boca é suculento e macio. Passa por quinze meses de amadurecimento em barricas de carvalho francês. R$ 94 no site www.decanter.com.br.

Alpha Crux Malbec 2008 é produzido em Mendoza, pela O. Fournier. Rico, potente e encorpado, é considerado um dos melhores Malbecs do mundo. Prepare-se para uma explosão de aromas e sabores ao prová-lo. Além de bastante frutado, tem notas de chocolate e baunilha. R$185,81 no site www.vinci.com.br.

As perguntas feitas pelos comentários serão respondidas uma por semana aqui na coluna. Se preferir, mande sua dúvida pelo Twitter: @Letticiae ou e-mail: [email protected].

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por Letticiae Bittencourt

*Letticiae Bittencourt é sommelière formada pela Associação Brasileira de Sommeliers

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